"Livrar a Igreja dos EUA de sua dependência dos ricos. Eis uma reforma autêntica"

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13 Setembro 2018

"Esse seria um primeiro e significativo passo em direção à reforma autêntica: livrar a Igreja dos EUA de sua dependência dos ricos. Uma vez que o dinheiro acaba, o resto do mundanismo pode acabar também", escreve Michael Sean Winters, jornalista, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 12-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o artigo.

Se alguém duvida da capacidade da mensagem das Escrituras Sagradas se prolongue através dos séculos até hoje, a segunda leitura de domingo da Epístola de Tiago, capítulo 2, versículos 1-5, responde a tais questionamentos:

Irmãos e irmãs, não demonstrem parcialidade ao aderirem à fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo.

Se um homem com anéis de ouro e roupas finas entra em sua Igreja, e uma pobre com roupas surradas também, não priorize o rico por isso. Você jamais deve desqualificar ou destratar uma pessoa por suas roupas ou pela aparência, e sim tratar ambos iguais.

Ouçam, meus amados. Deus não escolheu aqueles que são pobres no mundo para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu no céu?

O texto merece ser lido na íntegra, pois cada verso parece um aviso da crise que afligiu a Igreja Católica neste verão.

Sim, chamamos isso de crise do "abuso sexual do clero", embora seja mais referente aos bispos que encobriram do que o próprio abuso em si. Alguns argumentam que a causa principal é a homossexualidade entre o clero. James Alison apontou, que a explicação não é exaustiva e sim facilmente distorcida. Outros, inclusive eu, argumentaram que um certo tipo de clericalismo é o maior problema - e mantenho esse diagnóstico -, mas James nos leva à precisão: o clericalismo que é orientado para o mundanismo é o problema. Mundanismo é o pecado do qual o apóstolo Tiago estava diagnosticando e é o centro da crise.

Não tenho a pretensão de ser alguém que conhece bem o ex-cardeal Theodore McCarrick, mas estivemos em funções juntos mais de uma dúzia de vezes durante seu mandato em Washington. Pe. Peter Daly acertou em cheio quando descreveu que McCarrick estava “desfilando seu charme, popularidade, habilidade, arrecadação de fundos e conhecimento político".

Amigos que dirigem importantes centros de caridade na Igreja sempre cultivaram suas relações com o cardeal por ele ser conhecido como mestre. A Papal Foundation era seu “bebê”, que acabou se tornando uma criança degenerada, concedendo o acesso ao Papa e à sua comitiva em troca de uma promessa por um milhão de dólares.

Surpreende que um homem, nas palavras da epístola de Tiago, que tenha dado atenção "às pessoas mais ricas", se destaque na Igreja dos EUA? Pastores e especialmente bispos gastam um tempo excessivo arrecadando dinheiro para manter essa infraestrutura. Um "bom pastor", destinado ao avanço, é aquele que arrecada dinheiro, e não espíritos.

Eu entendo que manter a escola paroquial aberta é um ótimo feito. Apoiar programas musicais que preservam nossa herança arquitetônica é uma responsabilidade civilizacional. Mas estes são objetivos dignos apenas na medida em que podem ser alcançados sem reduzir nosso clero ao papel de arrecadador perene, embora espiritualizado.

O grupo Legatus, que foi iniciado por doação do conservador Tom Monaghan, decidiu reter seu dízimo anual ao Papa por estar preocupado com o dossiê do arcebispo Carlo Maria Viganò. Para pertencer ao Legatus, um membro deve administrar um negócio com receita de pelo menos US$ 7 milhões e 49 funcionários. Somente o tipo de pessoa que espera receber atenção e ser convidada para se sentar no lugar de honra. Este é o tipo de grupo que precisa que a religião seja reduzida à ética sexual, para que ninguém comece a desafiar o mundanismo em si. O tipo de grupo que só pratica a caridade para evitar a justiça. "Te agradeço Senhor, por eu não ser como os outros homens”. Eles deveriam utilizar melhor o dinheiro que recebem.

A grande miopia cultural dos americanos é apenas parte da razão pela qual a Igreja nos Estados Unidos está sem contato com a Igreja universal neste momento. O principal motivo é essa fixação com dinheiro e até mesmo com a perpetuação da Guerra Fria, igualando o capitalismo à piedade e a mundanidade resultante da Igreja americana.

Existe alguma dúvida de que é este culto de Mamon que explica, em grande parte, o fato de que a oposição ao Papa Francisco é esmagadoramente americana?

Sim, o jansenismo latente da Igreja dos EUA também faz parte da história, mas cada vez mais estou convencido de que nós americanos nos tornamos insensatos ao Evangelho pela simples razão de que é bom para os pobres.

Esse seria um primeiro e significativo passo em direção à reforma autêntica: livrar a Igreja dos EUA de sua dependência dos ricos. Uma vez que o dinheiro acaba, o resto do mundanismo pode acabar também.

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