Livro analisa os teólogos, a virada ecumênica e o compromisso bíblico do Vaticano II

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18 Agosto 2019

Alguns católicos agem como se ainda estivéssemos vivendo no longo e escuro cone de sombra do Concílio Vaticano II. Outros acham que ainda estamos vivendo no cone de luz do longo Concílio Ecumênico de quatro anos de duração, de 1962 a 1965. A maioria dos católicos só conhece a Igreja pós-conciliar, e, lamentavelmente, poucos católicos realmente tomaram seu tempo para estudar a Igreja pós-conciliar ou os documentos que ela emitiu. Não é surpresa alguma que as interpretações do Concílio variem, e que essas variações sejam fontes de disputas intraeclesiais.

O comentário é de Michael Sean Winters, publicado em National Catholic Reporter, 16-08-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nessa arena, entra em cena um novo livro que é extremamente esclarecedor. O livro do padre jesuíta Jared Wicks intitulado “Investigating Vatican II: Its Theologians, Ecumenical Turn and Biblical Commitment” [Investigando o Concílio Vaticano II: seus teólogos, sua virada ecumênica e seu compromisso bíblico] acrescenta muito à nossa consciência do que realmente aconteceu no Concílio, por que seu significado é tão grande – e tão complicado – e por que ninguém deveria se surpreender que nós, como Igreja, ainda estejamos em processo de receber seus ensinamentos.

Wicks começa examinando o que ele chama de “motivações tridentinas” do Papa João XXIII ao convocar o Concílio. Qualquer um que tenha lido uma boa biografia de Papa Roncalli estará familiarizado com grande parte disso. Quando era um jovem padre, Roncalli editou os registros da visita de São Carlos Borromeu à diocese natal de Roncalli, em Bérgamo. Borromeu era “um colosso de santidade pastoral”, de acordo com Roncalli, que demonstrou que Trento não foi apenas um concílio reformador, mas também pastoral.

Papa São João XXIII nos Jardins Vaticanos (Foto: CNS/Catholic Press)

Depois, como diplomata, Roncalli trabalhou na Bulgária e na Turquia, onde se encontrou com outras religiões, despertando seus interesses ecumênicos e inter-religiosos, que se tornaram um tema tão importante no Vaticano II. O que eu não sabia até ler o livro de Wicks é que, nos primeiros anos do futuro papa, a primeira vez que Roncalli invocou um tema que caracterizaria seu ministério petrino, o da “juventude eclesial”, ele o fez tomando-o de empréstimo de uma conferência proferida por John Lancaster Spalding, o bispo de Peoria, Illinois.

Wicks segue em frente levando em consideração o papel dos teólogos no Vaticano II, e o relato fascina. Mais uma vez, conhecemos as linhas gerais, como os documentos preparatórios foram em grande parte escritos pela Cúria vaticana, que pensava que o trabalho do Concílio era confirmar os recentes ensinamentos papais e voltar para casa.

Os bispos fora de Roma, no entanto, não tinham medo de consultar os teólogos que pensavam mais a fundo, porque também pensavam mais a fundo. Isso significa que eles estavam insatisfeitos com os silogismos neoescolásticos da escola romana e tinham se voltado para os Padres da Igreja e para as próprias Escrituras, para procurar fontes de renovação. Essa teologia da refontalização [ressourcement] foi vista com desconfiança em Roma: o teólogo francês Henri de Lubac, por exemplo, fora essencialmente silenciado nos anos anteriores ao Vaticano II.

Quem também foi silenciado foi o teólogo estadunidense e padre jesuíta John Courtney Murray, embora não fosse um teólogo da refontalização. Seu crime, aos olhos do Santo Ofício, foi a sua tentativa de legitimar a estrutura constitucional norte-americana de separação entre Igreja e Estado, questionando o marco da “tese-hipótese” então reinante, que apenas tolerava a separação, mas preferia a união entre Igreja e Estado quando os católicos estivessem na maioria.

Wicks analisa detalhadamente o tempo entre o anúncio do Concílio por parte de João XXIII em 1959 e a sua abertura oficial três anos depois. O dominicano francês Yves Congar publicou uma pesquisa sobre o papel dos concílios na vida da Igreja depois de um mês do anúncio e incluiu algumas das suas esperanças para o próximo concílio. Congar, indubitavelmente o principal eclesiólogo da época, teria um profundo impacto no Concílio do começo ao fim, e, para a nossa sorte, ele manteve um diário, uma das fontes que Wicks explora para tal vantagem.

Karl Rahner seria chamado para ajudar a comissão preparatória que trabalhou na liturgia, especificamente sobre a questão da restauração do diaconato. Era uma tarefa simples naquela fase inicial, mas também foi um chute na porta.

