Um colombiano no ministério de Bolsonaro

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27 Novembro 2018

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, surpreendeu seus compatriotas e também a Colômbia ao escolher como seu ministro da Educação o bogotano Ricardo Vélez Rodríguez, teólogo e filósofo, de 75 anos, que se nacionalizou brasileiro em 1997.

A reportagem é de Paula Casa Mogollón, publicada por El Espectador, 23-11-2018. A tradução é do Cepat.

No Brasil, a notícia da nomeação do colombiano Ricardo Vélez Rodríguez como ministro da educação surpreendeu opositores e seguidores do presidente Jair Bolsonaro. Muitas pessoas davam como certo que o encarregado desta pasta seria Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna e ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mas, nas últimas horas, Bolsonaro retirou de seu baralho uma carta que ninguém esperava. Para alguns analistas, trata-se de um aceno à bancada evangélica, pois o colombiano se formou em teologia.

Ontem, em entrevista com Blu Radio, o bogotano afirmou que conhece Bolsonaro há mais de 10 anos. “Eu o conheci quando trabalhava na Universidade Federal. Ele abraçou a causa das famílias dos militares aposentados. Sempre os defendeu. Minha primeira esposa era filha de um general e eu a acompanhava nas discussões do deputado Bolsonaro. Ele contou que tinham tentado corrompê-lo há algum tempo e participou da política, mas não se contaminou pela corrupção. Pareceu-me uma pessoa muito honesta e dinâmica”.

Esclarece que a imprensa rotulou o atual presidente brasileiro como de ultradireita, mas, segundo Vélez, Bolsonaro é conservador. “No Brasil, houve uma polarização muito feia e a intelectualidade acabou no barco do socialismo. Nunca compartilhei essas ideias, fui um liberal moderado, como o doutor Carlos Lleras Restrepo”.

Suas pesquisas e experiência na cultura e na educação brasileira o conduziu a ser considerado por Bolsonaro para encabeçar esta pasta.

Vélez nasceu em Bogotá, em 1943, no seio de uma família antioquenha. Seu pai era oriundo de Viejo Caldas. Embora tenha vivido sua infância e adolescência na capital do país, por suas raízes, Ricardo diz que se sente mais paisa que rolo. Realizou seus estudos básicos no Liceu de La Salle (Bogotá) e no Instituto Tihamer Toth cursou bacharelado em Humanidades.

Radicou-se, junto com sua família, em 1967, em Medellín, após obter o título de Licenciado em Filosofia na Pontifícia Universidade Javeriana e de finalizar o curso de Teologia no Seminário Conciliar de Bogotá. Iniciou sua carreira como docente de Literatura, Teoria Literária e Filosofia na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Pontifícia Bolivariana de Medellín.

Foi para o Brasil para realizar um mestrado na área de pensamento brasileiro, na Universidade Católica do Rio de Janeiro. E em seu retorno à Colômbia se deparou com o início de uma das guerras mais sanguinárias da história do país: a do narcotráfico. Este conflito o levou a voltar para o Brasil em 1979. Naquele momento, era professor da faculdade de Direito da Universidade de Antioquia, a mesma instituição na qual o assassinato de professores e estudantes era o pão de cada dia. “Eu disse para minha esposa, que era brasileira, que a coisa estava ficando feia em Medellín e lhe propus que fôssemos para o Brasil. Lá, eu fazia um doutorado e retornávamos. Quase não aceita a ideia porque adorava Medellín”.

De volta, fixou sua residência em São Paulo, onde trabalhou como pesquisador na Sociedade de Cultura Convívio. Dois anos depois, em 1981, mudou-se para Londrina, no Paraná, para fazer parte do Departamento de Filosofia, no qual criou o Curso de Pós-Graduação em Pensamento Político Brasileiro.

Como pesquisador, centrou seu trabalho em cinco campos: história do pensamento brasileiro, história do pensamento ibérico e ibero-americano, filosofia das ciências e teoria do conhecimento, filosofia política, e história da cultura. Daí surgiram suas obras mais importantes: seu trabalho sobre o positivismo político no Rio Grande do Sul e o estudo da formação do Estado patrimonial luso-brasileiro.

Antes de ser nomeado como ministro, Ricardo Vélez estava afastado da política. Sua primeira aproximação se deu quando vivia na Colômbia, na época em que Carlos Lleras Restrepo se lançou nas eleições presidenciais de 1966. “Eu o acompanhei para fazer campanha e quando comecei a ver como era o manejo desses “dinheiros quentes” em tempos de eleição, preferi me distanciar. Sempre fui muito próximo da corrente liberal”.

Buscou ficar à margem da política brasileira, não obstante, manteve uma posição muito radical frente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores. E isso se vê refletido em uma de suas obras, A grande mentira: Lula e o patrimonialismo petista, na qual afirma que há treze anos os brasileiros acreditavam em soluções messiânicas, uma imagem que, segundo ele, se ajustou perfeitamente a Lula.

Visitou a Colômbia pela última vez em 2007, na companhia de um grupo de empresários. Conheceram os parques-biblioteca que estão instalados em Bogotá e Medellín, que surgiram como uma iniciativa local diante da violência. Vélez afirma que ficou encantado com esta iniciativa e, portanto, desde então, buscou promover esse tipo de programa no Brasil.

Em seus projetos como ministro, espera racionalizar o uso do dinheiro, já que o Brasil é um dos países que mais investe em educação pública, em um total de 6% do PIB. “No que tange ao ensino fundamental e médio, deve haver uma mudança de perspectiva, dando mais espaço aos municípios, que é onde as pessoas vivem, e não à legislação federal vertical”. Embora irá assumir o cargo no dia primeiro de janeiro de 2019, já enfrenta uma polêmica.

Trata-se de uma espécie de Lei Mordaça, com a qual se busca evitar que os professores promovam ideologias de gênero na sala de aula. Vélez defende este conceito esclarecendo que se trata de dar aos jovens uma formação humanística, mas sem lhes implantar uma determinada ideologia. “Em matéria de educação, é necessário partir do respeito às tradições nacionais. Grande parte da população é conservadora e eu sou contrário à educação de gênero. No Canadá, foi aprovada, por exemplo, mas está sendo revisada pelos parlamentos. Não acredito que as políticas implantadas de cima para baixo são a solução, parece-me uma invasão do espaço privado pelas famílias”.

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