África-Europa: brecha de renda não será preenchida nem mesmo em 50 anos

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25 Junho 2018

Existem aqueles que escolhem as ofensas, e aqueles que se mantêm sobre o fio da hipocrisia. Aqueles que falam pouco para parecerem inflexíveis, e aqueles que não resistem à tentação de se lançar em lições. Talvez apenas o novo primeiro-ministro de Madri, Pedro Sánchez, mantenha o sangue frio, evitando até agora cair nas provocações. Mas nenhuma diferença de estilo é tão marcante a ponto de camuflar a característica que une os líderes europeus hoje: todos estão fracassando.

O comentário é de Federico Fubini, jornalista e colunista de economia, publicado em Corriere della Sera, 24-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Diante dos desembarques do Mediterrâneo, cada um deles é dominado pela ansiedade de evitar o problema, deslocalizando-o para o país vizinho. Até que este último se revolta, em um novo giro de retaliações.

Pelo menos em público, os governos europeus nem sequer se aproximaram de uma reflexão realista sobre o problema como ele é hoje e como será nos próximos anos. Eles não fazem isso porque devem tirar conclusões opostas à sua retórica: eles não têm nenhuma chance de governar esse fenômeno sem cooperar de boa-fé entre si; no longo prazo, eles têm poucas chances de preservar para os seus próprios eleitores a possibilidade de viajar sem obstáculos para o restante da União Europeia, se continuarem se iludindo em descarregando os estrangeiros em algum país qualquer para além de uma fronteira de montanha ou de rio.

Mas uma olhada nas rendas e na demografia sugere o contrário. Os migrantes da África subsaariana apenas iniciaram o seu grande avanço rumo ao Norte. Quem escreveu isso recentemente foi Branko Milanovic, da New York University, um dos grandes estudiosos mundiais das desigualdades: a diferença de renda média por habitante entre africanos subsaarianos e europeus ocidentais era de um dólar para sete em 1970, e hoje é de um para 11 em “dólares internacionais”.

Isso significa que, mesmo levando em conta os alimentos, o vestuário ou a superfície habitável a mais que um dólar pode comprar na Gâmbia ou na Nigéria em comparação com a Itália ou a Alemanha, os europeus, em um ano, ganham em média 11 vezes mais. Portanto, um jovem africano não se deixa desencorajar por uma probabilidade de menos de 2% de se afogar às margens na Líbia.

Pergunta-se Milanovic: “Um holandês que ganha 50 mil euros por ano seria indiferente à possibilidade de ganhar meio milhão na Nova Zelândia?”.

É com base nessas diferenças que o Corriere tenta mostrar a natureza do problema em uma projeção (ver imagem acima). Nas atuais taxas de crescimento da economia da Europa ocidental (2%) e da África subsaariana (3,5%), em 10 anos, os europeus ganharão em média 10 vezes mais; em 30 anos, mais de sete vezes mais (como em 1970); e, em meio século, ganharão 5,5 vezes mais. Somente em 40 anos é que os subsaarianos se aproximam de um patamar de renda média ao qual hoje centenas de milhões de chineses estão chegando.

Em outras palavras, diante da esperança da multiplicação da própria renda por sete ou por cinco, no próximo meio século, milhões de jovens continuarão buscando a Europa.

Até porque a demografia não deixa dúvidas. A população ao Sul do Magrebe e do Mashreq hoje é de 1,05 bilhão de pessoas e alcançou uma taxa de crescimento recorde de 2,64% ao ano. Mesmo imaginando uma desaceleração gradual dos nascimentos, ela triplicará para 2,9 bilhões em meio século. Durante esse período, os habitantes da União Europeia terão permanecido em meio bilhão: as proporções passam de um europeu a cada dois subsaarianos para um a cada seis, e muitos mais se contarmos apenas os jovens.

Além disso, se a África acelerar para um crescimento de 5% ao ano, em 2048, a renda per capita europeia, mesmo assim, seria quase cinco vezes superior. Esse é um impulso secular de população que não desaparecerá com uma proibição de atracar em Pozzallo, com um muro de barcos na frente da Líbia ou com uma rejeição na fronteira bávara.

Só resta governá-lo, já que não se pode apagá-lo do mapa do mundo. Michael Clemens (Princeton e IZA) demonstrou que oferecer mais ajudas à África só serve se visarem rigorosamente a criar empregos para os jovens. Mas, no longo prazo, será inevitável fixar cotas e setores de demanda por mão-de-obra na Europa, concedendo vistos, portanto, selecionando as pessoas nas embaixadas da União Europeia na África.

Giovanni Peri, da Universidade da Califórnia em Devis, demonstrou, com as contas na mão, que uma imigração gerida assim aumenta – e não reduz – a renda dos trabalhadores locais.

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