'É nossa hora', afirma a presidente da Conferência Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas

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17 Julho 2019

Publicamos a íntegra da conferência proferida por Ir. Gloria Liliana Franco Echeverri, ODN, Presidente da Conferência Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas - CLAR, na 25ª Assembleia Geral Eletiva da CRB, inspiradas no Horizonte da CLAR para o triênio 2018-2021. 

A AGE 2019 reuniu 400 Superiores e Superioras das Congregações Religiosas e coordenadores das Conferências Regionais dos Religiosos do Brasil, e teve lugar em Brasília, de 10 a 14 de julho. 

Eis a conferência.

Agradeço a Deus por esta possibilidade de estar na terra dos homens e das mulheres que, com o testemunho de sua vida, de seu profetismo, animaram nossa formação. Desejo fazer memoria especial de Dom Pedro Casaldáliga.

Tenho a sensação de que a Vida Religiosa Consagrada se encontra justamente neste momento da noite em que tudo está em absoluto silêncio, como esperando que ressoa a Palavra, capaz de fecundar, de conferir sentido e missão, de assinalar o rumo e dar alegria ao ser.

São João da Cruz escreveu, no século XVI, o poema “A noite escura da alma”, um dos mais significativos e sonoros da história universal.

Em 1889, Vicent Van Gogh encontrava-se recolhido no manicômio de Saint-Rémy, quando pintou a noite estrelada, uma das imagens mais conhecidas e valorizadas na cultura moderna.

São dois exemplos que nos revelam a fecundidade da noite.

A Vida Religiosa Consagrada, imersa na espessura da noite, pode expressar-se em toda sua beleza, sua plenitude e sua autenticidade. Hoje é mais frágil, menor, está mais ferida e limitada, tem menos trincheiras e seguranças e, portanto, está mais apta para pousar o coração no fundamental, para que, com humilde ousadia, possa recriar-se no Deus que faz novas todas as coisas.

O papa Francisco, consagrado por vocação e convicção, sabe bem que nosso momento é fecundo e que, nesta noite prolongada, somente a centralidade em Jesus Cristo devolverá à Vida Religiosa Consagrada sua identidade mística, profética e missionária.

O Papa tem falado à Vida Religiosa Consagrada com o calor do “amigo no Senhor”, com a bondade do Pastor, com a claridade do mestre. Suas palavras nos devolvem a origem e nos assinalam o norte. Ajudam-nos a manter a memória e nos tocam no profundo do coração para curá-lo e para nos enviar em condição de discípulos.

Suas palavras encarnam um itinerário que nos ressoa:

Ser valores do Reino:

Sejam testemunhas de um modo distinto de fazer, de atuar, de viver. Sejam valores do Reino, encarnados, homens e mulheres capazes de despertar o mundo e iluminar o futuro. O testemunho carismático deve ser realista e incluir também o fato de apresentar-se como testemunhas pecadoras. Reconhecer nossa debilidade e admitir que somos pecadores nos faz bem a todos.
(82 A.G. 2013)

Faz alguns dias, escutei Carlos Eduardo Correa, o provincial dos jesuítas na Colômbia, dizer: “a maneira que Jesus tem de nos salvar, de nos levantar de nossa condição de pecadores, é nos convidar a trabalhar por seu Reino”.

No gênesis de nossa vocação está essa experiência profunda e vital que temos de um Deus que se aproxima de nossa realidade e que, conhecendo o que somos, nos chama além da geografia de nossa cotidianidade.

O olhar de Deus pousou amoroso sobre nossa condição humana, frágil, pecadora, e essa experiência pessoal de ter sido reconstruídos pelo amor misericordioso, constitui-se em um imperativo que nos lança pelas partes do Reino, conscientes de que nos envia o sussurro da voz de Deus, e nos compete “despertar o mundo”, animar essa vigilância ousada e serena de quem, em condição de sentinela, sabe-se corresponsável por seu entorno e chamado a contribuir para a transformação da história, avivando sua identidade profética e missionária.

Um modo distinto de ser, de atuar, de viver somente surge da arte da relação, somente se cultiva no encontro, somente se valida na profundidade de uma mensagem que consolida e configura nossa identidade. Daí a importância de rezar, de permitir que ressoe em nós a Palavra, de nos aproximar do mistério e contemplar os acontecimentos com olhar crente e esperançoso, de fazer do discernimento uma atitude vital.

