Teólogos começam a trabalhar pela beatificação de Dom Enrique Angelelli e outros companheiros mártires

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12 Maio 2018

Dom Marcelo Daniel Colombo, bispo de La Rioja (Argentina) desde o dia 9 de julho de 2013 e sucessor de Dom Enrique Angelelli (Córdoba, 17 de junho de 1923 - Sañogasta, 4 de agosto de 1976), anunciou que, no Vaticano, na próxima segunda-feira, 14, a comissão de teólogos da Congregação para as Causas dos Santos iniciará o trabalho sobre a possível beatificação do bispo mártir argentino.

A reportagem é de Luis Badilla, publicada por Il Sismografo, 11-05-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ao mesmo tempo, começarão as investigações e os aprofundamentos sobre alguns sacerdotes também considerados como seus mártires. O dossiê, de fato, diz respeito à “beatificação de Dom Angelelli e de seus companheiros mártires”.

O processo relativo ao martírio do bispo está estritamente ligado ao de três outros homens assassinados antes de Dom Angelelli: dois sacerdotes, Gabriel Longueville e Carlos Murias, mortos em 22 de julho de 1976, e um leigo, Wenceslao Pedernera, morto no dia 26 do mesmo mês. Dom Angelelli foi morto em 4 de agosto, portanto, houve quatro homicídios em duas semanas.

Foi justamente Dom Colombo que abriu a causa diocesana de beatificação de Dom Angelelli – encerrada em outubro 2016 –, cuja morte em um suposto “triste acidente rodoviário” foi aceita por todos, exceto pelo fato de que, depois de décadas, entendeu-se que, na realidade, o prelado – muito crítico contra a ditadura militar – havia sido morto com vileza e covardia, porque tentava entender os motivos pelos quais as outras três pessoas que ele conhecia haviam sido mortas.

Luis Liberti, especialista na causa de beatificação do bispo de La Rioja (1968-1976), explicou recentemente ao Vatican Insider: “É um caso bastante semelhante ao de Arnulfo Romero em El Salvador: os militares argentinos, como na América Latina, haviam sido todos batizados na Igreja. Aqui, não há ódio da fé direto e explícito, mas há um ódio contra a sua implementação e a sua consequência fundamental. O papa já havia acompanhado a causa como presidente da Conferência Episcopal, arcebispo de Buenos Aires e cardeal primaz da Argentina. Aos 30 anos da morte de Angelelli, ele fez uma homilia na qual ele descreveu esse homem como um grande pastor, de modo muito ‘literário’ e inspirando-se em aspectos do Evangelho. Ele definiu Angelelli como ‘um pastor que, no seu serviço, chegou ao ponto extremo de dar a vida pelas suas ovelhas’”.

Em 28 de fevereiro de 2014, o prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, cardeal Leonardo Sandri, chamou Dom Angelelli de “mártir”, algo novo, inédito e relevante. Nunca havia acontecido que uma alta autoridade da Santa Sé admitisse publicamente que o bispo argentino morreu não por ser vítima de um “deplorável acidente rodoviário” (que o L’Osservatore Romano da época definiu como “suspeito”), mas por ser objeto de um verdadeiro atentado planejado pela cúpula da ditadura militar para eliminar um pastor incômodo.

Até alguns anos atrás, durante décadas, a versão era uma só em todos os ambientes: Dom Angelelli havia morrido em “um triste e trágico acidente de carro”. Desde o início, a ditadura de Jorge Videla disse isso, e depois, durante anos, isso foi repetido para muitos sem averiguar a verdade. Os poucos que, desde o primeiro momento, falaram de crime foram silenciados e apontado como antipatriotas e mentirosos.

Agora, há alguns anos, tudo mudou. O cardeal Sandri [1], depois de recordar o cardeal Posadas Ocampo e Dom Romero, disse: “O bispo Enrique Angelelli, ordinário de La Rioja, argentino, morto em 4 de agosto de 1976 em um acidente de carro suspeito e em um contexto de coragem episcopal (...) Dele, lembro hoje não apenas a sua paixão e a convicção de que sua morte ocorreu por ser defensor de Deus, da pessoa humana e do Evangelho, coisas sobre as quais me falava Dom Juan Giaquinta, arcebispo de Resistenza, mas também a homilia do então cardeal Jorge Mario Bergoglio, em Punta de Los Llanos, no dia 4 de agosto de 2006, lá onde Angelelli faleceu. Um jornalista [2] relatou assim a homilia do cardeal Bergoglio: ‘Ele resgatou (...) a convicção de que a Igreja de La Rioja era perseguida, mas resistia íntegra, com um diálogo de amor entre o povo e o seu pastor. [O cardeal Bergoglio] comparou os ataques sofridos por Angelelli com os sofrimentos de Paulo e dos filipenses, através dos métodos usuais da desinformação, da difamação e da calúnia’. O arcebispo de Buenos Aires, falando da morte e da repressão, afirmou que 'Wenceslao, Carlos, Gabriel (os dois sacerdotes e o leigo mortos pelos militares, sobre os quais Angelelli estava investigando, quando foi trucidado com um acidente de carro falso) e o bispo Enrique, com seu sangue derramado, foram testemunhas da fé’. [O cardeal Bergoglio] acrescentou: se alguém ‘se alegrou pensando em sua vitória’, na realidade deve entender que, em vez disso, ‘tratou-se de uma derrota dos adversários’ do bispo’.

Notas

[1] Homilia da missa celebrada para os membros da Pontifícia Comissão para a América Latina.

[2] Guillermo Alfieri. Semanario Digital e o livro È l’amore che apre gli occhi [É o amor que abre os olhos] (Ed. Rizzoli).

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