Primeiro cardeal de Papua-Nova Guiné diz que mudança climática é um 'desastre' para o seu povo

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20 Março 2018

As pessoas do país a sudoeste do Oceano Pacífico, Papua-Nova Guiné, enfrentam graves ameaças de aumento do nível do mar causado pelas alterações climáticas, disse o primeiro cardeal do país durante uma visita a Washington esta semana.

A reportagem é de Dennis Sadowski, publicada por Catholic News Service, 15-03-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O cardeal John Ribat, arcebispo de Porto Moresby, Papua Nova Guiné, compartilhou histórias de conterrâneos que tiveram de ir para o interior das terras ancestrais ao longo do oceano porque o mar havia subido e inundado suas casas.

O mesmo vale para centenas de ilhazinhas ao longo da bacia do Pacífico, disse, ontem, ao Catholic News Service, antes de uma visita ao Capitol Hill para pedir ações de proteção ao meio ambiente e contenção das mudanças climáticas.

Houve um aumento do nível do mar nas últimas décadas, ultrapassando áreas baixas na pequena ilha e também em grandes massas de terra. Os cientistas atribuem o aumento no nível do mar ao derretimento das calotas polares, devido ao aumento do efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis na atmosfera da Terra, causando o aquecimento do planeta.

"Nós somos responsáveis por nos expressar em relação a isso... Se nada está acontecendo para nos ajudar, o nosso povo vai se deparar com desastres", disse o cardeal Ribat. A Igreja Católica deve acompanhar as pessoas que enfrentam qualquer tipo de dificuldade, acrescentou.

Desde sua nomeação como o primeiro cardeal do país em 2016, Ribat tem concentrado grande parte do seu ministério em questões da mudança climática. Para ele, o meio ambiente é a questão mais importante que a Igreja Católica papuana tem de abordar por causa dos riscos que milhares de pessoas enfrentam no país de 8 milhões de habitantes.

"Estamos acompanhando as pessoas", disse o cardeal, considerando a questão das mudanças climáticas um assunto de família que conecta as palavras da exortação apostólica do Papa Francisco sobre a família, "Amoris Laetitia” e sua encíclica sobre a relação humana com o ambiente, "Laudato Si'".

"A questão para nós é que as famílias estão sofrendo", disse o cardeal Ribat. "São elas que estarão em situação mais delicada."

A elevação do nível do mar está afetando ilhas do Pacífico Ocidental, e o cardeal Ribat, que é presidente da Federação de Conferências Episcopais Católicas da Oceania, disse que seus colegas bispos concordam que é necessária uma ação imediata para ajudar as pessoas que estão tendo de se realocar.

"A maior parte das ilhas está em perigo", disse ele numa audiência na Universidade Católica da América, na terça-feira.

A água potável também está em risco, disse. Os poços em algumas comunidades têm sido infiltrados por água do mar, causando um aumento da salinidade, e algumas pessoas tiveram de abandonar os jardins tradicionais, disse ele.

O cardeal Ribat chegou nos EUA para falar sobre o impacto ambiental das mudanças climáticas na paróquia de São Inácio de Loyola, em Nova York, no dia 12 de março. Membro dos missionários do sagrado coração de Jesus, ele também recebeu um prêmio da paróquia pelo seu empenho na defesa dos princípios da espiritualidade jesuíta em seu ministério.

Ele decidiu fazer uma parada no Capitol Hill, onde, segundo ele, tinha esperança que as histórias dos desafios climáticos que estão confrontando as pessoas influenciassem membros do Congresso a agir para proteger o meio ambiente.

O cardeal também expressou preocupação com o fato de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter se comprometido a retirar o país do acordo de Paris sobre o clima firmado em 2015.

"Sair do acordo é não perceber a nossa luta", explicou. "Acho que eles não têm plena consciência dos custos disso. É muito difícil para nós entender a saída do presidente. Nós somos as vítimas do que está acontecendo."

Papua-Nova Guiné é um país predominantemente cristão. Cerca de 27% de seus habitantes são católicos e 70% protestantes. O restante siga o Baha'i, o Islã ou religiões indígenas.

A visita do cardeal Ribat foi coordenada pela Franciscan Action Network, pelo Movimento Católico Global pelo Clima, pelo Catholic Climate Covenant, pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos e pela Faculdade de Teologia e Estudos Religiosos da Universidade Católica.

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