Qualquer relacionamento que tenha seu fundamento no amor e seja enriquecido no encontro, faz a alegria crescer. Palavras do Papa:

Ser testemunhas da alegria. Que entre nós não vejam rostos tristes, pessoas descontentes, porque um seguimento triste é um triste seguimento... A vida consagrada não cresce quando organizamos belas campanhas vocacionais, mas quando os jovens que nos conhecem ... nos vêem felizes homens e mulheres. Nem sua eficácia apostólica depende da eficiência e poder de seus meios. É a nossa vida que deve falar, uma vida em que a alegria e a beleza de viver o Evangelho e seguir a Cristo é revelada ". (Testemunhas da Alegria C.A. 2014)

Ser especialistas em comunhão:

Um matiz específico de nossa consagração é a vivência comunitária. No carisma, que a cada um de nós foi concedido, há uma tendência ao que se constrói com outros, em complementaridade e corresponsabilidade, e isso exige abertura à diversidade, capacidade de juntar ritmos, de combinar línguas, culturas, sensibilidades e visões. Supõe um novo olhar contemplativo que nos possibilite descobrir o bem, a verdade e a beleza que habitam em cada ser humano. Pedro Casaldáliga o expressa simplesmente em um de seus poemas:

“O difícil outro,
O difícil eu,
O duro nós da comunhão”.

E o papa Francisco, seguramente, a partir de sua própria experiência, nos diz: “A vida de fraternidade pode ser muito difícil, porém é muito importante, é um testemunho. A falta de fraternidade impede o caminho. Se uma pessoa não consegue viver a fraternidade, não pode viver na vida religiosa”.

Às vezes, há uma tendência para um individualismo, que muitas vezes é uma fuga da fraternidade, e a vida de fraternidade, se é mal vivida, não ajuda a crescer.

Os conflitos comunitários são inevitáveis: existem e devem existir, e o conflito deve ser assumido, não deve ser ignorado… Há que aceitá-lo, fazê-lo próprio, acariciá-lo, sofrê-lo, superá-lo e seguir em frente. Ante o conflito com um Irmão, com uma Irmã, devemos rezar e pedir a graça da ternura (82 A.G. 2013).

Somente a ternura tem força para corrigir erros, para deixar cair aquilo que desgasta energia e tira alegria, para compreender e pôr-se a partir das entranhas no lugar do outro. Somente o exercício cotidiano da ternura nos fará mais humanos e refletirá com maior nitidez o rosto de Deus entre nós.

Em um mundo de polarizações e individualismos, a comunhão é o maior testemunho que podemos dar a nossos cidadãos. A utopia da fraternidade deve ser para nós horizonte de sentido.

Sois chamados a ser especialistas em comunhão. A comunhão se pratica antes de tudo nas respectivas comunidades do Instituto. A crítica, a fofoca, a inveja, os ciúmes, os antagonismos, não têm direito de viver em nossas casas. O caminho da caridade que se abre ante nós é quase infinito, pois trata-se de buscar a acolhida e a atenção recíproca, de praticar a comunhão de bens espirituais e materiais, a correção fraterna, o respeito para com os mais fracos… É a “mística de viver juntos” que faz de nossa vida uma “santa peregrinação”. Também devemos nos perguntar sobre a relação entre pessoas de diferentes culturas, tendo em conta que nossas comunidades se fazem cada vez mais interculturais (Testemunhas da Alegria C.A. 2014).

Este peregrinar em alegria estamos chamados a fazê-lo também intercongregacionalmente. Fazê-lo em um diálogo carismático que torna possível que, à riqueza da intuição de cada fundador, se adicionem outras sensibilidades que na diversidade de contextos geográficos e históricos também se tornaram dom para a Igreja e dom da Igreja para todos.

O testemunho da amizade entre religiosos de diversas congregações, os esforços partilhados por levar adiante projetos comuns, a busca incansável de respostas aos desafios do momento histórico é já evidencia de que Deus está entre nós para fazer-nos um. O horizonte é caminhar como irmãos e irmãs, em gratuidade, acolhendo nossas diferenças, potenciando o melhor de cada um, construindo um projeto comum, entoando a melodia da fraternidade.

Sair do ninho que nos contém:

O discípulo missionário, tão próprio da nossa identidade e tão recorrente nas reflexões da teologia atual, faz-se nas expressões do papa Francisco, o itinerário que corresponde hoje à vida consagrada: “A vida consagrada é profecia. Deus nos pede sair do ninho que nos contém e ser enviados às fronteiras do mundo, evitando a tentação de domesticá-las. A perspectiva do mundo é diferente se a vemos a partir do centro, e isto nos obriga a repensar continuamente nossa vida religiosa” (82 A.G. 2013).

