Outro olhar: solenidade de Corpus Christi

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31 Mai 2018

"Muitos participam da paixão de Jesus, porque experimentam em seus corpos os efeitos do vício da corrupção, do descaso com a promoção do bem comum, da indiferença a gays e lésbicas e transexuais, da religiosidade sem compromisso com a transformação da sociedade, além de receberem o vinagre amargo do ódio", escreve Carlos Rafael Pinto, Mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE-BH) e Graduado em Filosofia e Teologia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES-JF). 

Eis o artigo. 

Desde o Papa Urbano IV, no século XIII, a Igreja Católica celebra a solenidade de Corpus Christi. Nesse dia, fiéis se reúnem nas comunidades eclesiais para a celebração eucarística, seguida da Procissão solene, pelas ruas, com o Santíssimo Sacramento, sobre os tapetes confeccionados com carinho e devoção.

Na narrativa do memorial do Senhor (consagração), quem preside a assembleia litúrgica (povo reunido para a celebração eucarística) faz ecoar as palavras de Jesus: pegando pão, “tomai, todos e comei, isto é meu corpo”; pegando o cálice de vinho, “tomai, todos e bebei, isto é meu sangue” e, por fim diz, “fazei isto em memória de mim”.

Sobre o altar, vemos os sinais do Sacramento da Eucaristia: o pão e o vinho. Enquanto o pão consagrado vem do trigo (plantado e recolhido pelas mãos calejadas de homens e mulheres), o vinho consagrado vem da uva (plantada e colhida pelo suor de muitos trabalhadores do campo, nem sempre justamente remunerados).

Por isso, no Sacramento da Eucaristia, são irradiados trabalhos e sonhos, alegrias e tristezas, e também injustiça sofrida por muitas pessoas. Na adoração ao Santíssimo Sacramento, não nos esqueçamos de contemplar Jesus crucificado: o sacramento de seu corpo triunfante que porta as marcas da flagelação e da crucificação.

Muitos participam da paixão de Jesus, porque experimentam em seus corpos os efeitos do vício da corrupção, do descaso com a promoção do bem comum, da indiferença a gays e lésbicas e transexuais, da religiosidade sem compromisso com a transformação da sociedade, além de receberem o vinagre amargo do ódio.

É colocada ainda sobre suas cabeças a coroa de espinhos da desesperança. Muitos trazem as marcas dos inúmeros flagelos da injustiça social, denunciados há séculos e séculos, por exemplo, por São João Crisóstomo, em um de seus sermões:

Você poderia dizer-me como é que você é rico? De quem recebeu essa riqueza? E este, de quem a recebeu? De um antepassado, você dirá. E assim podemos continuar até o princípio. Mas você não consegue demonstrar que a sua riqueza seja justa. Não se pode negar que tudo começou com uma injustiça. Por quê? Porque Deus no início não criou a um rico e a outro pobre. E não deixou que um descobrisse tesouros, ao passo que escondeu estes para outros. Deus deu a todos a mesma terra para ser cultivada... Deus distribuiu tudo a todos como se todos fossem irmãos dele.(1)

Participando da Solenidade do Corpo de Cristo, não deixemos de contemplar o corpo flagelado e desfigurado de Jesus e, nele, os corpos de tantas pessoas flageladas e desfiguradas, uma vez que formamos um só corpo, conforme a segunda leitura (1Cor 10,16-17):

O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão.

Sobre os tapetes fascinantes, percorramos as ruas com o Santíssimo Sacramento, denunciando as chagas que ainda rasgam os corpos, sobretudo dos mais necessitados.

Nota: 

(1) João Crisóstomo. Sermão 12: Carta a Timóteo 4. apud BOGAZ, A. et al. Doutrina social da Igreja. In: _____. Patrística: caminhos da tradição cristã. São Paulo: Paulus, 2008. p. 151

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