Cardeal oferece novas definições sobre ''casa'' e ''família'' a católicos LGBT

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27 Janeiro 2019

Quando o cardeal Vincent Nichols, de Westminster (Londres, Reino Unido), presidiu a missa para o grupo pastoral LGBTQ+ de sua diocese, ele fez uma homilia sobre as novas definições de “casa” e “família” que abraçaram configurações que vão além do agrupamento nuclear heterossexual.

O comentário é de Francis DeBernardo, publicado em New Ways Ministry, 25-01-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nichols presidiu a Festa do Batismo do Senhor (13 de janeiro) na Farm Street Jesuit Church, na seção Mayfair de Londres, a paróquia onde o grupo LGBTQ+ Catholics Westminster se reúne regularmente para momentos de oração e eventos.

O jornal Independent Catholic News resumiu a mensagem do cardeal: “Em sua homilia, o cardeal Vincent Nichols referiu-se à identidade radical que todos os cristãos têm pelo batismo, transcendendo todas as outras identidades. A comunidade da Igreja, formada pela unidade batismal, está enraizada no amor, e isso é vivido em profundos compromissos de amizade, incluindo o casamento e a vida familiar.”

“Nisso, ele ecoou a sua Carta Pastoral à Diocese de Westminster [30 de dezembro de 2018]: estar ‘em casa’, em seu sentido óbvio, é estar no círculo em que nascemos, reunindo as gerações das quais fazemos parte. No entanto, ‘em casa’ também significa celebrar todo o amor e a amizade que nos sustentam. Inclui abraçar novamente as importantes escolhas de vida que fizemos, os deveres de fidelidade e as suas graças, também (...) um momento de agradecer a Deus pela família, pelas famílias às quais pertencemos, sejam elas laços de carne e sangue, laços de amizade ou laços criados por compromissos livremente assumidos, incluindo as promessas da vida religiosa. A palavra ‘família’, então, é capaz de incluir muitos padrões e dimensões diferentes de vida, e alguns trazem consigo a experiência da tristeza e do fracasso”.

Depois que a liturgia terminou, Nichols continuou sua mensagem de afirmação, como relatou o Independent Catholic News:

“Falando depois da missa, o cardeal elogiou o LGBT+ Catholics Westminster como um importante sinal de acolhida e de inclusão na Diocese de Westminster, não apenas como indivíduos que são bem-vindos, mas também como uma comunidade identificável que está em casa dentro da Igreja”.

As definições expandidas de “casa” e de “família” de Nichols são importantes não só porque eles são LGBTQs se afirmando em seu escopo, mas também porque reconhecem que as definições dessas palavras baseadas exclusivamente em normas heterossexuais não refletem mais a realidade do modo como muitas pessoas vivem.

Pais e mães solteiros, cônjuges divorciados que criam seus filhos, famílias miscigenadas, famílias multigeracionais – tudo isso e muito mais estão rapidamente se tornando a norma nas sociedades em todo o mundo. Em vez de lutar para tentar manter um modelo que não é viável para todas as pessoas, a concepção de Nichols abraça a realidade e reconhece que, nessas novas formas, o amor e o apoio crescem generosamente.

Embora alguns católicos que se opõem à igualdade LGBTQ possam criticar Nichols, é importante lembrar que, enquanto ele abraça um novo entendimento de família, ele ainda apoia fortemente a visão da Igreja de que o matrimônio é reservado apenas a casais heterossexuais que estejam abertos à reprodução.

Em sua apresentação no Encontro Mundial das Famílias em Dublin, em 2018, ele disse que “as pessoas que vivem uma experiência de relação do mesmo sexo” devem ser bem-vindas na Igreja e também reafirmou o ensinamento da Igreja de que o casamento é exclusivamente para casais heterossexuais.

A mente de Nichols é claramente capaz de apoiar uma mentalidade “ambos/e”. Essa abordagem permite que ele acolha calorosamente as pessoas LGBT, afirme suas configurações familiares, embora, ao mesmo tempo, sustente suas crenças sobre o casamento.

Embora isso possa parecer uma concessão desonrosa para alguns, é incrível que Nichols ainda esteja muito à frente da maioria dos prelados em sua abordagem às questões LGBT. Mesmo que ele não vá tão longe quanto eu gostaria que ele fosse, eu vejo isso como um passo ao longo do caminho rumo à plena igualdade.

Ele faz parte de um número pequeno, mas crescente, de lideranças da Igreja que têm feito cada vez mais declarações positivas sobre os casais do mesmo sexo nos últimos anos.

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