Somos chamados a transpor fronteiras para contemplar com os olhos de Deus a realidade de cada povo e as situações em que urge uma mão estendida, um coração capaz de compaixão. Fomos convocados a nos lançar “mar adentro”, tendendo ao profundo, a navegar sem medo, a lançar com constância e radicalidade as redes até que a barca de nosso apostolado derrame fecundidade.

O Papa insiste convidando-nos a transcender toda carapaça que nos fecha em nós mesmos: “Não recue sobre si mesmo, não deixe que as pequenas lutas de casa o sufoquem, não caia prisioneiro de seus problemas… Encontrarás a vida dando a vida, a esperança dando esperança, o amor amando” (Testemunhas da Alegria C.A. 2014).

Abrir os olhos para detectar os lugares nos quais a vida continua sendo ameaçada de morte e ser portadores de uma palavra e um testemunho que permitam optar pela justiça, motivar o perdão, defender as vítimas, repartir com generosidade o pão e as possibilidades, expressar o amor com gestos de ternura.

Viver em estado de êxodo e de serviço, de itinerância e peregrinação. Fazer-nos eco da realidade, comprometer-nos, tomar posição e assegurar que todas nossas energias sejam investidas no trabalho pelo Reino, a partir dos valores e critérios do Evangelho. Não cair no engano da autorreferencialidade, do consumo, do individualismo e das teorias, dos modos e das posições que nos dividem, desintegram ou acomodam.

Nosso compromisso profético é urgente, porém também há pressa que abramos nosso coração aos mais pobres, para que sua voz, sua realidade ressoe e nos desafie, nos confronte, nos incomode, nos converta.

Devemos pronunciar palavras que devolvam aos mais fracos sua porção de esperança, de alegria e de dignidade. E oxalá permitamos que sua vida, a dos mais pobres, seja a palavra que Deus usa para nos convidar a viver com mais coerência e radicalidade nossa vocação de consagrados e consagradas.

Cuidar da formação integral:

O discipulado é dom e aprendizagem, graça e conquista. E o Papa sabe bem que nosso mundo se transforma vertiginosamente e que requer que sejamos especialistas em humanização, líderes credíveis na vivência da comunhão, competentes na arte de anunciar Jesus e sua Boa Nova: “A formação se baseia em quatro palavras fundamentais: formação espiritual, intelectual, comunitária e apostólica. O objetivo é formar religiosos que tenham um coração terno e não ácido como o vinagre” (82 A.G. 2013).

As palavras do Papa apontam que façamos do coração o sujeito da formação, e que todo esforço formativo seja integral e nos conduza ao “mais” da entrega e da missão. “Formar para ser testemunhas da ressurreição, dos valores do Evangelho, para que formem e guiem o povo. Não estamos buscando gestores, administradores, mas pais, irmãos, companheiros de caminho” (82 A.G. 2013).

A meta é a formação de TESTEMUNHAS, de homens e mulheres capazes de dar conta de seu amor, aptos para dar a vida no ordinário e para oferecê-la livremente no extraordinário.

Enriquecer a Igreja com nossos carismas:

O padre Elías Royón, S.J., em seu artigo 'A graça do ano da Vida Consagrada', assinala:

…a vida consagrada tem seu presente e seu futuro ancorado também na vida dos que nos precederam, que viveram com sonho e paixão o chamado do Senhor a servi-lo em uma situação e em um tempo concreto. De maneira especial, na memória daqueles homens e mulheres carismáticos a quem o Espírito agraciou com o dom de uma nova família religiosa, para responder a umas necessidades da Igreja e da sociedade de sua época.

A Teologia da Vida Consagrada tem perante si o desafio de escrutinar na fonte, na origem dos carismas fundacionais, para desentranhar o potencial de originalidade e validade que os habita e que os faz pertinentes e necessários em cada momento da história.

O carisma, que nos foi dado gratuitamente e em abundância, compromete-nos a mudar em coerência e autenticidade, a viver na verdade que liberta, a pronunciar palavras que estimulam e animam, a estar junto de quem busca justiça e paz, a comungar com os que creem e a partilhar com aqueles que lhes custa crer. O carisma que nos dá identidade alcança sua plenitude quando se encontra com outros carismas e juntos evidenciam o mais típico e original do Reino: a mesa comum, onde há lugar para todos, a mesa que nos faz Igreja, povo de Deus.

Assim contribui o Papa:

Ninguém constrói o futuro isolando-se, nem somente com suas próprias forças, mas reconhecendo-se na verdade de uma comunhão que sempre se abre ao encontro, ao diálogo, à escuta, à ajuda mútua e nos preserva da doença da autorreferencialidade.

