“A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro não apoia nenhum candidato”

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21 Outubro 2018

Parece-nos oportuno e necessário o que a Arquidiocese de Rio de Janeiro, guiada pelo cardeal Orani Tempesta, quis precisar com referência ao nosso artigo onde se expressavam dúvidas e perplexidades sobre um presumido pacto político-eleitoral “assinado” (palavra de Jair Bolsonaro) entre o arcebispo e o candidato à presidência no segundo turno do próximo dia 28 de outubro; presumido pacto firmado para defender a vida e a família

O comentário é de Luis Badilla, jornalista, publicado por Il Sismografo, 20-10-2018. A tradução é de IHU On-Line.

Deixando de lado as justas e sacrossantas considerações sobre o direito-dever da Igreja de escutar a todos, parece-nos que a passagem principal da nota do arcebispado é esta: “Por ocasião da visita, o candidato Jair Messias Bolsonaro entregou, de livre iniciativa, um compromisso de se empenhar pela ética e os valores humanos. Pedimos a retificação do artigo e reafirmamos que a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro não apoia nenhum candidato”.

Quanto a isso é preciso dizer:

a.- nada foi assinado, ao contrário do que aparece nas palavras de Bolsonaro – registradas num vídeo amplamente difundido na rede – enquanto o cardeal Tempesta permanece sempre quieto sem precisar nada, dando a impressão de um presumível acordo. Deste modo, se for verdade, a campanha eleitoral de Bolsonaro apresentou o encontro demonstrando que a visita era um artifício propagandístico;

b.- depois, é Bolsonaro que, com astúcia e habilidade, aproveita o momento midiático para dizer que “assinou” um compromisso (com o cardeal Tempesta) quando na realidade, como diz a Nota do Arcebispado, foi de “sua livre iniciativa”;

c.- enfim, a Nota conclui com uma afirmação claríssima, esperada por muitos de fora e de dentro do Brasil, entre fieis e membros do Episcopado brasileiro e latino-americano, que “a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro não apoia nenhum candidato”.

Assim, a ‘retificação” não deve ser endereçada a nós, que narramos de modo documentado o que aconteceu no encontro Bolsonaro-Tempesta. O pedido de “retificação” deve ser endereçado a Jair Bolsonaro por ter tentado manipular eleitoralmente a Igreja, a arquidiocese do Rio de Janeiro e o cardeal Orani Tempesta.

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