Francisco. “Ai de quem especula com o pão! Que a comida básica seja acessível a todos”

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23 Junho 2018

“Nenhum de nós é filho único, cada um deve cuidar dos irmãos da única família humana [...] para que não haja indiferença para com o irmão, para com qualquer irmão”. O Papa Francisco celebra a missa no final de sua viagem a Genebra. No Palexpo, localizado na área de exposições ao lado do aeroporto, onde era esperado por milhares de famílias e de jovens que vinham de todos os cantos da Suíça e até da vizinha França.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 21-06-2018. A tradução é de André Langer.

No fundo do altar estava a silhueta branca das montanhas suíças, sobre a qual se destacava um grande crucifixo branco e luminoso. Na homilia, Francisco propôs três palavras: “Pai, pão, perdão”. Começou refletindo sobre o Pai Nosso, que aparece no Evangelho do dia, e recordou que “rezamos ‘em cristão’: não a um Deus genérico, mas a um Deus que é acima de tudo Pai. De fato, Jesus nos pediu para dizer ‘Nosso Pai que estais no céu’, em vez de ‘Deus do céu que sois Pai’. Acima de tudo, antes de ser infinito e eterno, Deus é Pai”. “Pai Nosso”, continuou ele, “é a fórmula da vida, aquela que revela a nossa identidade: somos filhos amados”.

Depois Bergoglio sugeriu “a equação que nos indica o que devemos fazer: amar a Deus, nosso Pai, e os outros, nossos irmãos. É a oração do nós, da Igreja”, porque “quando o Pai está, ninguém é excluído; o medo e a incerteza não triunfam. Aflora a memória do bem, porque no coração do Pai não somos personagens virtuais, mas filhos amados. Ele não nos une em grupos que compartilham os mesmos interesses, mas nos regenera juntos como família”.

“Não nos cansemos de dizer ‘Pai Nosso’ – afirmou Francisco –: nos recordará que não há filho sem Pai e que, portanto, ninguém de nós está sozinho neste mundo. Mas também lembrará que não existe Pai sem filhos: ninguém de nós é filho único, todos devem cuidar dos irmãos da única família humana” para que “não haja indiferença perante o irmão, cada irmão: tanto do bebê que ainda não nasceu como do idoso que já não fala, tanto de um nosso conhecido a quem não conseguimos perdoar como do pobre descartado”.

Referindo-se ao pão, Francisco observou que, é “acima de tudo, o alimento suficiente para hoje, para a saúde, para o trabalho diário; o alimento que, infelizmente, falta a muitos dos nossos irmãos e irmãs. Por isso digo: ai de quem especula com o pão! O alimento básico para a vida cotidiana dos povos deve ser acessível a todos”.

“Pedir o pão diário – acrescentou – é dizer também: ‘Pai, ajuda-me a levar uma vida mais simples’. A vida tornou-se muito complicada. Eu diria que hoje, para muitos, a vida de certo modo está ‘drogada’: corre-se de manhã à noite, por entre mil telefonemas e mensagens, incapazes de parar fixando os rostos, mergulhados numa complexidade que fragiliza e numa velocidade que fomenta a ansiedade. Impõe-se uma opção de vida sóbria, livre de pesos supérfluos”.

“Escolhamos a simplicidade do pão – foi o convite do Pontífice argentino – para reencontrar a coragem do silêncio e da oração, fermentos de uma vida verdadeiramente humana. Escolhamos as pessoas antes das coisas”. Francisco recordou que quando era pequeno e o pão caía da mesa, “nos ensinavam a recolhê-lo rapidamente e a beijá-lo. Valorizar as coisas simples que temos cada dia e protegê-las: não usar e jogar fora, mas valorizar e conservar”.

Para concluir, a palavra “perdão”. “Trazemos dentro de nós sempre um pouco de amargura, de ressentimento e quando somos provocados por quem já tínhamos perdoado, o rancor volta e… com juros”. Mas “Deus nos liberta o coração de todo pecado, perdoa tudo, tudo, mas nos pede uma coisa: que, ao mesmo tempo, não nos cansemos de perdoar os outros. De cada um pretende uma anistia geral das culpas alheias. Teríamos que fazer uma boa radiografia do coração, para ver se dentro de nós há barreiras, obstáculos ao perdão, pedras a serem removidas”.

Bergoglio terminou sua homilia sugerindo pedir a graça de “não nos fecharmos com um coração endurecido, reclamando sempre dos outros, mas dar o primeiro passo, na oração, no encontro fraterno, na caridade concreta”.

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