A vida consagrada está chamada a buscar uma sincera sinergia entre todas as vocações na Igreja, começando com os presbíteros e os leigos, assim como a fomentar a espiritualidade da comunhão, primeiro em seu interior e, depois, na própria comunidade eclesial e além de seus confins (Testemunhas da Alegria C.A.)

Confiar em quem nos conduz:

Constante é a noite e, nela, a certeza da esperança. Com beleza literária se expressa no livro As Mil e Uma Noites: “…somente permanece a esperança, a esperarei até que saia o sol”. Temos que ser como Moisés, que se manteve em pé,como se visse o invisível (Heb 11,27). Era também a experiência de Paulo: a noite vai passando, o dia logo vem…(Rm 13,12).

Deus não para de criar e recriar, também o faz na noite, e nessa convicção tem que ser forte a nossa esperança.

O carisma é criativo, busca sempre caminhos novos… A profecia consiste em reforçar o institucional, quer dizer, o carisma, na vida consagrada, e não confundir isto com a obra apostólica. O primeira fica, a segunda passa. O carisma fica porque é forte (82 A.G. 2013).

Não devemos ter medo de abandonar os “odres velhos”. Quer dizer, de renovar os costumes e as estruturas que, na vida da Igreja e, portanto, também na vida consagrada, reconhecemos que já não respondem ao que Deus nos pede hoje para estender seu Reino no mundo: as estruturas que nos dão falsa proteção e que condicionam o dinamismo da caridade; os costumes que nos separam do rebanho ao qual somos enviados e nos impedem de escutar o grito de quem espera a Boa Notícia de Jesus Cristo (A.P. CIVCSVA, 2014)

A esperança deve renascer e, com isso, novas respostas serão feitas, aquelas que nos permitem repensar-nos ao ritmo do Espírito e da graça.

É outra lógica, a do Espírito, a que nos leva sempre além do que somos capazes de calcular ou supor. A que nos situa no lugar do pequeno e nos faz valorizar o gratuito, celebrar a amizade e cuidar do comunitário. A que nos lança por caminhos desconhecidos e requer que nos atrevamos à confiança do Reino, da mão de Deus. É a lógica de quem confia.

E nesta lógica surge, fruto da construção coletiva, o Horizonte Inspirador da CLAR. Dividido em três partes:

I. CONTEXTO

O chamado a ver, escutar e deixar-nos “afetar” pela realidade. A escutar Jesus nesta hora, e com Ele e como Ele, caminhar para um novo modo de ser Igreja, que se deixa transformar para servir como discípula, profeta e missionária.
Coloquemos o olhar na realidade social, reconhecendo o complexo deste momento da América Latina, devido a fenômenos como a corrupção, o fluxo migratório, a pobreza, o tráfico humano…

Na realidade eclesial: neste momento em que nos dói e nos indigna, nosso pecado, os reiterativos escândalos por abusos sexuais, de poder e consciência. Este momento em que constatamos divisões no interior da Igreja e, nos lábios do Papa Francisco, um chamado constante à conversão, a superar clericalismos.

Na realidade da Vida Religiosa, chamada com urgência a recriar-se com a força do Espírito, a não perder a esperança, a não se curvar aos números, aos indicadores.

Como Vida Consagrada Latino-americana e Caribenha, renovamos a opção pelas/os excluídas/os do nosso tempo, manifestando que queremos caminhar come elas/es.

II. MARCO BÍBLICO

Julgar, discernir, 'sentir-pensar'. E inspirados nas seis talhas das Bodas de Caná, seis talhas de interpretação

1. Viver com sentido a própria vocação:

Recuperar a centralidade evangélica, viver com radicalidade e renovado entusiasmo nossa consagração para ser testemunhas autênticas no seguimento de Jesus.

Voltar ao essencial do seguimento de Jesus, a partir da vivência de uma espiritualidade integrada para que, com base nessa experiência, dinamizemos a reconfiguração de nossas instituições.

Humanizar os processos comunitários e a formação de maneira intergeracional, procurando que as Novas Gerações desenvolvam sua vitalidade e ofereçam seu dom, para ser profecia de alegria e esperança.

Assumir a formação como dinâmica permanente, que nos dispõe para viver integralmente em condição de testemunhas, com consciência da vocação mística, profética e missionária da Vida Religiosa Consagrada.

Continuar buscando uma nova forma de ser e realizar a missão em comunhão com os leigos e leigas, tornando-nos com eles família carismática.

