50 anos após o martírio de Martin Luther King, a igualdade de direitos ainda está ameaçada

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02 Abril 2018

“O discurso, desde o presidente até os xerifes, muitas vezes culpa as minorias étnicas por problemas sociais e de saúde que, na verdade, são exacerbados por políticas discriminatórias. Enquanto nação, os Estados Unidos parecem mais dispostos a ver as estruturas racistas do passado como passado, quando na verdade elas permanecem presentes em todo o país”, afirma o editorial da revista America, 22-03-2018, ao recordar os 50 anos do assassinato de Martin Luther King. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Eis o editorial

Após o assassinato de Martin Luther King, em 4 de abril de 1968, os editores da América perguntaram: "Será que este profeta vai ser ouvido na morte como não foi ouvido na vida? Será que o mártir vai alcançar pelo sangue o que não conseguiu pelas palavras?"

O significado original da palavra grega mártir é "testemunha", tomada no sentido cristão para fazer referência a alguém que testemunha a fé com o próprio sangue. A testemunha de Luther King não era politicamente partidária ou secular, mas profundamente inspirada por sua convicção de que a busca bíblica por justiça era tão pertinente na época atual quanto na dos antigos profetas.

Nas semanas que se seguiram ao assassinato de Luther King, líderes religiosos escreveram uma instrução inter-religiosa ao Presidente Lyndon B. Johnson e ao Congresso dos EUA pedindo medidas concretas para continuar o trabalho do movimento dos direitos civis e “diminuir a carga dos pobres e oprimidos em nossa terra".

Martin Luther King foi ouvido?

Por um lado, grupos ecumênicos e inter-religiosos têm conseguido grandes progressos na luta contra a pobreza e o racismo. Grupos como o Circle of Protection reúnem uma ampla gama de cristãos para se opor a cortes orçamentários que inviabilizariam programas federais como o vale-alimentação e o Medicaid e prejudicariam os negros de forma desproporcional. Pessoas de todas as fé reuniram-se para condenar o racismo vil demonstrado na manifestação de supremacia branca do verão passado em Charlottesville, VA. Os princípios de justiça social estão firmemente abrigados nos currículos educacionais religiosos de inúmeras escolas.

Mas é impossível ignorar as sombrias realidades econômicas e sociais ainda enfrentadas por muitos afro-americanos e outros grupos de minoria racial. Décadas após a Lei dos Direitos Civis, a Lei dos direitos de voto e a guerra contra a pobreza, os estadunidenses negros continuam enfrentando a desigualdade social e econômica e falta de oportunidades generalizada. Nos Estados Unidos, quem tem uma casa, fez uma faculdade, tem ativos maiores que os passivos, tem uma visão positiva da aplicação da lei, provavelmente é branco.

Essas realidades são acompanhadas por uma complacência perturbadora no discurso político e cultural dominante. A noção insidiosa de que todos os estadunidenses passaram a desfrutar de igualdade de tratamento nos termos da lei, ou que nossos resultados individuais (econômicos, políticos, sociais) não dependem de qualquer legado do racismo e da discriminação infecta tudo, desde decisões da Suprema Corte até políticas de impostos que congelam as desigualdades econômicas.

O discurso, desde o presidente até os xerifes, muitas vezes culpa as minorias étnicas por problemas sociais e de saúde que, na verdade, são exacerbados por políticas discriminatórias. Enquanto nação, os Estados Unidos parecem mais dispostos a ver as estruturas racistas do passado como passado, quando na verdade elas permanecem presentes em todo o país.

Ao honrarmos Martin Luther King pelo seu testemunho na luta pela igualdade de direitos, fazemos bem em nos lembrar que esse conceito perde consistência diante da realidade de que os direitos iguais de algumas pessoas ainda estão ameaçados nos EUA.

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