Conferência teológica na Grécia desdobra o ensino do Concílio Ortodoxo de 2016

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02 Junho 2018

Espera-se que a 8ª Conferência Internacional de Teologia Ortodoxa, que acaba de ser realizada em Tessalônica, na Grécia, contribua para a interpretação e a recepção do "Santo e Grande Concílio" de 2016 das Igrejas ortodoxas orientais.

O comentário é do Rev. Dr. Odair Pedroso Mateus, diretor da Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas, em artigo publicado em Oikoumene, 01-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Concílio de 2016 foi chamado de “Santo” porque os sínodos das Igrejas ortodoxas particulares são chamados de “santos sínodos”, e de “Grande” porque não foi o sínodo de uma Igreja particular, mas sim o concílio de Igrejas particulares que se entendiam como a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Levou 50 anos para que as Igrejas ortodoxas orientais preparassem e realizassem o “Santo e Grande Concílio”, que já havia sido previsto ainda em 1902. O Concílio finalmente ocorreu no Pentecostes de 2016 em Creta, na Grécia. Dez das 14 Igrejas “autocéfalas” estavam presentes. As Igrejas da Rússia, Bulgária, Geórgia e Antioquia não participaram.

Para a Igreja Ortodoxa Oriental, o “Santo e Grande Concílio foi a expressão sinodal da unidade da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Mas um concílio se torna plenamente um concílio apenas se e quando seus ensinamentos e decisões são recebidos ou apropriados pelas Igrejas locais e quando o concílio é reconhecido como tal pelo concílio seguinte. Isso requer, acima de tudo, a análise e a interpretação dos ensinamentos e decisões de um concílio.

O objetivo da 8ª Conferência Internacional de Teologia Ortodoxa foi contribuir para a interpretação e a recepção do Concílio de 2016. A conferência foi patrocinada por Sua Santidade, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, e organizada pela Faculdade de Teologia da Universidade Aristóteles em Tessalônica, na Grécia, de 21 a 25 de maio.

A conferência contou com mais de 300 participantes de 25 instituições teológicas e de cerca de 20 países, incluindo representantes de comunhões não ortodoxas e de organizações ecumênicas.

Seis temas relacionados com a vida e o testemunho das Igrejas ortodoxas orientais hoje estiveram na agenda do “Santo e Grande Concílio de 2016: a importância do jejum e sua prática em nossos tempos; como uma região eclesial ou “Igreja local” se torna autônoma de sua Igreja autogovernada; como a compreensão territorial da “Igreja local” se aplica a lugares nos quais, devido à migração, membros de diferentes Igrejas locais (por exemplo: romenos, búlgaros, ucranianos etc.) vivem lado a lado, criando a anomalia das jurisdições eclesiais sobrepostas; a instituição sacramental do matrimônio e os desafios que ela enfrenta hoje; e a missão da Igreja Ortodoxa no mundo atual, incluindo seções sobre dignidade humana, paz e justiça, e a oposição da Igreja a várias formas de discriminação.

Os participantes da conferência teológica contribuíram com mais de 120 artigos sobre esses temas, apresentados nas sessões plenárias das manhãs ou nos painéis menores das tardes realizados simultaneamente. Entre os conferencistas, estavam o arcebispo Anastasios, da Albânia, o arcebispo Demetrios, da América, e o vice-moderador do Conselho Mundial de Igrejas, o metropolita Gennadios, de Sassima.

Um dos temas mais controversos na pauta do “Santo e Grande Concílio” de 2016 foram as relações entre a Igreja Ortodoxa Oriental e as outras Igrejas. Os organizadores da conferência teológica convidaram parceiros ecumênicos para oferecerem suas perspectivas sobre o documento “As relações entre a Igreja Ortodoxa e o resto do mundo cristão”, adotado pelo concílio com base em duas versões anteriores produzidas em 1986 e 2015.

Os parceiros no diálogo da Igreja Ortodoxa Oriental levantaram questões sobre a qualidade eclesial de suas relações, o papel dos leigos no discernimento de um concílio e a visão da unidade cristã. Falando a partir de uma perspectiva da Reforma, um dos contribuintes exortou os ortodoxos a esclarecerem o status eclesial das Igrejas da Reforma na visão ortodoxa e o que a Ortodoxia entende por unidade cristã.

Na minha contribuição à conferência, eu sublinhei uma promissora convergência entre a posição referencial que o teólogo reformado Thomas F. Torrance atribuía à tradição oriental no diálogo ecumênico envolvendo Igrejas ocidentais separadas e a posição estratégica atribuída às Igrejas ortodoxas no governo do Conselho Mundial de Igrejas através de seu Comitê Permanente sobre Consenso e Colaboração.

Diante desse pano de fundo promissor para a contribuição ortodoxa para a busca da unidade cristã, eu saudei a clara afirmação por parte do Concílio de 2016 do engajamento ortodoxo no movimento ecumênico e, em particular, no trabalho programático do Conselho Mundial de Igrejas com base na chamada Declaração de Toronto adotada pelo Comitê Central do conselho em 1950.

Notei, por outro lado, que, enquanto a linguagem do documento pré-conciliar de 1986 sobre o ecumenismo incluía um vocabulário inspirador relacionado com a esperança, a linguagem do documento do Concílio de 2016 sobre as relações com “o resto do mundo cristão” refletia a percepção por parte dos ortodoxos de “uma profunda crise no movimento ecumênico” relacionada com o crescente desacordo em matéria de discernimento moral entre as Igrejas envolvidas no diálogo e na cooperação ecumênicos.

Essa percepção, no entanto, não impediu que os Padres conciliares afirmassem, em relação à Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas, que “a Igreja Ortodoxa deseja apoiar o trabalho da Comissão ‘Fé e Ordem’ e acompanha sua contribuição teológica com particular interesse até hoje. Ela vê de modo favorável os documentos teológicos da comissão, que foram desenvolvidos com a participação significativa de teólogos ortodoxos e que representam um passo louvável no Movimento Ecumênico para a reaproximação dos cristãos”.

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