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07 Março 2019

Esqueçam as velhas ocupações realizadas por punhados de estudantes politizados. Hoje em dia, na escola, a greve acontece sem bandeiras políticas e por outro motivo: a incontrolável mudança climática. São muito jovens, de 14 a 20 anos de idade, sem pátrias nacionais, apoiados por cientistas e muitas vezes por seus próprios pais.

A reportagem é de Elisabetta Ambrosi, publicada por Il Fatto Quotidiano, 04-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Suíços, alemães, belgas, britânicos, australianos, estadunidenses, holandeses, austríacos, canadenses que, em decorrência da decisão tomada em agosto pela ativista sueca de dezesseis aos, Greta Thunberg, para fazer greve toda sexta-feira sob as sedes de órgãos institucionais - com o slogan "Por que estudar se não temos um futuro?"- criou o Student Climat Network. Lançado no final do ano passado, utilizando a plataforma digital para videogamer Discord, os chamados FridaysforFuture, as greves da sexta-feira, culminarão em uma greve global de 15 de março próximo.

O que pedem? Em comunicado conjunto de todos os comitês dos vários países, os estudantes apontam o dedo contra um paradoxo: "Nós somos o futuro da humanidade, mesmo assim não temos voz nem poder".

Eles declaram que "não vão aceitar uma vida vivida no medo e na devastação" e exigem o respeito ao Acordo de Paris, o voto aos 16 anos, uma nova forma de justiça, a climática, e uma revolução cultural. "Passou o momento da discussão e da especulação", relata Carlotta Andersen, 14, de Hamburgo. "Somos movidos pela raiva contra os políticos, mesmo que estejamos entusiasmados com o nosso crescimento exponencial". Jakob Basel, 18, fundou o movimento na Alemanha. "Começamos a primeira greve em Kiel, avisando a polícia que seríamos cerca de vinte pessoas: vieram 500. Hoje somos dezenas de milhares".

"Depois da Alemanha, a Suíça é o segundo país em número de grevistas, 65.000, e isso nos dá uma grande esperança", diz Jonas Kampus, que mora perto Zurique. O que é diferente, nessas novas manifestações de rua, é exatamente o "clima". Há uma atmosfera alegre, até mesmo animada. Os banners – cada um chega com um slogan sobre o clima e a hashtag #Climatestrike - estão cheios de frases irônicas ("Se a mãe natureza tivesse sido homem, talvez teriam acreditado na mudança climática", "Os dinossauros também acreditavam que teriam tempo"). "Sair às ruas é uma terapia, uma maneira de combater a frustração e a sensação de impotência diante desse fenômeno. Até recentemente, você não poderia nem mesmo ir a uma festa e dizer que estava preocupado, que logo era rotulado de Cassandra": quem fala isso é Sarah Marder, quatro filhos, uma das fundadoras do site Fridays4Future Itália e organizadora de greves diante Palácio Marino em Milão, onde começou sozinha. "É correto dar prioridade aos jovens, mas nessa luta todos são importantes". E, de fato, explica Marianna Tonelli, 18, que organiza as sextas-feiras em Udine "na rua tem gente de dezesseis anos e de oitenta anos".

Também Paola Mercogliano, climatologista do Centro Euro-Mediterrânica sobre Mudanças Climáticas (CMCC), declara-se entusiasmada com as greves: "Eu tenho dois filhos, um dia terei que explicar-lhes porque ninguém fez nada. Infelizmente eles serão obrigados a viver de maneira radicalmente diferente de nós". Na Itália, o movimento tem números relativamente pequenos, mas começa a se difundir em dezenas de cidades, com centenas de pessoas para cada flash mob. "A primeira vez sai à rua sozinha, eu e meu banner", relata Marianna Panzarino de Bari. "Eu tinha visto Greta Thunberg no Fórum Econômico Mundial e disse a mim mesma: ela tem 16 anos e eu já tenho 24, o que estou esperando? Então, abrimos a página do Facebook em Bari e estamos tentando envolver as escolas para criar um centro permanente no município". "A quem me pergunta por que estou fazendo isso, respondo: por que você não faz o mesmo, já que daqui a 100 anos o Vale do rio Po estará debaixo d’água", conta David Wcker, 14 anos, que vive em Val de Susa e faz greve na Piazza Castello em Turim.

Por fim, Luca Sardo, 19 anos, conta: "Temos o cuidado de não transmitir apenas mensagens apocalípticas. Infelizmente, no entanto, só temos 800 sextas-feiras antes que seja tarde demais. Somos a primeira geração que sente a mudança climática e a última que pode fazer alguma coisa".

Jovens na greve da última sexta-feira, em Hamburgo:

Como efeito de suas pressões, uma cabeça já caiu, a da ministra belga Joke Schauvliege, que os havia acusado de serem manipulados por poderes obscuros. Mas logo, em virtude dos números cada vez mais vertiginosos, todos os governos terão que se confrontar com eles. E com uma opinião pública que as Fridays4Future estão sacudindo, porque finalmente um menininho, ou melhor, uma menininha, gritou que o rei está nu.

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