Política de Trump sobre Israel apresenta desafios novos e difíceis para o Vaticano

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06 Abril 2018

Um alto membro da comissão do Vaticano para as relações católico-judaicas lamentou a decisão do presidente Donald Trump de transferir a embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, dizendo que isso complicou o delicado trabalho de seu escritório em Roma.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por La Croix International, 05-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“A decisão de Trump certamente não facilitou em nada o diálogo inter-religioso da Santa Sé, tanto no que diz respeito ao diálogo com o Islã quanto com o judaísmo”, disse o padre salesiano Norbert Hofmann, secretário-executivo da comissão vaticana para as Relações Religiosas com os Judeus.

Em uma entrevista publicada no início de abril no portal Katholisch.de, da Conferência dos Bispos da Alemanha, o padre salesiano disse que a decisão de Trump de transferir a embaixada apresentou um novo desafio para a comissão vaticana, mas insistiu que não foi um retrocesso.

O Pe. Hofmann, que é secretário da comissão desde 2002, disse que o diálogo católico-judaico tem sido uma das histórias de sucesso do Concílio Vaticano II (1962-1965) e continuará assim, apesar da decisão dos Estados Unidos.

“A decisão de Trump não pode mudar isso”, disse a autoridade vaticana de 58 anos.

Ele disse que, poucos dias depois de Trump anunciar a mudança da embaixada em dezembro passado, uma delegação judaica visitou a comissão vaticana e discutiu a decisão dos Estados Unidos com os principais diplomatas da Santa Sé – o secretário de Estado, Pietro Parolin, e o equivalente ao ministro das Relações Exteriores do Vaticano, o arcebispo Paul Gallagher.

O Pe. Hofmann disse que o cardeal e o arcebispo exortaram os delegados judeus a “manterem a cabeça fria” e a fazerem o possível para evitar que o processo de paz no Oriente Médio chegue a um impasse.

Ele também observou o firme compromisso do Vaticano com a solução de dois Estados para resolver a longa disputa territorial israelense-palestina, ao mesmo tempo em que ressaltou o status especial dos lugares sagrados.

“Para a Santa Sé, Jerusalém pertence a todas as três religiões monoteístas, para as quais ela tem um significado especial. Os lugares sagrados devem estar abertos aos peregrinos de todas as fés”, disse ele.

O sacerdote confirmou que as delegações judaicas aumentaram suas visitas ao Vaticano desde a decisão de Trump de transferir a embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém.

“As visitas certamente se tornaram mais frequentes ultimamente. Isso é um fato. Eles estão interessados em nos contatar”, disse o Pe. Hofmann.

“Não vou esconder o fato de que a situação é difícil, mas não é impossível. É um pequeno obstáculo, mas isso não significa que seja um retrocesso ou que a Espada de Dâmocles esteja suspensa sobre o diálogo e que tudo acabou”, disse.

“Não se trata disso, absolutamente. O diálogo católico-judaico está muito firmemente fundamentado para que algo assim aconteça”, insistiu.

Paulo VI estabeleceu a Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus em 1974 como um escritório distinto intimamente ligado ao Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Seu objetivo é promover e fomentar as relações, especificamente de natureza religiosa, entre judeus e católicos. Ela não tem nenhuma autoridade independente sobre as questões políticas, especialmente as que dizem respeito à relação diplomática de 20 anos entre a Santa Sé e o Estado de Israel.

O Pe. Hofmann disse que isso às vezes é um problema para a sua comissão vaticana, porque os parceiros de diálogo judeus nem sempre diferenciam tão claramente entre política, cultura religiosa e questões sociais, como faz a Santa Sé.

“Isso significa que as conotações políticas desempenham um papel no meu trabalho. Sempre que isso acontece, eu primeiro tenho que consultar e concordar com a segunda seção da Secretaria de Estado, que é responsável pelos assuntos políticos”, disse o Pe. Hofmann, que tem servido há 16 anos em seu cargo atual.

No entanto, ao ser perguntado sobre quais consequências a decisão da embaixada de Trump poderia ter sobre as negociações políticas entre a Santa Sé e Israel, o Pe. Hofmann deixou claro que ele não estava diretamente envolvido nessa área, mas admitiu que a Secretaria de Estado o manteve informado sobre o assunto. Ele disse que, pelo que sabe, a decisão do presidente dos Estados Unidos não facilitou em nada as negociações políticas.

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