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24 Março 2018

"Não sabemos o que o Facebook sabe. Não sabemos o que ainda desconhece", escreve Pedro Doria, jornalista e escritor, em artigo publicado por O Estado de São Paulo, 22-03-2018.

Eis o artigo.

No final da semana passada, surgiram simultaneamente algumas notícias falsas referentes à vereadora carioca assassinada, Marielle Franco. Fake news existem de três tipos. Um é o boato espontâneo, que nasce do nada e se alastra como fogo. Outro, é para fazer dinheiro. A manchete chama atenção, o inocente clica e chega a um site cheio de publicidade. O terceiro tem objetivo político. Várias notícias falsas que surgem ao mesmo tempo não parecem boatos espontâneos. Como não apontavam para site algum, não fizeram dinheiro. O mais provável é que gente profissional com objetivo político colocou as histórias no ar. Mas o Facebook não consegue dizer sua origem.

Mesmo: não é possível mergulhar no banco de dados e descobrir quem publicou primeiro, ou quem fez os compartilhamentos iniciais. Não dá para mapear o percurso da fake news política. É o que explica Monika Bickert, uma das vice-presidente globais da plataforma, que esteve essa semana no Brasil. Ela recebeu um grupo de jornalistas na sede do Facebook, em São Paulo, para conversar sobre as políticas de comportamento na rede. Mas o escândalo envolvendo a Cambridge Analytica, o mau uso de dados de 50 milhões de pessoas, assim como a possível manipulação de inúmeras eleições por grupos que usaram a plataforma, dominou a conversa.

O Facebook está sentindo a pressão. Não é à toa que Mark Zuckerberg, em entrevista na quarta à emissora CNN, citou especificamente a eleição presidencial brasileira. É um dos focos de atenção. Tampouco é acidente que, à veterana repórter do Vale Kara Swisher, editora do Recode, ele disse que irá ao Congresso americano se convocado a depor. Além de CNN e Recode, na quarta Zuck falou também ao New York Times e à revista Wired. Gerenciamento de crise em estado puro.

O mundo está atento à relação entre tecnologia e política. Atento e, convenhamos, perdido.

Porque por trás de cada parlamentar que protesta, entre Londres e Washington, há mais dúvidas do que certezas. Em cada texto de especialista em tecnologia, está lá sempre o imponderável. Ninguém, fora do Facebook, conhece como funciona o sistema Facebook. É uma surpresa, por exemplo, que não seja tecnicamente possível descobrir quem planta fake news.

A empresa parece realmente preocupada. E suas propostas de combate ao problema da influência política por agentes que buscam perturbar eleições fazem sentido. Estão melhorando a tecnologia para localizar rápido perfis falsos — de onde surgem manipulações. Vão deixar mais claro, para os usuários, o que apps aparentemente inocentes podem fazer. E vigiarão mais os apps.

O problema, no entanto, não vai embora. O que o Facebook está dizendo, essencialmente, é: confie em nós.

Diz ‘confie em nós’ sem explicar em detalhes o que seus estudos a respeito da interferência nas eleições americanas revelaram. Diz ‘confie em nós’ ao mesmo tempo em que o alto executivo responsável pela segurança está demissionário porque acredita que a empresa deveria ser mais transparente. Diz ‘confie em nós’ ao mesmo tempo em que admite ter sido pego de surpresa pelas ações de uma empresa de marketing eleitoral com práticas de todo antiéticas. Não temos como saber qual a eficácia das táticas da Cambridge Analytica. Não temos porque não conhecemos em detalhes o que o Facebook descobriu.

Não sabemos o que o Facebook sabe. Não sabemos o que o Facebook ainda desconhece.

E o problema é o seguinte. A praça pública, aquele ambiente fundamental às democracias onde a política é debatida e os argumentos e dados que informam as opiniões circulam, é o Facebook. E, aqui no Brasil, o WhatsApp, que pertence ao Face. A praça pública é privada e opaca. Temos um problema.

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