Justiça. Artigo de Gianfranco Ravasi

Vitral da Igreja de Saint Mathurin (Moncontour, França), retratando a Paixão de São João Batista. Foto: Lawrence OP | Flickr

Mais Lidos

  • “A rejeição ao PT e à esquerda surge como elemento central de coesão e mobilização de grande parte da população”, afirma o cientista político

    Crise do STF e eleições: entre a deslegitimação da política e a radicalização da extrema-direita. Entrevista especial com Jorge Chaloub

    LER MAIS
  • A polarização política que se observa no país dias antes das eleições pode ser explicada pelo “ressentimento social” de uma “sociedade já devastada e abandonada pela institucionalidade”, diz o economista

    Esperança de futuro promissor foi cancelada: esquerda é gestora fria e extrema-direita oferece bodes expiatórios. Entrevista especial com Daniel Negreiros Conceição

    LER MAIS
  • 13 motivos para votar em Lula. Artigo de Luis Felipe Miguel

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

25 Junho 2018

“Sem justiça, tem-se apenas o deserto ou a savana selvagem onde imperam as feras. Nesse domingo, o calendário marca o nome de um santo emblemático como vítima do poder injusto, João Batista.”

A opinião é do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho da Cultura, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 24-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Se a justiça desaparecer, a vida dos homens sobre a terra não tem mais valor.

O original alemão dessa frase semelhante a uma espada – estamos nos “Princípios metafísicos da doutrina do direito” de Kant – também poderia ser traduzido assim: “Se a justiça desaparecer, não tem mais valor algum que os homens vivam sobre a terra”.

A verdade, no entanto, é única: sem justiça, tem-se apenas o deserto ou a savana selvagem onde imperam as feras. Nesse domingo, o calendário marca o nome de um santo emblemático como vítima do poder injusto, João Batista.

Justiça é uma das palavras mais repetidas, principalmente por aqueles que a violam alegremente, como ocorria na Florença de Dante, onde “a tua gente a tem à flor da boca” (Purgatório VI, 132), mas a ignora na vida.

São Boaventura, que o poeta colocaria no Paraíso, escrevia que “ex silentio nutritur iustitia”, a justiça se nutre de silêncio. Não são os lábios, as palavras, as prescrições, a ênfase que geram automaticamente uma sociedade justa, mas sim as mãos, as obras, as escolhas, “a fome e a sede de justiça”, como dissera Cristo.

Leia mais