O destino de Edith Stein em sete dias: do carmelo de Echt às câmaras de gás de Birkenau

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09 Agosto 2018

Echt, Maastricht, Amersfoort, Westerbork, Birkenau. Entre a prisão na noite de 2 de agosto até a morte nas câmaras de gás anônimas em Birkenau, passaram-se apenas sete dias: em uma única semana de 75 anos atrás, cumpria-se o destino das irmãs Rosa e Edith Stein.

A reportagem é de Ferdinando Cancelli, publicada por L’Osservatore Romano, 08-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Vem, vamos pelo nosso povo”, disse Edith, encorajando Rosa, que deixava o carmelo de Echt às lágrimas. As testemunhas falam de uma pequena multidão, de alguns protestos, apesar do carro da Gestapo ter tomado a precaução de esperar as irmãs Stein não na frente da porta do carmelo, mas no cruzamento com a Peijerstraat, uma centena de metros mais longe. Pouco depois, a porta de um carro se fechou sobre a vida de duas mulheres inocentes.

O carmelo de Echt permaneceu o mesmo: uma austera fachada de tijolos vermelhos, um pequeno portão, a entrada da igreja que se assoma à Bovensestraat, muitas lojas modernas que poupam apenas esse pequeno trecho de muro de aspecto antigo. O campo de trânsito de Amersfoort e o de Westerbork estão longe de Maastricht e de Echt, para o nordeste da Holanda, perdidos em uma rede de canais e de vias de água que trazem para a terra o céu deste luminoso verão holandês.

Em 4 de agosto de 1942, Edith e Rosa, junto com muitos outros judeus, chegaram a Westerbork. Ainda hoje, à esquerda da entrada daquilo que resta do campo, nota-se a casa do comandante: uma pequena mansão bem projetada, hoje cercada por uma gigantesca caixa de vidro. As cortinas nas janelas do primeiro andar caem imóveis e lúgubres por trás dos vidros, os mesmos a partir dos quais, muitas vezes, vários comandantes lançaram um olhar indiferente sobre o drama indescritível de tantas vidas destroçadas.

O vidro – perguntamo-nos – protege a casa ou protege quem a olha? De fato, seria possível suportar a visão direta, por trás das cortinas, de tanta normalidade diante de tal abismo de sofrimento?

E depois as árvores: com comoção, olhamos para os carvalhos, as tílias e as bétulas que se elevam um pouco por toda parte. Elas são realmente as últimas testemunhas diretas: naqueles dias de 75 atrás, muitas já estavam presentes quando Rosa e Edith esperavam para embarcar no trem que as levaria a morrer longe.

Caminhamos pelos verdíssimos prados do campo, pensando naqueles momentos terríveis: a escuridão que se entrevê por trás das janelas da casa do comandante é apenas um pálido resíduo das trevas que envolviam o pântano de Drenthe naquela época.

“Vivemos um dia realmente estranho”, escreve Etty Hillesum, que, naquele agosto, se encontrava em Westerbork para ajudar as pessoas em trânsito. “Um transporte nos trouxe católicos judeus ou judeus católicos, freiras e monges que trazem a estrela amarela sobre os seus hábitos monásticos. Lembro-me de dois meninos, gêmeos, cujo belo rosto moreno evocava o gueto, que, com o olhar repleto de uma serenidade infantil sob o seu capuz, contavam amavelmente, no máximo um pouco admirados, que tinham vindo prendê-los às 4h30 da madrugada e que, em Amersfoort, haviam lhes dado repolho vermelho (...). Acima de tudo – continua Hillesum – o crepitar ininterrupto de uma bateria de máquinas de escrever: a metralhadora da burocracia (...). Mais tarde, alguém me contou que, naquela mesma noite, viu um grupo de religiosas avançando lentamente na penumbra entre duas barracas escuras, rezando o seu rosário, imperturbáveis como se se encontrassem no claustro da sua abadia. Eu também encontrei – conclui – duas religiosas pertencentes a uma família judia muito ortodoxa, rica e instruída de Breslau, com a estrela amarela costurada no seu hábito monástico”.

Em 9 de agosto de 1942, Rosa e Edith Stein, após dois dias assustadores de viagem, desapareceram com outros milhares de pessoas no abismo de Birkenau.

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