Argentina. “Trabalho sem pão é exploração, pão sem trabalho é humilhação”. A mensagem da Igreja Católica na celebração de São Caetano

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09 Agosto 2019

De Rosário, o bispo Eduardo Martín disse em um vídeo dirigido aos fiéis que “trabalho sem pão é exploração, mas pão sem trabalho é humilhação”. E recordou que “em nossa Pátria, se desenvolveu de modo único o culto e a devoção a São Caetano, vinculado justamente com dois temas fundamentais para a vida do homem: o pão e o trabalho”.

A reportagem é de Washington Uranga, publicada por Página/12, 08-08-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A celebração de São Caetano, em especial no 7 de agosto de cada ano, mas também os dias 7 de cada mês, constitui na Argentina um fato sócio-religioso, político-cultural. Um acontecimento que, embora se reúna em torno de uma devoção contida dentro da religiosidade popular católica, transborda os limites do catolicismo e convoca a muitas outras pessoas, crentes ou não, em torno de um lema sempre presente na vida cotidiana, em particular dos mais pobres: paz, pão e trabalho. Por aqueles que os tem, agradecer, e por aqueles que estão necessitando, rogar pela intercessão do santo. A cena se complexifica pela diversidade dos atores que vão desde os devotos de forma individual até as comunidades organizadas, as paróquias, os grupos, mas também organizações sociais, movimentos populares e políticos. Todos confluem em São Caetano, no bairro Liniers em Buenos Aires e em muitos outros templos do país que também invocam ao santo.

“São Caetano, homem de Deus, sacerdote, homem que nasceu em um berço nobre e mesmo assim encontrou o Senhor, se converteu a Ele e foi sacerdote exemplar. Exemplar por suas virtudes e um grande apóstolo e um homem que se preocupou pelo cuidado aos mais necessitados e aos mais pobres”, recordou em Rosário o bispo Eduardo Martin, sobre a comemoração.

Enquanto isso, no santuário localizado no bairro de Liniers, logo depois da meia-noite, o bispo auxiliar de Buenos Aires, Juan Carlos Ares, abriu as portas do templo acompanhado pelo bater dos sinos. Nesse mesmo momento benzeu os peregrinos, alguns dos quais faziam fila para entrar na igreja, acampando há dias pelas proximidades. Durante todo o dia, os padres repetiram o mesmo gesto de benção enquanto a fila avançava até alcançar a imagem de São Caetano e depositar sua doação de alimentos e roupas.

A poucas quadras, o fato religioso se transformou em político social, e largas colunas de movimentos sociais, com a mesma consigna de “paz, pão e trabalho”, partiram com destino ao centro da cidade, reivindicando melhores condições de vida.

Há os que vão infalivelmente, todos os anos, a São Caetano. Porém quando a crise, em particular a falta de trabalho, se acentua, a multidão aumenta. Dizem os padres que atendem o santuário: “a assistência se torna em um termômetro muito eloquente da situação social”, reafirmam cada vez que são consultados.

De Rosário, o bispo Martín disse em um vídeo dirigido aos fiéis que “trabalho sem pão é exploração, mas pão sem trabalho é humilhação”. E recordou que “em nossa Pátria, se desenvolveu de modo único o culto e a devoção a São Caetano, vinculado justamente com dois temas fundamentais para a vida do homem: o pão e o trabalho”.

Em Buenos Aires, o cardeal Mario Poli preferiu ressaltar que “faz bem aos olhos ver que tantas famílias trazerem seus filhos, já pequenos, muitos nos braços de seus pais, para que vivam essa manifestação religiosa, ainda que queiram explicá-la por razões sociais ou econômicas”. E adicionou que “a imagem do santinho, onde se refletem seus desejos e esperança, é testemunho silencioso de muitas histórias de conversão, de perdão e de dons recebidos, que milhões poderiam contar”. E “vocês sabem do que lhes falou”, disse o bispo dirigindo-se à multidão que seguia desfilando pelo templo.

Em sua homilia, o cardeal portenho assegurou também que “vocês vêm a esse santuário porque é a fé que os move ao desejo de pão, paz, trabalho, unidade para nossas famílias e de todos os argentinos” e porque sabem que “quando se fecharem todas as portas, sempre encontrarão aberta as do santuário do santo do pão e do trabalho”.

Quase 37 anos atrás, em 7 de novembro de 1981, uma multidão encabeçada por Saúl Ubaldini, então titular da CGT, partiu do Santuário de São Caetano, em Liniers, para protestas contra a ditadura militar pelas demissões, fechamento de fábricas e queda do salário. “Paz, pão, trabalho, a ditadura que caia”, foi então a consigna. Depois viriam novas manifestações que também tiveram seu ponto de referência em São Caetano. Desde então, uma experiência que inicialmente foi somente religiosa, se transformou em uma prática também político cultural, que reúne participantes de distintos credos, com interesses díspares, alguns claramente pessoais e outros mais solidários, que também alimentam a Igreja com suas pregações. Porém, alguns e outros, todos e todas, aglutinado por trás da mesma aspiração e desejo de melhor qualidade de vida baseada em direitos sociais.

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