A batalha de Francisco contra os soberanistas. É por isso que o embate é tão forte

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18 Dezembro 2018

Mesmo nestes dias que antecedem o Natal, o Papa Francisco voltou várias vezes sobre o tema dos direitos humanos que são superiores às leis porque afetam a dignidade das pessoas, todas filhas de Deus. Sua visão do mundo e da história que transparece, está muito distante dos soberanismos manifestados nestes tempos, especialmente na Europa (mas não só), onde parece estar vivendo uma verdadeira primavera. O medo e a incerteza levam a acreditar que o fechamento em si mesmos como indivíduos e como povos é uma garantia de salvação e de sucesso para o bem-estar e a felicidade. Na realidade, se criam novas cercas e divisões que selecionam as pessoas não a partir dos direitos humanos, mas principalmente das fortunas econômicas de cada um. São os pobres que sempre ficam à margem, as pessoas que experimentam momentos de necessidade, de doença, de fraqueza. Aqueles muitos que, em certos períodos da vida cotidiana, não têm condições de seguir em frente sozinhos.

O comentário é de Carlo Di Cicco, jornalista especializado em assuntos do Vaticano, publicado por Tiscali, 17-12-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

De acordo com Francisco é a partir dessas pessoas - que são milhões e representam a maioria da humanidade – que é possível imaginar um mundo diferente onde todo tipo de mal é superado e curado. Suas convicções sobre esse assunto foram resumidas, por exemplo, por ocasião do 70º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Em uma mensagem a uma conferência internacional organizada para a ocasião, em Roma, o papa enfatizou as realizações, as omissões e as negações desses direitos que nunca foram conquistados e reconhecidas de uma vez por todas. A lembrança, de acordo com Francisco, deve apontar para um "renovado compromisso em favor da defesa da dignidade humana, com especial atenção para os membros mais vulneráveis" na "família das Nações". Já esses sinais indicam uma avaliação dos soberanismos que não podem existir em uma família.

Olhando atentamente as nossas sociedades contemporâneas Francisco percebe "numerosas contradições" que nos levam a nos perguntar "se realmente a igual dignidade de todos os seres humanos, solenemente proclamada há 70 anos, é reconhecida, respeitada, protegida e promovida em cada circunstância. Persistem no mundo de hoje muitas formas de injustiça, alimentadas por visões antropológicas redutivas e por um modelo econômico baseado no lucro que não hesita em explorar, descartar e até mesmo matar o homem. Enquanto uma parte da humanidade vive na opulência, outra parte vê sua dignidade negada, desprezada ou espezinhada e os seus direitos fundamentais ignorados ou violados". Em termos concretos "cada um é chamado a contribuir com coragem e determinação, na especificidade de seu próprio papel, ao respeito dos direitos fundamentais de cada pessoa, especialmente daquelas 'invisíveis': dos muitos que têm fome e sede, que estão nus, doentes, estrangeiros ou detidos, que vivem à margem da sociedade ou são descartados".

A dignidade humana é a estrela polar que orienta o magistério de Francisco convencido de que o princípio da igualdade deva orientar as políticas do mundo a serviço das pessoas em vez de sermos convencidos de que não somos todos iguais, para poder aplicar políticas discriminatórias. Trata-se de implementar um discurso educacional para conscientizar inclusive as futuras gerações sobre a bondade de se mover na perspectiva da dignidade humana. Até mesmo o Natal que está chegando é lembrado por Francesco nessa perspectiva. Repetiu isso recebendo os artistas que deram vida a um concerto no Vaticano em apoio às Scholas Occurrentes envolvidas no Iraque e das missões em Uganda.

"O Natal é sempre novo, porque nos convida a renascer na fé, a abrir-nos à esperança, a reacender a caridade. Este ano, em particular, chama-nos a refletir sobre a situação de tantos homens, mulheres e crianças do nosso tempo - migrantes, refugiados e pessoas deslocadas – em marcha para fugir das guerras, das misérias causadas pelas injustiças sociais e pelas mudanças climáticas. Para deixar tudo - casa, parentes, pátria - e enfrentar o desconhecido, é preciso ter sofrido uma situação muito difícil!" Para lidar com essa emergência é necessário fazer uma rede com a educação e promover uma maior coordenação, ações mais organizadas "aptas a abraçar cada pessoa, grupo e comunidade, de acordo com o projeto de fraternidade que une a todos. É por isso que é necessário criar uma rede.

Rede com a educação, em primeiro lugar, para educar os menores entre os migrantes, aqueles que em vez de sentar na sala de aula, como tantos de sua idade, passam o dia fazendo longas marchas a pé, ou em transportes improvisados e perigosos. Eles também precisam de formação para poder trabalhar no futuro e participar como cidadãos conscientes do bem comum. Ao mesmo tempo, trata-se de educar a nós mesmos ao acolhimento e à solidariedade, para evitar que os migrantes e refugiados se defrontam, em seu caminho, com a indiferença, ou pior, a intolerância". Quando se quer descobrir que lado está Francisco, lendo seus ensinamentos e seu exemplo pastoral, fica fácil entender.

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