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15 Janeiro 2019

Tornou-se um insulto, sinônimo de idiota ou ignorante. No entanto, afirmar que a terra não é uma esfera que gira ao redor de si mesma, mas é plana e estável, é considerado por alguns como uma posição legítima e defensável.

A reportagem é de Lorenzo Prezzi, publicada por Settimana News, 13-01-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Recentemente, Beppe Grillo, após sua conversão ao uso de vacinas assinando um pacto transversal para defender a ciência de charlatães e embusteiros, recorreu ao termo. À polêmica de alguns dos seus, ele respondeu acusando-os de terem uma mentalidade igual à dos “terraplanistas”.

Por causa da assonância da afirmação da Terra plana com algumas polêmicas do cristianismo contra Galileu e Copérnico dos últimos séculos, vale a pena indicar fronteiras e limites de uma retomada totalmente alheia às Igrejas históricas.

Sirvo-me de um artigo, “Os novos crentes da Terra plana nos Estados Unidos”, de Jean-François Mayer, no site Religioscope (6 de dezembro de 2018), para apontar algumas curiosidades a respeito.

Após as discussões dos séculos XVI-XVII, a reafirmação da Terra plana ressurgiu em círculos marginais e excêntricos no âmbito anglo-saxão e norte-americano no século XIX, para se apagar no fim do século XX. Mas, surpreendendo muitos, no início da segunda década do século XXI, ela reapareceu, conquistando uma certa audiência graças às mídias sociais.

Na Flat Earth International Conference de Denver (Estados Unidos, 15 a 16 de novembro de 2018), participaram 650 pessoas de todo os Estados Unidos e do mundo inteiro. Tal reunião está agendada em Barcelona neste mês, em Toronto (Canadá) em agosto, no Reino Unido em setembro, em Dallas (EUA) em novembro de 2019.

A Terra seria plana em torno do centro constituído pelo Polo Norte, enquanto, nas suas fronteiras circulares, haveria um muro de gelo. A bizarra afirmação recebeu nova credibilidade e divulgação graças às mídias sociais.

“Há mais conhecimento no YouTube do que em todas as universidades e bibliotecas juntas”, disse um dos palestrantes. E a difusão se dá através dos contatos diretos pelas ruas e praças, mas sobretudo nas redes sociais. Não é por acaso que os defensores do grupo não são nem cientistas nem religiosos, mas sim homens do entretenimento, esportistas, cantores e afins.

Um movimento sem líderes e sem regras internas que conta com o cruzamento de diversos pertencimentos: veganos, criacionistas, vegetarianos, antivacinas, antivivisseccionistas etc., congregados pela suspeita de uma grande fraude perseguida pelas elites e canalizada pelos percursos escolares e pela pesquisa científica.

Em nome de uma exigência “crítica”, muitos deles partem de sérias dúvidas a respeito das explicações dadas para os atentados do 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas de Nova York, desenvolvendo suspeitas sobre muitos aspectos da comunicação institucional: "Querem nos transformar em robôs”.

As autoridades impedem a verdade e realizam um grandioso empreendimento de mentiras. Não é por acaso que a suposta conquista do espaço nasceu de cientistas alemães ex-nazistas, e que a Nasa (agência espacial estadunidense) está repleta de maçons e de ocultistas.

Também não faltam aqueles que suspeitam dos jesuítas, recuperando um texto falso, escrito em Cracóvia em 1614, intitulado Monita secreta, que envolveria os religiosos na conquista do poder com todos os meios, lícitos e ilícitos.

Boa parte daqueles que se proclamam “terraplanistas”, talvez a maioria, encontram no movimento uma confirmação da própria fé cristã. Provenientes principalmente das “Igrejas livres” de tradição protestante, encontram alguma interlocução também com o tradicionalismo católico por causa da polêmica contra Galileu e Copérnico e com alas do protestantismo pró-judaico “ortodoxo”.

A afirmação da Terra plana, senão decisiva para a verdade da Bíblia, constituiria, no entanto, um apoio significativo à sua credibilidade.

A interpretação literal das Escrituras atravessa o criacionismo, entra em conflito com as teorias cosmológicas e geográficas e retoma algumas afirmações do período patrístico, revelando-se aos seus olhos plenamente confiável

“Tudo o que as Escrituras ensinam sobre o mundo material é verdadeiro em sentido literal.”

“Ao invés de ser um espectador passivo e de endossar aquilo que os governos, a mídia e as instituições educacionais e de pesquisa dizem, o ‘terraplanista’ tem a sensação de retomar o controle da sua vida, em vez de repetir tudo aquilo que querem que ele acredite.”

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