20 anos da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação. “Um documento ecumênico com uma incrível força motriz”, constata Martin Junge, pastor luterano

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02 Julho 2019

Entrevista com o secretário da Federação Luterana Mundial sobre os 20 anos da declaração conjunta sobre a doutrina da justificação

A entrevista é de Luca Baratto, publicada por Riforma, 01-07-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em 26 de junho foi realizada em Roma uma oração ecumênica de ação de graças pelos 20 anos da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação (JDDJ), o documento assinado em 31 de outubro de 1999 em Augusta (Alemanha) por representantes da Federação Luterana Mundial (FLM) e da Igreja Católica Romana e posteriormente adotada pelo Conselho Metodista Mundial (2006), pela Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas (2017) e pela Comunhão Anglicana (2017). Ente os presentes na cerimônia estava o Pastor Martin Junge, atual secretário geral da FLM, a quem apresentamos algumas perguntas.

Eis a entrevista.

Qual é o conteúdo e a importância da Declaração Conjunta sobre Justificação pela Fé?

A Declaração Conjunta recompôs a maior controvérsia teológica que dividiu por séculos católicos e luteranos, no que diz respeito à doutrina da justificação pela graça através da fé. É claro que também houveram outros fatores políticos, econômicos e sociais que levaram à divisão do cristianismo ocidental no século XVI. No entanto, a questão de como a salvação alcance os seres humanos através de Jesus Cristo foi aquela em torno da qual a divisão foi mais claramente delineada. Com a JDDJ, luteranos e católicos encontraram uma base consensual e retiraram as condenações com as quais se acusaram reciprocamente no passado. Podemos afirmar que a JDDJ é um marco na jornada rumo à unidade dos cristãos.

No discurso que você proferiu durante a celebração ecumênica, também falou sobre o método de diálogo usado para redigir a JDDJ, o "consenso diferenciado". O que é isso?

O "consenso diferenciado" é um método de diálogo que permite definir um sólido consenso de base, sem, contudo, silenciar ou ignorar as diferenças que ainda subsistem. A JDDJ expressa o consenso de católicos e luteranos em torno de "verdades de base", cuja afirmação nos permite dizer que as condenações do passado não podem ser aplicadas ao atual ensino das duas confissões sobre a doutrina da justificação. Ao mesmo tempo, a JDDJ evidencia o que ainda divide as duas confissões sobre o mesmo tema, sem que isso comprometa o consenso alcançado. Quanto mais estivermos conscientes da amplitude da base comum sobre a qual repousa a nossa fé cristã, tanto mais é possível enfrentar a diversidade do outro como um desafio à nossa própria identidade e ao nosso modo de ser igreja.

Na sua opinião, vinte anos depois, quais são os resultados mais importantes alcançados por este documento?

Acredito que nenhum dos que assinaram há vinte anos imaginaria a incrível força motriz deste documento. Sem a JDDJ, por exemplo, nunca teria sido possível continuar o diálogo até a redação, em 2013, do documento "Do conflito à comunhão", no qual católicos e luteranos olham para sua história passada para deixar para trás os conflitos e progredir no caminho da unidade. Sem a JDDJnunca teríamos chegado à Comemoração conjunta dos 500 anos da Reforma Protestante, que viu junto em Lund (Suécia), em 2016, o Papa Francisco e os expoentes da FLM. No entanto, não é só isso, mas muito mais.

O que?

O fato de que este documento, nascido em 1999 como texto bilateral, hoje se tornou um documento multilateral que constitui a base teológica para o diálogo e testemunho comum de católicos, luteranos, metodistas, reformados e anglicanos. Essas cinco denominações cristãs se reuniram em março passado na Universidade de Notre Dame (EUA) para redigir uma declaração em que reafirmam "as verdades de base sobre a doutrina da justificação contida na JDDJ, enfatizando como a mensagem da graça de Deus é mais que é urgente e necessária no mundo em que vivemos”. Tenho esperança que os frutos que a JDDJ nos permitirá colher ainda sejam muitos.

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