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19 Junho 2018

“Após o crescimento de 0,5% em 2014, a economia do País descambou para dois anos de depressão. Espremida pelo desajuste fiscal, a infeliz pulou miudinho. Despencou 6,9% no biênio 2015-2016, para crescer 1% em 2017. Essa é a façanha do senhor Meirelles, ministro-chefe da equipe dos sonhos do mercado”, escreve Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, em artigo publicado por CartaCapital, 19-06-2018.

Segundo ele, “o mergulho depressivo iniciado entre o crepúsculo de 2014 e a aurora de 2015 pode ser apresentado como um exemplo do fenômeno que as teorias da complexidade chamam de “realimentação positiva” ou, no popular, “quanto mais cai, mais afunda”. O déficit primário ameaça estourar a marca dos 150 bilhões de reais e namora as grandezas de 180 bilhões”.

Eis o artigo.

Contrariando as sábias recriminações de meu saudoso pai, um magistrado que hoje seria anti-Moro, persisto no hábito de amargar meu café da manhã com a leitura do Estadão. O editorial de 12 de junho, terça-feira, é uma peça literária que deambula entre a autossuficiência senhorial e o humorismo inconsciente. O editorial deplora o ceticismo, desgosto e desalento dos brasileiros com as proezas do governo Temer:

“Em situações desse tipo, a realidade é sumariamente ignorada, muitas vezes de forma deliberada, prevalecendo uma percepção distorcida e confusa sobre a conjuntura nacional, reforçada por um tremendo mau humor em relação ao establishment político e econômico. ... Tome-se o exemplo das recentes pesquisas de opinião que qualificam Michel Temer como o mais impopular presidente da história do País e expressam profundo pessimismo a respeito da economia. Em nenhum dos dois casos a percepção se sustenta nos fatos".

"Por nenhum parâmetro racional se pode considerar o presidente Temer pior, por exemplo, do que sua antecessora, Dilma Rousseff, que praticamente arruinou a economia nacional e foi defenestrada da Presidência, entre outras razões, por ser incapaz de se relacionar com o Congresso".

"Temer, ao contrário, restabeleceu o diálogo com deputados e senadores e, a partir dessa base, essencialmente democrática, criou as condições necessárias para reorganizar as contas públicas e encaminhar uma importante agenda de reformas. Tudo isso, aliado à escolha de uma competente equipe econômica, controlou a inflação, que sob Dilma havia desembestado, tirou o País da recessão e devolveu ao setor produtivo a capacidade de crescer e gerar empregos”.

O jornalão participou ativamente do tiroteio travado no impeachment da presidenta eleita. Na companhia dos economistas dos mercados financeiros, os Mesquita disparavam projéteis de grosso calibre contra o “descalabro econômico” do governo Dilma.

Em 2014, a economia apresentava resultados típicos de desaceleração: crescia a uma taxa modesta, porém positiva de 0,5%, resvalou para o primeiro déficit primário desde 1998 (0,6%) e a inflação caminhava na casa dos 6,4%, aquém do teto da meta.

A fuzilaria político-econômica culminou no happy ending de beijos e abraços depois do anúncio da equipe econômica. Os mercados celebraram o ajuste de Joaquim Levy ao som da banda de música regida pelos articulistas e quejandos da grande imprensa.
Após o crescimento de 0,5% em 2014, a economia do País descambou para dois anos de depressão. Espremida pelo desajuste fiscal, a infeliz pulou miudinho. Despencou 6,9% no biênio 2015-2016, para crescer 1% em 2017.

Essa é a façanha do senhor Meirelles, ministro-chefe da equipe dos sonhos do mercado. O mercado sonha e o povaréu vive o pesadelo da greve dos caminhoneiros e das ameaças do desabastecimento, do desemprego e da queda de salários. O desempenho pífio de 2014 deu voz aos colunistas do mercadismo que perfilham as teorias econômicas do Casseta&Planeta. Baixaram a Casseta na ninguenzada esgrimindo argumentos tão lunáticos quanto pedestres.

Com permissão do caro leitor, vou repetir o que já disse em entrevistas e artigos ao longo da grande depressão brasileira. O ajuste de 2015, em trágica sequência, engatou o choque de tarifas, a subida da taxa de juros, a desvalorização do real e o corte dos investimentos públicos.

Essa corrente da infelicidade juntou a elevação da inflação à contração do nível de atividade e daí convocou a restrição do crédito. O encolhimento do circuito de formação da renda levou inexoravelmente à derrocada da arrecadação pública. Sob o peso massacrante do colapso da atividade econômica, a inflação despencou para a casa dos 3%.

O mergulho depressivo iniciado entre o crepúsculo de 2014 e a aurora de 2015 pode ser apresentado como um exemplo do fenômeno que as teorias da complexidade chamam de “realimentação positiva” ou, no popular, “quanto mais cai, mais afunda”. O déficit primário ameaça estourar a marca dos 150 bilhões de reais e namora as grandezas de 180 bilhões. Os sonhos da equipe prometem mais contingenciamento de despesas e, possivelmente, mais impostos.

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