Nicarágua. A última desesperada reação de Ortega e de seus partidários: colocar a Igreja católica no centro de uma ampla operação repressiva

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17 Julho 2018

Daniel Ortega, ex-líder revolucionário e popular da Nicarágua, que se tornou hoje um pequeno déspota, patético e sanguinário, não tem mais amigos nem aliados. De todos os líderes sandinistas com quem lutou anos atrás contra a ditadura dos últimos da família Somoza - apoiado pela igreja católica liderada pelo então arcebispo Miguel Obando Bravo, "o maior opositor à ditadura de Anastácio entre todos os opositores" - hoje não há mais ninguém para apoiá-lo.

O comentário é publicado por Il Sismografo,16-07-18. A tradução é de Luisa Rabolini.

Todos, com o passar dos anos, o abandonaram e se afastaram do movimento sandinista de Ortega que, nas eleições presidenciais de 2017, encontrou como candidato para a vice-presidência, a fim de formar a chapa de governo, apenas sua esposa, a poetisa Rosario Murillo. Ortega, no cargo desde 2007, já reeleito duas vezes, deveria agora governar até 2022, quando, como aconteceu no passado, encontrará todos os mecanismos e pretextos "constitucionais" para conseguir novo mandato. Isso é o que melhor sabe fazer Ortega. Como governante, tanto no primeiro período 1979-1985, e agora desde 2007, sempre se mostrou muito fraco em resultados e, em essência, a Nicarágua de Daniel Ortega é a mesma daquela do final da ditadura dos Somoza, quase 40 anos atrás.

Essa culpa Ortega compartilha, entre outros, com vários governos de centro-direita que se mostraram igualmente incapazes de fazer progredir este pequeno e pobre país da América Central, com pouco mais de 6 milhões de habitantes em 123 mil quilômetros quadrados. Basta lembrar que, hoje, na Nicarágua os pobres, ou seja, aqueles que não conseguem atender as necessidades diárias de alimentos são 42% da população. "La Prensa", observou há algum tempo que, na verdade, 60% dos nicaraguenses são pobres, porque não conseguem comprar todos os 53 produtos básicos mínimos de uma alimentação suficiente e equilibrada.

Obviamente, a propaganda do governo, um setor em que Ortega investe grandes somas de dinheiro que subtrai do bem-estar do povo, afirma o contrário. O mesmo padrão se repete em muitas outras situações, a tal ponto que qualquer nicaraguense diante da pergunta: "como definiria o governo Daniel”, responde: "uma fábrica de mentiras."

Foi a fome do povo da Nicarágua que colocou em marcha o protesto em massa contra o governo em abril passado. E é ainda a fome para explica porque os protestos continuam há mais de três meses e que, provavelmente, não irão parar tão facilmente.

Ortega, praticamente sem contato com a realidade, cercado e protegido por um restrito círculo de pessoas, todas associadas com as grandes corrupções que caracterizam o governo orteguista desde 2007 em diante, está convencido que a igreja católica nicaraguense seja agora "uma força a serviço do imperialismo" ou também "uma força antipatriota"; "uma força do capitalismo brutal e reacionário" (todas expressões que aparecem na imprensa pró-governista).

Certamente Ortega, por enquanto, não vai romper ou atacar abertamente a igreja católica; em vez disso, tentará manter aberto um canal de diálogo com os bispos. Em privado, no entanto, Ortega já autorizou um plano específico para as suas forças paramilitares: justamente, contra a igreja, os bispos, e todas as organizações envolvidas no trabalho pastoral. Ortega sabe muito bem como fazer isso; já fez isso no passado, com ferocidade e lucidez.

Já fez isso com são João Paulo II durante a sua primeira visita em 1983. Naquela ocasião, no decorrer da Missa do Papa, alguns técnicos da Rádio Vaticana responsáveis pelo áudio papal foram ameaçados com armas nas cabeças para que diminuíssem o áudio do Papa e aumentassem o som ambiental para que fosse possível ouvir melhor alguns coros preparados com antecedência pedindo ao pontífice uma tomada de posição contra os grupos anti-sandinistas.

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