Democracia ou nazifascimo

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29 Setembro 2018

"Não temos alternativa senão unir-nos, para além dos interesses partidários, para salvar a democracia e não permitir que o Brasil seja no mundo inteiro considerado um pais politicamente pária", escreve Leonardo Boff, escritor, teólogo e filósofo.

Eis o artigo. 

Nunca em nossa história fomos colocados diante de uma alternativa tão radical: o ex-capitão candidato à Presidência, Jair Bolsonaro se apresenta com todas as características do nazifascismo que vitmou milhões na Europa na Segunda Guerra Mundial e um outro de quem não se pode negar um espírito democrático, Fernando Haddad. Bolsonaro mesmo declarou que não se importa ser comparado a Hitler. Se ofenderia se o chamassem de gay.

Cometeu todas tantas barbaridades contra as mulheres, os negros, os indígenas, os quilombolas, os LGBT inclusive fazendo apologia aberta de notórios torturadores. Deixou claro em declarações inescrupulosas que pretende impor uma política repressiva contra esses grupos como política de Estado. . Não admira que possui a mais alta rejeição nas pesquisas de intenção de voto.

Entendemos sua ressonância pois não são poucos que querem ordem na sociedade a qualquer custo e que rejeitam qualquer tipo de políticos por causa da corrupção que corroeu este país. Sempre a busca da ordem sem se preocupar com a justiça social e com procedimentos jurídicos corretos foi o húmus que alimentou e alimenta ainda hoje os grupos de direita e de extrema direita. Com Hitler foi assim: “Ordnung muss sein”: "deve imperar a ordem". Mas uma ordem imposta pela repressão e pelo envio aos campos de extermínio de judeus, ciganos e opositores.

Bolsonaro explora esta busca da ordem a qualquer preço mesmo com a militarização do governo como já foi publicado pela imprensa. Caso ganhar, que os céus nos livrem, colocará nos ministérios-chaves generais, geralmente, aposentados mas com uma mentalidade francamente direitista e autoritária. Propõe até eventualmente um auto-golpe, quer dizer, Bolsonaro como Presidente pode convocar as forças armadas, dissolver o Parlamento e instaurar um regime autoritário e altamente repressivo.

Não temos alternativa senão unir-nos, para além dos interesses partidários, para salvar a democracia e não permitir que o Brasil seja no mundo inteiro considerado um pais politicamente pária.

Isso afetaria grande parte da política latino-americana, especialmente naqueles países cujas democracias são frágeis e estão sob o fogo do pensamento direitista que cresce no mundo inteiro.

Não é de admirar que conglomerados financeiros que vivem da especulação, associados a empresários que não têm nenhuma consideração pelo futuro da pátria a não ser pelos próprios negócios, associados aos burocratas do Estado, afeitos à corrupção e às negociatas constituam a base social de sustentação de um tal regime autoritário de cariz fascista e nazista.

Seria uma ruptura inédita em nossa história nunca havida em nossa antes. Os militares e empresários que deram o golpe de 1964 eram pelo menos nacionalistas e exaltavam um crescimento econômico às custas do arrocho salarial e do controle rigoroso das oposições, com prisões, sequestros, torturas e assassinatos, hoje testemunhados até por documentos vindos dos órgãos de segurança e da política externa dos USA.

O povo brasileiro que já sofreu tanto ao longo da história, sob a chibata dos senhores de escravos e depois pela super-exploração do capitalismo nacional, não merece sofrer mais ainda. Temos uma dívida para com ele que nunca chegamos a pagar. E ela nos será cobrada até o juizo final.

Alimentamos a esperança de que o bom senso e a vontade de reafirmar a democracia pela maioria dos votantes nos livrarão deste verdadeiro castigo que, efetivamente, não merecemos.

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