Acompanhar a vida das famílias em seu compromisso e missão educadora para que cultivem em seu interior, valores, sonhos, experiências sociais e espirituais que potencializem as relações em todas as direções.

2. Aprofundar a espiritualidade trinitária:

Continuar, a partir do Evangelho, em dinâmica de itinerância e saída que contribua para a nossa humanização e daqueles/as a quem servimos em todos os povos e culturas.

Reconhecer as diversas identidades com uma disposição ativa a estreitar relações interpessoais dialógicas e compassivas.

Assumir um estilo de vida pobre que confronte a cultura do consumo, do descarte e da exclusão.

Reconciliar permanentemente todas as nossas relações, para fazer evidente no mundo a manifestação própria de Deus.

3. Para um novo modo de ser Igreja:

Aprofundar o caminho da conversão pessoal e comunitária, especialmente no relacional, pastoral e ecológico.

Recriar nosso modo de ser Igreja a partir da Sinodalidade, na dinâmica de discernimento, contribuindo ativamente nas decisões e na animação das estruturas eclesiais.

Assumir as preocupações e buscas da Igreja e nos dispor para implementar as propostas que nos animem a evangelizar de maneira nova.

Impulsionar uma experiência litúrgica viva, encarnada e inculturada.

Promover e formar novas lideranças, especialmente da mulher e dos leigos e leigas como cidadãos plenos do corpo eclesial.

4. Renovar a opção pelos excluídos a partir de um olhar contemplativo da realidade:

Reforçar o compromisso social, optando cada vez mais por uma evangelização vivida entre os mais pobres, que renove a esperança.

Favorecer a formação política e a participação em instâncias públicas, para que o direito individual e coletivo seja respeitado.

Impulsionar a busca da dignidade humana e o bem comum ao lado das pessoas marginalizadas.

Continuar desvendando e assumindo a dimensão místico-profética da Vida Religiosa Consagrada, em resposta ao clamor de Deus nas diferentes pessoas e contextos.

Favorecer um novo olhar contemplativo, capaz de reconhecer as ameaças que os atuais sistemas políticos e econômicos representam para o Planeta e possibilitem alianças, participação e compromisso com os defensores da vida, da paz, da dignidade humana e do bem comum.

5. Favorecer a ética do encontro e do cuidado:

Continuar tecendo redes e relações inter-eclesiais, congregacionais, internacionais, culturais e geracionais, que explicitem a comunhão e apoiem a solidariedade.

Promover uma cultura do encontro e do bom tratamento que, a partir do estilo relacional de Jesus, dê primazia ao humano.

Aprofundar-se na problemática da cultura do abuso dentro e fora da Igreja, para suscitar consciência, conversão e novas práticas relacionais.

Gerar espaços gratuitos pessoais e comunitários que favoreçam a relação na reciprocidade, o olhar positivo da vida, o apoio mútuo, e continuar decididamente a festa a serviço da vida.

6. Optar pela ecologia integral:

Promover o reconhecimento da sacralidade do criação e a interdependência mútua entre todas as criaturas.

Favorecer a harmonia pessoal, social e ecológica em defesa da vida, dos povos e das culturas.

Aprofundar a conversão ecológica que nos reconcilie, fortaleça na comunhão e que nos coloque respeitosamente ante os ecossistemas naturais, estimulando o cuidado da vida da casa comum.

Conscientizar de maneira urgente o compromisso da Vida Religiosa Consagrada de fazer presença na Amazônia, deixando-nos inspirar por sua riqueza cultural e espiritual.

Como membros ativos da REPAM, conhecedoras/es dos riscos que corre esta região do Planeta, as ameaças que pesam sobre ela, os desafios que apresenta, somamos na busca de alternativas e ações para sua preservação e proteção.

Encher as talhas de Palavra, Vida e Profecia… tudo um itinerário de opções proféticas que nos animam a viver mais radicalmente nossa vocação.

III. PROJETAR, ATUAR, FLUIR

Programas, projetos, estruturas que favorecem a vida e servir de maneira nova.

Todos somos chamados a fazer vida este Horizonte Inspirador da CLAR, que não seja letra morta, que se traduza em vida, em compromisso, em opções concretas em cada um dos lugares onde se desenvolve nossa vocação.

E termino com Dom Pedro Casaldaliga em meus lábios, reconhecendo que:

É tarde,
porém é nossa hora.

É tarde,
porém é todo o tempo que temos à mão
para fazer o futuro.

É tarde,
porém é madrugada
se insistirmos um pouco.

Obrigada!!!

Assista a conferência na íntegra.

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