Simone de Beauvoir, a mulher como pilar de si mesma

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • O que muda (para pior) no financiamento do SUS

    LER MAIS
  • Ou isto, ou aquilo

    LER MAIS
  • Desmatamento na Amazônia aumenta 212% em outubro deste ano, aponta Imazon

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

Por: Anielle Silva | 08 Janeiro 2019

Hoje, 09 de janeiro, comemora-se o 111º aniversário de Simone de Beauvoir, falecida em 14 de abril de 1986. Mais de um século após seu nascimento, a filósofa e feminista, que é considerada mãe do feminismo, permanece extremamente atual. Simone escreve em seu livro O Segundo Sexo: "Não acredito que existam qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos: seria admitir a existência de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. Não se trata para a mulher de se afirmar como mulher, mas de tornarem-se seres humanos na sua integridade". A busca da mulher pela sua dignidade reconhecida continua, motivo este para suas pautas serem ainda mais pertinentes hoje.


Simone de Beauvoir (foto: Reprodução Twitter)

Em suas obras, principalmente em O Segundo Sexo, um de seus livros mais célebres, Simone sempre defendeu a busca da mulher por igualdade entre os sexos. Em uma reflexão, escreve: “Isso é o que caracteriza fundamentalmente a mulher: ela é o Outro dentro de uma totalidade cujos dois termos são necessários um ao outro.” Essa frase tornou-se base do discurso feminista, que fomenta até hoje os levantes na busca de direitos civis das mulheres em todo o mundo.

Simone era uma mulher livre. Não lhe cabia seguir o modelo patriarcal e machista imposto pela sociedade. Com seu companheiro, Jean-Paul Sartre, viveu uma relação aberta baseada no companheirismo e na igualdade. Além disso, revolucionou o comportamento da mulher a partir das suas ações disruptivas, que rompiam com o padrão de “bela, recatada e do lar”.  Simone nunca chegou a se casar legalmente, se envolvia sexualmente com outras pessoas, sem preocupação. Até hoje, sua liberdade incomoda aqueles que acreditam na submissão e na inferioridade do sexo feminino.

Busca pela igualdade

Uma das principais teses de Simone era a de que o trabalho diminuiria a distância entre o homem e a mulher. Hoje, apesar dos avanços, essa desigualdade de gênero permanece. Isso porque, mesmo sendo maioria com diploma de ensino superior no mercado de trabalho, as mulheres ainda recebem menos que os homens, cumprindo a mesma função. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaIBGE, mesmo trabalhando mais horas, as mulheres recebem cerca de 24% menos que o salário dos trabalhadores do sexo masculino.  

Feminismo hoje

Ainda no século XXI Simone se faz presente, pois a figura feminina segue sendo agredida, menosprezada e diminuída. Quando a mídia noticia algum caso de estupro e ou violência contra a mulher, é comum ver comentários como os da imagem abaixo.


(Foto: reprodução G1)

É um aspecto cultural muito presente que a mulher seja "ensinada" pelo homem de qual é o seu papel, daí a frase "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher", trecho do livro O Segundo Sexo (1949), que segue embasando o discurso feminista até hoje. O feminismo, segundo a filósofa, tenta romper com esse laço, mostrando que a feminilidade é um espectro amplo, e que esse conceito de "sexo frágil" não se encaixa na mulher moderna e independente que não usa o homem como seu pilar, mas sim a si mesma e suas escolhas.

Exame Nacional do Ensino Médio de 2015, ano que teve como tema da redação a alta taxa de feminicídios e a violência contra a mulher no Brasil, trouxe uma questão de Ciências Humanas com a frase “Não se nasce mulher: torna-se”. O tópico abriu um debate intenso que expôs o quanto o conservadorismo e o combate aos ideais do movimento feminista ainda são fortes. A página da escritora no Wikipédia chegou a ser modificada, acusando Simone de pedofilia e nazismo, na tentativa de desmerecer seu legado. Judith Butler, também filósofa e seguidora dos ideais de Simone na luta contra a desigualdade de gênero, também sofreu com os ataques. Em visita ao Brasil para uma palestra, Judith foi hostilizada. Um abaixo-assinado pedindo o cancelamento do evento chegou a circular. 

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” — Simone de Beauvoir

Principais obras

A Convidada (1943)
O Sangue dos Outros (1945)
O Segundo Sexo (1949)
Os Mandarins (1954)
Memórias de uma moça bem-comportada (1958)
A Mulher Desiludida (1967)

Assista a seguir ao documentário sobre a vida de Simone de Beauvoir:

Veja também o vídeo em frânces sobre Simone de Beauvoir:

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Simone de Beauvoir, a mulher como pilar de si mesma - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV