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24 Março 2018

Como reconstruir uma palavra sobre a fé não religiosa e contemporânea? Didier Travier enfrenta esse desafio em um livro denso e livre, nascido de uma meditação sobre o culto protestante: Une confiance sans nom. Essai sur la foi [Uma confiança sem nome. Ensaio sobre fé] (Ed. Ampelos).

A reportagem é de Élodie Maurot, publicada por La Croix, 22-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

As palavras da fé cristã estão desgastadas. Quem ainda quer falar de cristianismo deve levar em conta essa perda de incisividade, essa corrosão de sentido. É dentro desse desafio que se insere o pequeno livro de Didier Travier, uma publicação densa e original, voltada à busca de uma nova expressão do cristianismo.

Filósofo e protestante, atualmente diretor presbiteral de uma paróquia das Cévennes, Didier Travier tem uma longa experiência em crítica da religião, tanto de origem filosófica quanto de origem bíblica. É no rastro das intuições do pastor alemão Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) que ele situa sua reflexão.

Do fundo de sua prisão em Berlim, aquele mártir da resistência ao nazismo já se perguntava como encontrar palavras novas para dizer o Evangelho em um mundo que havia se tornado maior de idade e arreligioso.

“Como falar de Deus sem religião, isto é, sem o dado preliminar e contingente da metafísica, da interioridade etc.? Como falar (...) de Deus ‘laicamente’? Como ser cristãos religiosos e profanos?” (de “Resistência e submissão”).

A partir daí, Didier Travier abre um novo caminho – como se diz no alpinismo – na concretude da fé, sulcado em todos os sentidos pelos teólogos e pelos filósofos ao longo dos séculos. Em vez de partir das afirmações sobre Deus, ele se interessou pelo culto. Um caminho humilde, prático, antes de ser teórico, que se fundamenta naquilo que a liturgia sedimenta em todo fiel, domingo após domingo. Como se o culto, reunindo os corpos e as palavras dispersos em um lugar e em um tempo, fosse o cadinho do qual podem brotar as intuições profundas da fé. O livro de Didier Travier ecoa, assim, a afirmação de Ricoeur, lembrada por Olivier Abel no prefácio: “O sujeito da fé não sou eu, somos nós”.

Partir do culto tem um sentido profundo, porque “só a fé se reconhece na forma dialógica do culto, no ‘tu’ da invocação e no ‘tu’ da vocação. O cristão não diz necessariamente coisas diferentes do ateu, mas as ‘diz a’ e as ‘recebe de’”, enfatiza o filósofo. Daí deriva sua hipótese de trabalho: “Tentar compreender as ‘palavras de’ e as ‘palavras a’ do culto abstraindo todo pressuposto de Deus”. Buscar Deus como “o desconhecido que fala naquela palavra”.

Esse comentário filosófico, entrelaçado com citações bíblicas, segue a ordem litúrgica de culto: a proclamação da graça, a declaração do perdão, depois a leitura da Bíblia e a pregação, a Ceia até o envio... Destaquemos algumas frases fecundas.

“A Cruz é o amor até a morte: amor posto à morte e também amor até a morte, amor até na morte”, escreve ele, a propósito da Ceia.

“Confessar a fé não é expor uma doutrina, mas se expor à ação do Espírito, é entrar na dinâmica de um evento”, enfatiza, em relação ao Credo.

Na oração de intercessão, que “nos põe diante do sofrimento e da morte; principalmente dos outros”, ele descobre o momento em que “quem é feliz deixa por um instante a autossuficiência da felicidade; quem é infeliz, a prisão da infelicidade”.

Na oração do Pai-Nosso, ele se interessa pela palavra performativa: “Declarar Deus soberano – cujo nome deve ser honrado; o reino, prometido; a vontade, executada – não é constatar um fato, é instituí-lo. É arrancar o mundo dos seus detentores ilegítimos para restituí-lo”.

Todos esses momentos sucessivos do culto são unificados por uma mesma disposição, “a da confiança, o outro nome da fé”.

Permanecendo nessa confiança, o fiel pode navegar entre fé e dúvida, levando a sério a irreligiosidade da fé cristã. Assim, para Didier Travier, não há outra confissão de fé do que a do pai do filho epilético do Evangelho de Marcos: “Eu creio! Ajuda a minha incredulidade” (Mc 9,24).

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