O movimento ecumênico é vivo e vital. Entrevista com Olav Fykse Tweit

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06 Junho 2018

Olav Fykse Tveit, pastor luterano da Igreja da Noruega, 57 anos, desde 2010 é secretário-geral do CMI, o Conselho Mundial das Igrejas, a mais ampla e inclusiva entre as muitas organizações ecumênicas modernas. Reúne, de fato, mais de 350 igrejas e associações ligadas a elas, representando mais de 500 milhões de cristãos em 110 nações. Isso inclui a maioria das igrejas ortodoxas, anglicanas, batistas, luteranas, metodistas e reformadas, bem como muitas igrejas unidas e independentes. Originalmente, a maioria das igrejas fundadoras era europeia e norte-americana, enquanto agora a maior predominância vem da África, da Ásia, da América Latina e do Caribe.

A entrevista é de Claudio Geymonat, publicada por Riforma, 04-06-2018.  A tradução é de Luisa Rabolini

Este ano, o Conselho Mundial das Igrejas comemora 70 anos, tendo sido fundada em 1948, em Amsterdã, e as celebrações culminarão no dia 21 de junho, com a visita ao escritório de Genebra do Papa Francisco.

Em uma pausa dos trabalhos gerais da Conferência de Igrejas Europeias, que está acontecendo nestes dias em Novi Sad, pedimos a Tveit que nos relatasse como está a situação do CMI hoje:

"O Conselho Mundial das Igrejas completa 70 anos, portanto a idade de uma pessoa idosa e aposentada. Mas o CMI é tudo menos isso: eu diria que agora mais do que nunca está vivo e vital, e o seu papel é reconhecido internacionalmente como interlocutor sério e confiável diante dos desafios das sociedades e das igrejas de hoje. Em torno do CMI, dos seus comitês, de suas pessoas, existem enormes expectativas em muitas partes do mundo, talvez até maiores do que as nossas reais capacidades. Mas é o sinal de que os esforços que nos caracterizam para implementar o diálogo ecumênico e a reconciliação entre realidades conflitantes são reconhecidos como importantes nos percursos de crescimento das sociedades."

Eis a entrevista. 

Como mudou o movimento ecumênico ao longo desses 70 anos?

Tudo mudou. O CMI nasceu logo depois do terrível segundo conflito mundial, e sobre suas cinzas retomou discursos já iniciados nas décadas anteriores. Depois houve a guerra fria, o isolamento das nações da Europa Oriental e a consequente repressão das igrejas nacionais. Naquele período, o CMI foi um dos poucos interlocutores reconhecidos como autores de uma real cooperação. Hoje os desafios são outros, alguns ainda filhos daquele período: refiro-me à terrível situação no Oriente Médio, mas também aos inúmeros conflitos que ainda caracterizam a África pós-colonial. Em relação ao diálogo ecumênico entre os vários grupos do cristianismo, um enorme progresso foi feito, muitos pontos de união foram encontrados, embora ainda falte a plena comunhão, pela qual devemos continuar a trabalhar. Eu também acredito que esses grandes esforços de diálogo tenham sido um instrumento de crescimento para as igrejas que participaram e que muitas vezes superaram fechamentos ou sectarismos em nome de um percurso comum.

A Igreja Católica não faz parte do CMI, mas parece olhar com crescente atenção à efervescência em curso. A próxima visita do Papa Francisco à sua sede em Genebra se insere de alguma forma nesse sentido?

A visita do pontífice é um forte sinal de reconhecimento por parte do mundo católico: reconhecimento de que existe um movimento ecumênico mundial, do qual também participa a igreja católica. O próprio Francisco tem afirmado repetidamente que devemos trabalhar juntos, que existem enormes espaços para isso. Por mais de trinta anos, pelo menos, o Vaticano trabalha em estreita colaboração com o Conselho Mundial e participa como observador em todas as principais conferências do CMI. O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos também nomeia 12 membros no âmbito da Comissão Fé e Constituição, criada pelo CMI já em 1948, além de participar em alguns outros organismos ecumênicos a nível regional e nacional.

A visita a Genebra vai direcionar os holofotes do mundo sobre nós e a nossa agenda. Parece-me uma oportunidade importante a ser aproveitada, assim como foi o aniversário de quinhentos da Reforma Protestante em 2017, que destacou o desejo de unidade apesar das diversidades reconhecidas.

O CMI é muito empenhado com comissões e repetidos apelos na tentativa de encontrar uma solução para a dramática situação no Oriente Médio, da Palestina à Síria, passando pelo Iraque e outros cenários de guerra. O que gostaria de dizer a esse respeito?

O reconhecimento do nosso papel nessas zonas de guerra é justamente filho do nosso convite contínuo ao diálogo, que incessantemente o CMI vem propondo nas últimas décadas. De alguma forma somos identificados como facilitadores, capazes de criar um campo neutro onde colocar em diálogo as partes envolvidas. Nunca nos devemos cansar de ser construtores de paz, portadores de esperança mesmo naqueles lugares onde parece não haver mais possibilidade. E não só pelos muitos, muitos cristãos que sofrem no Oriente Médio, mas por toda a população, porque é somente diante de uma paz real e completa que poderá ser construída uma nova sociedade, inclusiva e não exclusiva. As pessoas na Síria, no Iraque e Palestina já sofreram demais. É hora de dizer basta para tudo isso, é hora de criar as condições para tornar aquelas terras, que são o berço do cristianismo, um lugar de paz e de exemplo para toda a humanidade. Usar somente a força não serve a ninguém, existem muitos desequilíbrios entre aqueles que possuem exércitos e tecnologias avançadas e quem não os possui, as forças em campo são demasiado díspares. Portanto, somente silenciando as armas é que se tornará possível iniciar um diálogo real que deve necessariamente passar pelo reconhecimento do outro.

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