Católicos pelos jovens migrantes; mais de 300 mil fogem sem meta e sofrem violência

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30 Outubro 2018

A Igreja católica vê com muita preocupação a questão das migrações forçadas no mundo e, particularmente, dedica uma atenção especial ao fenômeno dos milhões de jovens migrantes obrigados a deixar seus lares para vagar em busca de um refúgio. Estes jovens viajantes estão, evidentemente, muito expostos aos perigos, muito mais que os adultos, e além de sofrer todo tipo de violência se veem obrigados a interromper seus estudos e a viver como adolescentes que cresceram rápido demais, com vagas lembranças sobre a infância, as brincadeiras e a alegria.

A reportagem é de Luca Attanasio, publicada por Vatican Insider, 29-10-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Em torno de 70 milhões de pessoas do mundo todo se veem obrigadas a fugir das próprias casas ou países devido a guerras, regimes militares, desastres ambientais; mais da metade (52%) são crianças/jovens. O número de menores de idade que vivem uma vida precária e que vagam pelo planeta buscando refúgio está aumentando perigosamente. Muitos deles seguem suas famílias e se expõem aos perigos e incertezas dramáticas da viagem como refugiados. Mas dentro desta “nação” de jovens em fuga, surge um número cada vez maior (aproximadamente 300 mil) de meninos e meninas que atravessam mares e desertos e que perambulam no mundo, à mercê de máfias e traficantes sem piedade, completamente sozinhos.

O Sínodo sobre os jovens que terminou no Vaticano dedicou diferentes reflexões a este inquietante fenômeno. A última, precisamente durante os últimos dias da assembleia sinodal, foi sugerida pelo cardeal Berhane-Yesus Souraphiel, arcebispo metropolitano de Adis Abeba. Depois de ter denunciado a mistificação que os meios de comunicação europeus fazem do fenômeno migratório, fazendo-o passar por uma espécie de assalto ao continente quando, na realidade, apenas o toca (86% das migrações forçadas são, por exemplo, intra-africanas ou até o Oriente Médio e a Ásia menor), destacou o drama dos refugiados menores de idade, que acabam se convertendo em crianças-soldado, que são usadas para tráficos espantosos, que caem nas redes da prostituição ou morrem durante a viagem.

Precisamente enquanto acontecia o Sínodo, entre 16 e 19 de outubro, aconteceu também, na Cúria Geral dos Jesuítas em Roma, um congresso inter-religioso cujo tema principal foi o fenômeno dos menores migrantes forçados. O Fórum Global “Faith Action for Children on the Move” [“Doutrinas/fé pelas crianças migrantes”], cuja principal inspiração é a conhecida ONG World Vision, comprometida há mais de 65 anos com a cooperação internacional em todos os continentes, reuniu mais de 80 organizações de 38 países e diferentes tradições religiosas (incluindo algumas agências da ONU como ANCUR e UNICEF) para elaborar um primeiro “Plano de Ação” com o objetivo de combater a violência contra os migrantes e refugiados menores de idade. Muitíssimas associações e grupos de inspiração religiosa participaram, como o Conselho Mundial de Igrejas, Islamic Relief [Ajuda Islâmica], Conselho de Rabinos de Nova Iorque, Cáritas Internacional, Aliança Anglicana, Exército de Salvação, Act Alliance e Arigatou Internacional. Entre elas é muito importante e se encontra bem representado o universo católico.

Vatican Insider reuniu os depoimentos de três conhecidas realidades católicas que participaram do Fórum e que estão muito comprometidas nos campos da prevenção, da proteção e da acolhida de menores migrantes. “O esforço de juntar as religiões e uni-las com um objetivo muito concreto como a proteção dos jovens migrantes – explicou o monsenhor Francesco Soddu, diretor da Cáritas Italiana – parece uma iniciativa de extrema atualidade. Se lermos os últimos documentos do Papa, começando precisamente pela Carta enviada ao diretor geral da FAO, por ocasião da Jornada Mundial da Alimentação, compreendemos que o Pontífice pede ações concretas, no campo. Estamos vivendo um grande avanço tecnológico, mas um alarmante retrocesso no âmbito humanitário. É por isso que acredito que este encontro, que junta tantas realidades de credos diferentes, é fundamental: a contribuição perfeitamente espiritual e religiosa, além da contribuição social, ajudará para que a humanidade recobre o que lhe pertence, começando pelos últimos entre os últimos. Durante o congresso se denunciou que as meninas que fogem sofrem violência ao menos uma vez. É um dado dramático, trata-se de vidas destroçadas. Nossa reflexão, como pessoas que acreditam em Deus, deve ser: “Vamos nos unir e deter esta matança”. Se o diálogo põe o homem no centro, se encontram convergências não somente entre diferentes ideologias, mas também entre as religiões”.

“Para nós, do Centro Astalli – a sede italiana do Serviço Jesuíta aos Refugiados (presente em 40 países do mundo) –, a prioridade é a educação dos jovens e a construção de contextos de paz em zonas de conflito como Sudão do Sul, Congo ou Síria – explica Donatella Parisi, responsável pela comunicação do Centro. Na Itália nos ocupamos em acolher e proteger adultos e menores. Temos recebido com muito entusiasmo o pedido para fazer parte do comitê organizador do Fórum porque nos envolvemos muito com o tema dos menores na Europa, participamos em diferentes mesas sobre proteção aos jovens migrantes e sabemos que são muitíssimos os que morrem durante a viagem, e outros tantos que desaparecem. Outro campo em que queremos manter viva a atenção são os menores nas fronteiras: é de alguns dias a notícia de que alguns jovens migrantes no campo de Moria, na ilha de Lesbos, realizaram atos de automutilação ou tentaram se suicidar. Saímos deste Fórum com esperança renovada, a dimensão religiosa é fundamental para enfrentar estes fenômenos”. “A ação pastoral sobre o fenômeno migratório – intervém Giovanni Fortugno, ação da Comunidade Giovanni XXIII - é mais necessária do que nunca na atualidade.

Nossas paróquias, as dioceses, as associações, os movimentos, todos devemos fazer um esforço para narrar correta e humanamente as migrações e superar as mistificações. As possíveis ações são muito simples: basta recorrer à doutrina social da Igreja, mas também à fonte direta: as Escrituras. Todo este material nos permite oferecer uma narração correta dos fatos. Em nossa diocese de Reggio Calabria estamos tentando explicar os fenômenos e fazer com que os fiéis entendam por que as pessoas estão migrando e para onde vão. Mas também que estas migrações são a consequência direta de séculos de exploração das terras; antes de ajudá-los em suas casas, vamos parar de explorá-los”.

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