“Quando dizem que Marielle virou semente, é muito real”

Revista ihu on-line

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Mais Lidos

  • Vaticano, roubadas da igreja estátuas indígenas consideradas “pagãs” e jogadas no Tibre

    LER MAIS
  • A peleja religiosa. Artigo de José de Souza Martins

    LER MAIS
  • Começa a hora da decisão para os bispos da Amazônia na semana final do Sínodo. Artigo de Thomas Reese

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

13 Outubro 2018

Em Pernambuco, 'Juntas', a chapa coletiva com cinco mulheres inspiradas em Marielle Franco, é eleita para a Assembleia Legislativa.

A reportagem é de Marina Rossi, publicada por El País, 12-10-2018.

“Quando a gente empurra alguma coisa com as duas mãos, tem uma potência. Mas quando a gente empurra com dez, tem mais força”, assim Carolina Vergolino conta como surgiu a ideia de lançar uma chapa coletiva para as eleições deste ano. A jornalista e realizadora do audiovisual é uma das cinco mulheres que fazem parte do Juntas (PSOL), chapa eleita com mais de 39.000 votos para ocupar uma das 49 cadeiras da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Além de Carolina, faz parte do mandato coletivo a ambulante Jô Cavalcanti, que é também coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto (MTST). Formalmente, é ela quem vai ocupar o cargo de deputada estadual e participar das votações da Alepe. E era a foto dela que aparecia na urna da votação.

Também formam a Juntas Robeyoncé Lima, militante negra e a primeira advogada transexual do Norte e do Nordeste a poder usar o nome social na carteirinha da OAB, e Katia Cunha, professora e sindicalista. A estudante Joelma Carla, que foi candidata a vereadora em Surubim, no agreste do Estado, completa a chapa.

Elas explicam que as decisões serão todas tomadas em conjunto, não só entre as cinco, mas também pelo conselho político que será formado com membros da sociedade civil. “É claro que a gente vai brigar. Mas a gente vai fazer as pazes”, diz Carolina. “Podemos brigar, mas não podemos perder a capacidade de diálogo, porque dialogar não é só concordar”.

A chapa, que elas chamam de “mandata”, defenderá projetos ligados ao direito à educação, comunicação e à cultura, comércio informal, direitos LGBT, moradia e o enfrentamento ao racismo. Elas se dividirão em quatro áreas —comunicação, mobilização, jurídica e pesquisa— para fazer chegar as propostas do coletivo ao parlatório da Casa.

Essa novidade de um mandato de mais de uma pessoa não ficou por conta somente de Pernambuco. Neste ano, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) elegeu a Bancada Ativista, composta por nove ativistas políticos de diversas áreas. Esse modelo de candidatura estreou em 2016, quando um mandato coletivo composto por cinco pessoas foi eleito na Câmara dos Vereadores de Alto Paraíso (GO), e outra chapa, a Muitas, fora eleita em Belo Horizonte. “Mas a nossa chapa é a primeira coletiva feminista”, ressalta Joelma Carla.

"Gota d'água"

Carolina Vergolino conta que o coletivo vinha amadurecendo a ideia de uma chapa conjunta há algum tempo. Mas uma fatalidade foi a grande impulsionadora da ideia. Em 14 de março deste ano, a vereadora Marielle Franco (PSOL) foi assassinada a tiros, dentro de um carro na região central do Rio de Janeiro. O crime até hoje não foi esclarecido. “Quando Marielle Franco foi executada, foi a gota d’água”, diz Carolina. “Naquele momento, a gente entendeu que não há mais tempo para esperar”.

A candidatura coletiva foi, então, colocada na rua. “No início, as pessoas não entendiam exatamente como ia funcionar”, conta Carolina. “Mas do meio para o final da campanha, a candidatura cresceu muito”, emenda Joelma. Utilizando as redes sociais e o corpo a corpo nas ruas como principal estratégia, a chapa decolou. Mas, apesar da ideia de coletivo, elas contam que passaram a conquistar os eleitores quando as biografias individuais de cada uma passou a ser anunciada. “Aí as pessoas passaram a se ver na gente, se identificar com cada uma de nós”, diz Carolina.

Na campanha, elas afirmam que o que mais ouviam era que a chapa representava um “alento” em momentos de descrença com a classe política. “Esse sistema político está falido e nós aparecemos expressando uma vontade de mudança”, diz Carolina.

Esse “desejo de mudança” pode estar expressado na nova composição da Alepe, como um todo. O eleitorado de Pernambuco não só elegeu uma chapa coletiva de mulheres feministas, como fez dobrar a quantidade de deputadas na Casa, de cinco, para dez. Ainda assim, a bancada feminina representa 20% do total de deputados. Enquanto isso, na Câmara dos Deputados em Brasília, somente Marília Arraes (PT) representará as mulheres pela bancada pernambucana.

Para Carolina, Marielle Franco tem papel fundamental nessa virada. “Quando dizem que ela virou semente, é muito real”, diz. “Temos que colocar nosso corpo na luta”. Joelma conclui: “E é uma ida sem volta”.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

“Quando dizem que Marielle virou semente, é muito real” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV