As mudanças climáticas estão mudando a produtividade da pesca em todo o mundo

Revista ihu on-line

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Juventudes. Protagonismos, transformações e futuro

Edição: 536

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

No Brasil das reformas, retrocessos no mundo do trabalho

Edição: 535

Leia mais

Juventudes. Protagonismos, transformações e futuro

Edição: 536

Leia mais

No Brasil das reformas, retrocessos no mundo do trabalho

Edição: 535

Leia mais

Mais Lidos

  • Vozes que nos desafiam. Celebração da Festa de Santa Maria Madalena

    LER MAIS
  • O que faria a esquerda despertar? Vladimir Safatle comenta a política brasileira

    LER MAIS
  • Agnes Heller, uma filósofa radical em busca da aventura da existência

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

09 Março 2019

Os peixes fornecem uma fonte vital de proteína para mais da metade da população mundial, com mais de 56 milhões de pessoas empregadas ou sobrevivendo da pesca. Mas a mudança climática está começando a perturbar os sistemas complexos e interconectados que sustentam essa importante fonte de alimentos.

A reportagem é de Harrison Tasoff, publicada por UC Santa Barbara e reproduzida por EcoDebate, 07-03-2019. A tradução e a edição são de Henrique Cortez

Uma equipe de cientistas liderada por Christopher Free, um estudante de pós-doutorado na Escola Bren de Ciência e Gestão Ambiental da UC Santa Barbara, publicou uma investigação sobre como o aquecimento das águas pode afetar a produtividade da pesca. Os resultados aparecem na revista Science.

O estudo analisou dados históricos de abundância de 124 espécies em 38 regiões, o que representa cerca de um terço das capturas mundiais reportadas. Os pesquisadores compararam esses dados a registros da temperatura do oceano e descobriram que 8% das populações foram afetadas negativamente pelo aquecimento, enquanto 4% tiveram impactos positivos. No geral, porém, as perdas superam os ganhos.

“Ficamos surpresos com o quão fortemente as populações de peixe em todo o mundo já foram afetadas pelo aquecimento”, disse Free, “e que, entre as populações que estudamos, os ‘perdedores’ do clima superam os vencedores do clima”.

Espécies da mesma região tendem a responder de maneira semelhante. Peixes nas mesmas famílias também mostraram semelhanças em como eles responderam às mudanças. Os pesquisadores argumentaram que as espécies relacionadas teriam traços e ciclos de vida semelhantes, dando-lhes forças e vulnerabilidades semelhantes.

Ao examinar como a disponibilidade de peixes para alimentação mudou de 1930 a 2010, os pesquisadores observaram as maiores perdas de produtividade nas ecorregiões Mar do Japão, Mar do Norte, Costeira Ibérica, Corrente de Kuroshio e de Prateleira Celta-Biscaia. Por outro lado, os maiores ganhos ocorreram na região de Labrador-Newfoundland, no Mar Báltico, no Oceano Índico e no Nordeste dos Estados Unidos.

Embora as mudanças na produtividade pesqueira tenham sido pequenas até o momento, existem grandes discrepâncias regionais. Por exemplo, o Leste Asiático tem visto alguns dos maiores declínios causados pelo aquecimento, com reduções de 15 a 35% na produtividade pesqueira. “Isso significa de 15 a 35% a menos de peixe disponível para alimentação e emprego em uma região com algumas das populações humanas que mais crescem no mundo”, disse Free. Mitigar os impactos das disparidades regionais será um grande desafio no futuro.

Estes resultados destacam a importância de contabilizar os efeitos das alterações climáticas na gestão das pescas. Isso significa criar novas ferramentas para avaliar o tamanho das populações de peixes, novas estratégias para estabelecer limites de captura que considerem a mudança de produtividade e novos acordos para compartilhar as capturas entre regiões vitoriosas e perdedoras, explicou Free.

“Saber exatamente como as pescarias vão mudar com o aquecimento futuro é um desafio, mas sabemos que não adaptar-se à mudança na produtividade da pesca resultará em menos comida e menos lucros em relação aos dias de hoje”, explicou Free.

Prevenir a sobrepesca será uma parte crítica do tratamento da ameaça que a mudança climática representa para as pescarias do mundo. “A pesca excessiva apresenta um golpe duplo”, disse Free. Isso torna as populações de peixes mais vulneráveis ao aquecimento, enquanto o aquecimento dificulta a recuperação das populações sobre-exploradas.

Free também enfatizou que o aquecimento dos oceanos é apenas um dos muitos processos que afetam a vida marinha e as indústrias que dependem dela. A acidificação oceânica, a redução dos níveis de oxigênio e a perda de habitat também afetarão a vida marinha. Mais pesquisas são necessárias para entender completamente como as mudanças climáticas afetarão as populações de peixes e os meios de subsistência das pessoas que dependem delas.

Referência:

Impacts of historical warming on marine fisheries production
Christopher M. Free, James T. Thorson, Malin L. Pinsky, Kiva L. Oken, John Wiedenmann, Olaf P. Jensen
Science 01 Mar 2019:
Vol. 363, Issue 6430, pp. 979-983
DOI: 10.1126/science.aau1758

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

As mudanças climáticas estão mudando a produtividade da pesca em todo o mundo - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV