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21 Agosto 2019

"A responsabilidade social das empresas consiste em aumentar os lucros". O famoso aforismo do Prêmio Nobel Milton Friedman foi por décadas a pedra angular do capitalismo norte-americano. Sem frescuras morais, o bem-estar dos acionistas em primeiro lugar, e o resto viria como consequência. Mas desde ontem, pelo menos em palavras, algo mudou. A Business Roundtable, presidida por Jamie Dimon do JpMorgan Chase - 181 membros, incluindo Apple, Accenture e AT & T, 15 milhões de funcionários – declarou com todas as letras que, além de maximizar os lucros, cada empresa deve ter como objetivo enriquecer a vida de seus funcionários, dos consumidores, dos fornecedores e das comunidades, atendendo os acionistas de forma ética e respeitando o meio ambiente. É desde 1978 que a associação publica periodicamente um documento dedicado aos "princípios da governança corporativa", e é a primeira vez que uma linguagem semelhante aparece.

A reportagem é de Marilisa Palumbo, publicada por Corriere della Sera, 20-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Muitas passagens no texto lembram mais os comícios da candidata à nomeação democrática e paladina dos consumidores, Elizabeth Warren, do que o mantra dos grandes dos negócios. Mas também refletem um impulso global por uma reforma profunda do capitalismo, que, da forma como está, exacerbou a distância, não apenas entre ricos e pobres, mas entre ricos e classe média. Segundo uma análise do Instituto de Política Econômica, a remuneração dos CEOs aumentou em 940% desde 1978 e a do trabalhador médio em 12%.

A escolha “narrativa” da Business Roundtable é, no entanto, também um sinal da profunda mudança em curso na forma de interpretar o papel social das empresas. Tim Cook, CEO da Apple, já havia explicado isso dois anos atrás: "Temos a responsabilidade moral de contribuir para este país, para ajudar a aumentar a economia e os postos de trabalho... por uma série de razões, o governo não segue mais com a mesma velocidade do passado”. Das políticas de igualdade de gênero às de mudança climática, essa mesma Corporate America no centro das contestações, tem sido frequentemente nestes últimos anos uma voz progressista.

Algumas corporações garantiram direitos (por exemplo, para os parceiros de empregados homossexuais) antes que a lei o fizesse, ou se manifestaram contra o racismo com mais força do que Donald Trump (veja-se dois anos atrás a fuga do Business council da Casa Branca em protesto contra as palavras ambivalentes do presidente sobre neonazistas em Charlottesville). E a Business Roundtable denunciou a política de separações familiares implementada pela administração como "cruel e contrária aos valores dos EUA".

A "politização" dos gestores, sua exposição pública, tem um retorno econômico. Os consumidores premiam as empresas eticamente responsáveis e conseguem causar graves danos através de boicotes, coordenados nas mídias sociais, para aqueles que violam os princípios de equidade e correção. Os próprios empregados, como aconteceu nas últimas semanas com a decisão de não aceitar contratos governamentais com agências para a imigração e controle de fronteiras, podem influenciar as decisões empresariais.

Mas o caminho para uma reforma do capitalismo ainda é longo. "Estou cauteloso - disse o ex-secretário do Tesouro de Bill Clinton, Larry Summers, ao Financial Times - temo que a retórica seja uma estratégia para evitar uma reforma fiscal e regulatória necessária". Problemas, junto com aquele do monopólio da Big Tech que, se tivesse que retornar à Casa Branca um/uma democrata, não bastaria um documento de intenção para resolver.

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