Como a ideologia religiosa influenciou decisão de Bolsonaro de mudar embaixada para Jerusalém

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08 Janeiro 2019

A intenção de Jair Bolsonaro de seguir os passos de Donald Trump e mudar a embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém contraria a posição de quase todos os países do mundo e coloca em risco bilhões de dólares em exportações brasileiras para regiões islâmicas. Como o próprio presidente reconheceu, ela atende a demanda da comunidade evangélica, que vê o fortalecimento de Israel como pré-condição para realização da profecia bíblica do retorno de Cristo ao mundo dos mortais.

A reportagem é de Cláudia Trevisan, publicada por O Estado de S. Paulo, 08-01-2018.

O cumprimento de promessa feita à sua base evangélica também foi o principal motivador da decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel –um gesto que descartou sete décadas de políticas americanas para o Oriente Médio e comprometeu o papel dos EUA como mediador do processo de paz entre Israel e Palestina. Em sua entrevista ao SBT, no dia 3, Bolsonaro deixou claro que seguia a mesma lógica: “Grande parte dos evangélicos são favoráveis à mudança da capital. Então, nós estamos atendendo aos anseios de grande parte da população”.

Os evangélicos representam 22% dos brasileiros e votaram em peso no presidente. Ao ceder a seus seguidores religiosos, Bolsonaro pode afetar outro grupo de sua base, os pecuaristas, que durante anos se dedicaram à abertura de mercados muçulmanos à carne brasileira. Com o esforço, o Brasil se transformou no maior exportador do mundo de carne halal, aquela na qual o abate do animal segue rituais sagrados islâmicos. Esse produto responde por cerca de 20% das exportações de carne do país e a expectativa é que a participação cresça ainda mais.

Aliados dos palestinos, os muçulmanos rejeitam o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e ameaçam boicotar a compra de carne brasileira caso a decisão seja implementada. Mas eles estão longe de estarem isolados nessa posição. A maior parte da comunidade internacional também é contrária à transferência, sob o argumento de que o status de Jerusalém deve ser definido no âmbito de um acordo que leve à criação de um Estado palestino. Quando Israel foi fundado, em 1948, havia a promessa de que a cidade também seria capital da Palestina, nação que nunca chegou a ser criada.

Inicialmente, os israelenses controlavam a parte ocidental de Jerusalém, enquanto a oriental estava sob domínio palestino. Em 1967, depois da guerra dos seis dias, o país anexou o restante da cidade, em um movimento condenado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Até hoje, a entidade considera Jerusalém oriental como território palestino ocupado ilegalmente.

Por isso, não faz sentido o argumento de Bolsonaro de que Israel é que deve decidir onde será sua capital. Em 1980, Israel aprovou lei declarando Jerusalém como capital “completa e unificada” do país. O Conselho de Segurança da ONU respondeu com uma resolução que declarou a legislação nula e conclamou todos os países a retirarem representações diplomáticas da cidade –que tem lugares sagrados para judeus, muçulmanos e cristãos.

Anunciada em dezembro de 2017, a decisão de Trump de mudar a embaixada dos EUA de Tel-Aviv para Jerusalém contrariou a determinação da ONU e foi criticada por virtualmente todos os países. Até mesmo a conservadora primeira-ministra britânica Teresa May, uma das principais aliadas de Trump, discordou da decisão. “Nossa posição sobre o status de Jerusalém é clara e de longa data: ela deve ser determinada em um acordo negociado entre israelenses e palestinos e Jerusalém deve, em última instância, ser a capital compartilhada dos Estados de Israel e da Palestina”.

Dos 158 países que mantêm relações diplomáticas com Israel, só dois mudaram suas embaixadas para Jerusalém: os EUA e a Guatemala. O Brasil pode seguir o mesmo caminho, não por razões que atendem ao interesse nacional, mas pela influência evangélica na administração Bolsonaro.

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