De Lubac e Congar seriam ambos consultores da comissão teológica, embora seu chefe, o cardeal Alfredo Ottaviani, também secretário do Santo Ofício, não estivesse buscando nenhuma inovação, nem antes, nem nunca. Seu lema cardinalício resumia a sua perspectiva teológica: “Semper idem”.

Outro teólogo alemão em Bonn proferiu uma conferência amplamente difundida sobre o tema do “Concílio como expressão da natureza colegial da liderança pastoral da Igreja segundo o modelo dos 12 apóstolos”.

O Concílio Vaticano I do século XIX havia terminado abruptamente, emitindo os decretos sobre o primado e a infalibilidade papal, mas nunca abordando o episcopado: havia uma necessidade de equilibrar essa eclesiologia ultramontana. Um teólogo se tornaria o perito, ou o principal conselheiro teológico, para o cardeal Joseph Frings, de Colônia, um dos mais importantes padres do Concílio. O nome do teólogo era Joseph Ratzinger.

Pediu-se que os bispos do mundo inteiro enviassem seus pensamentos sobre os tópicos que o Concílio deveria abordar, e esse convite também foi estendido às faculdades de teologia. Algumas delas, como a submissão da Universidade Lateranense, queriam que o Concílio condenasse alguns dos teólogos que realmente teriam um papel central na elaboração dos textos conciliares!

A faculdade teológica de Louvain foi mais profunda em sua abordagem e, igualmente importante, tinha um poderoso patrono no cardeal Leon Joseph Suenens, de Malines-Bruxelas.

O corpo docente do Pontifício Instituto Bíblico também fez contribuições importantes, incluindo a proposta de condenar todas as formas de antissemitismo. Dois cardeais eram ex-alunos do instituto, Bernard Alfrink, de Utrecht, e Albert Meyer, de Chicago, e outro, o padre jesuíta Augustine Bea, estava há muito tempo na faculdade.

O papel de Bea como chefe do recém-formado Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos deu-lhe um assento à mesa durante grande parte do período preparatório, e ele pode ter sido o cardeal mais influente na eventual mudança de direção do Concílio para longe da visão teológica e pastoral enrijecida da Cúria, rumo a uma adoção mais robusta das fontes teológicas e de uma abertura mais engajada e até mesmo otimista ao mundo moderno.

Novo livro de Jared Wicks, SJ sobre o Vaticano II (Foto: Divulgação)

O livro de Wicks é o primeiro que eu conheço em inglês a se valer da publicação de Mauro Velati das atas dos encontros e de outros textos dos primeiros anos do secretariado, do fim de 1960 até o início de 1962.

Wicks continua a narrativa descrevendo o trabalho dos teólogos assim que o Concílio foi finalmente aberto em 11 de outubro de 1962. Ninguém sabia exatamente o que iria acontecer, se as forças da Cúria seguiriam o seu caminho, ou se a maioria dos Padres conciliares se uniria para empurrar as fronteiras. Faço questão que o leitor compre esse livro para seguir os detalhes que completam o quadro que todos conhecíamos amplamente.

Mas vou destacar duas coisas antecipadamente. Esse capítulo sobre o trabalho dos teólogos no Vaticano II é especialmente pertinente hoje, porque o Papa Francisco fez dos Sínodos dos Bispos uma parte mais regular e mais significativa do seu exercício do ministério petrino. E, no entanto, ninguém compreendeu, até onde eu sei, como envolver os peritos teológicos no trabalho do Sínodo. Eu conheço um participante que levou um conselheiro teológico consigo, mas essa foi a exceção para comprovar a regra.

Também não está claro como o dicastério que prepara os sínodos escolhe os teólogos que vão colaborar. Em uma época em que a comunidade teológica está frequentemente dividida (e, assim como a nossa política ocidental, as forças centrífugas parecem ser mais poderosas do que as centrípetas), a escolha de peritos teológicos seria um desafio, mas parece ser uma das flagrantes deficiências dos sínodos renovados até agora.

O segundo ponto a ser feito antes de passarmos para os capítulos subsequentes é este: Wicks escreve sobre o trabalho dos teólogos quando o Concílio começou: “Não havia tempo para os teólogos oferecerem intuições pessoais brilhantes, mas sim textos com potencial para encontrar uma ampla aceitação entre os membros do Concílio por causa do que eles poderiam contribuir para renovar a doutrina, a catequese e a pregação católicas”. A minha nota de margem diz: “Quando é que NÃO há tempo para isso?”.

E, com isso, continuo o restante desta resenha nos próximos dias.

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