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23 Abril 2018

Estou escrevendo este texto na Saint Louis University, onde estou participando de uma série de palestras que celebram o 200º aniversário dessa grande instituição. Meu tema é o Papa Francisco, a política dos Estados Unidos e a polarização, um assunto sobre o qual sou frequentemente chamado a discutir. Acho que, em cinco anos, participei de pelo menos uma dezena de painéis, e todos se perguntavam: “Quais são as causas da polarização?”.

A opinião é do jesuíta estadunidense Matt Malone, publicada por America, 20-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No entanto, na política contemporânea, a questão não é “Qual é a causa da polarização?”. A pergunta é: “Quem é a causa da polarização?”. E a resposta é: vocês. Vocês são a causa da polarização. E eu também. Juntos, somos as causas da polarização. A menos que estejamos dispostos a admitir isso, a situação só piorará. Pois a polarização não é algo que está acontecendo conosco, mas algo que nós estamos provocando. E a tentação de pensar que vocês ou eu não somos cúmplices e de que a culpa é inteiramente de outra pessoa, na verdade, é a polarização.

Afinal, o que a polarização exige? Dois polos. Com isso, não me refiro a duas pessoas ou dois grupos de pessoas que discordam entre si. Na realidade, isso é o que a democracia exige. O que a polarização exige são duas pessoas ou dois grupos de pessoas que discordam, cada um dos quais acredita que o outro é inteiramente culpado e é política, filosófica e talvez até moralmente irredimível. Essa é a linha de falha da nossa política contemporânea, o resultado das nossas escolhas.

Quantos de nós pararam de ler opiniões com as quais discordamos? Quantos de nós pararam de assistir a canais de notícias que apresentam opiniões com as quais discordamos? Quantos de nós reclamamos do conteúdo dos nossos feeds de mídia social, embora, de algum modo, esqueçamos que, na realidade, optamos por seguir cada uma dessas pessoas? Quantos de nós, no fundo de lugares sobre os quais não gostamos de falar, sentimos algum prazer com o fluxo de adrenalina que brota do fato de clicar em “curtir” e, assim, criar instantaneamente um nós e um eles?

O resultado da eleição presidencial de 2016 foi um dos mais apertados da história dos Estados Unidos. Levou semanas, na verdade, para que soubéssemos a contagem final. Foi por pouco. No entanto, consideremos isto: 65% dos estadunidenses vivem em um distrito congressional que favoreceu tanto Trump quanto Clinton em 20 pontos ou mais. Nós sequer moramos perto de pessoas com as quais discordamos. Esse é o resultado das nossas escolhas, suas e minhas, e de nossos representantes eleitos.

O Papa Francisco vê isso claramente, assim como é. Os fenômenos envolvidos na polarização refletem uma crise espiritual mais profunda na modernidade, dentro de vocês e dentro de mim. É por isso que esta é a coisa mais importante que o Papa Francisco já disse sobre política: “Sou um pecador”.

A primeira pergunta feita a ele em sua primeira entrevista, que publicamos na revista America, foi: “Quem é Jorge Mario Bergoglio?”. Ao que o papa respondeu: “Sou um pecador”. Sugiro que aqui é onde devemos começar a reforma da nossa política, reconhecendo a nossa cumplicidade individual com o pecado da polarização, por aquilo que fizemos e por aquilo que deixamos de fazer, e pedindo a graça da mudança.

Eu sei que isso pode não ser o que queremos ouvir. Mas essa é a nossa melhor esperança. Enquanto você acreditar que o problema é outra pessoa, então não há nada que você possa fazer a respeito e você continuará se sentindo impotente e à mercê de forças que estão além de seu controle. Mas, se todos pudermos reconhecer que somos parte do problema, então podemos começar a imaginar como poderíamos fazer parte da solução.

Podemos começar a conversa focando-nos naquilo que todos temos em comum, em vez das nossas diferenças, um movimento que é, em si mesmo, subversivo em relação à polarização.

Qual é a questão que está no centro da polarização? O Papa Francisco nos disse isso quando se dirigiu ao Congresso dos Estados Unidos: “O mundo contemporâneo, com suas feridas abertas que afetam muitos de nossos irmãos e irmãs, exige que enfrentemos toda forma de polarização (...) Sabemos que, na tentativa de nos libertarmos do inimigo, podemos ser tentados a alimentar o inimigo interior. Imitar o ódio e a violência de tiranos e assassinos é a melhor forma de tomar o lugar deles”.

“O inimigo interior” nada mais é do que o nosso antigo oponente: o medo. Temos medo. Todos nós. E essa também é uma boa notícia, porque isso significa que todos temos algo em comum e um meio adicional de nos relacionarmos uns com os outros, pela graça de Deus. Para fazer isso, precisamos simplesmente fazer o que Deus, através do Cristo ressuscitado, está sempre nos exortando a fazer de todos os modos: “Não tenham medo”.

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