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16 Outubro 2019

O Sínodo é uma oportunidade para que o mundo europeu aprenda que outras culturas também são capazes de falar sobre a vida, o bem-estar e relações mais saudáveis.

O comentário é de Dominique Quinio, publicado por La Croix International, 14-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O papel das mulheres na Igreja é um tema-chave no Sínodo da Amazônia em Roma e já gerou grande interesse entre os bispos. Sem mulheres, quem levará a mensagem de Cristo aos povos amazônicos, que às vezes correm o risco de morte?

Pode parecer um estereótipo preguiçoso da parte dos defensores da mudança, mas, neste estágio, quando três mulheres estão se preparando para se dirigir à assembleia do Sínodo para a Amazônia no Vaticano, sua contribuição é fascinante.

Por acaso, vemos frequentemente cavalheiros tão sorridentes nas galerias oficiais para discursos importantes, rindo talvez de uma observação feita por um deles? Sejamos sinceros, esse comentário poderia ser considerado como uma observação sexista inversa!

O assunto é sério, no entanto, pois diz respeito às mulheres da Amazônia e ao seu papel na Igreja. Esses debates podem parecer distantes para nós [na Europa], mas, em muitos pontos, destacam observações e ideias que o Papa Francisco, em sua “Carta ao Povo de Deus”, nos convidou a levar em consideração.

Na abertura do Sínodo de três semanas, o papa sublinhou sua quádrupla dimensão – “pastoral, cultural, social e ecológica” –,cada uma a ser explorada em todos os aspectos da Igreja.

Uma questão universal

A Amazônia, deve-se lembrar, é de vital importância para o planeta. As ameaças que essa região enfrenta põem em perigo as populações locais e seu modo de vida, mas também nos afetam.

Assim como ao destino de populações frágeis e isoladas – indígenas aqui, estrangeiras em outros lugares. Um enorme território que um pequeno número de padres atravessa para celebrar os sacramentos. Isso não nos lembra, em todas as proporções, a situação em alguns de nossos territórios rurais?

O debate nos lembra o lugar central da Eucaristia, da qual algumas pessoas, de fato, são privadas. Como essas realidades devem impactar na formação dos padres e na orientação do seu ministério?

Quanto ao papel das mulheres e, entre elas, das religiosas, os testemunhos ouvidos no Sínodo e relatados a nós por Nicolas Senèze são iluminadores. Sem elas, quem levaria a mensagem de Cristo aos povos amazônicos, que às vezes correm o risco de morte?

As mulheres envolvidas na Igreja neste lado do mundo [na Europa] não viajam de canoa e não correm o risco de serem mortas por traficantes, mas, sem elas, a missão evangelizadora das comunidades estaria consideravelmente enfraquecida.

As questões, durante este Sínodo, são levantadas sem tabus, mesmo que as propostas apresentadas não sejam aceitas por unanimidade. Mais perto de nós, a Igreja alemã também entrou em um “caminho sinodal”, pronta para abordá-las claramente.

Uma assembleia sinodal não é um parlamento, lembrou o papa. A oposição deve ser expressada nos encontros, e não na mídia, insistiu, em seu modo direto habitual.

Qual será o novo caminho adotado pela Amazônia e quanto ele valerá para o mundo inteiro? É preciso lembrar que Francisco convidou os Padres sinodais a uma “cautela ousada”, mas seus debates também moldam o nosso próprio pensamento.

Como explicou Dom Emmanuel Lafont, bispo de Caiena, o Sínodo é “uma oportunidade para que o mundo romano e europeu aprenda que outras culturas são capazes de falar sobre a vida, o bem-estar, uma relação mais saudável com o consumo desenfreado”.

Este Sínodo, acrescentou, “prestará um grande serviço às pessoas que acreditam que são mais civilizadas do que outras”.

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