É assim que a tecnologia em casa ameaça a nossa privacidade

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03 Março 2018

"A privacidade, na verdade, não está morta: simplesmente há alguém que gostaria muito que assim fosse. Cabe a nós cuidar de sua saúde. E uma maneira de fazer isso é ter em mente que há sempre mais do que uma maneira de disponibilizar uma determinada tecnologia. Cabe a nós, coletivamente pedir que sejam escolhidas maneiras que maximizam o bem-estar geral, e não o interesse econômico de poucos".

A opinião é de Juan Carlos de Martin, engenheiro, escritor e professor de Ciências da Computação e Cultura Digital no Instituto Politécnico de Turim, em artigo publicado por La Repubblica, 28-02-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

A compra da Ring - empresa que produz campainhas para a casa e câmeras domésticas – por parte da Amazon deve nos fazer refletir sobre o caminho que fizeram os computadores desde o nascimento dos primeiros PCs, agora há mais de 40 anos. Desde aquele caixotão colocado sob a mesa, o computador se transformou em portátil, e assim chegou mais perto do nosso corpo. Com o advento do smartphone, o computador ficou ainda mais próximo, enquanto que com os "relógios smart" está sendo dado mais um passo: agora é o computador constantemente em contato com o nosso corpo e, portanto, capaz de medir em tempo real os parâmetros corporais, como os batimentos cardíacos. Essa crescente intimidade física com os nossos computadores, além de possibilitar futuros desenvolvimentos úteis, desde já apresenta preocupações significativas de privacidade. Os dados recolhidos, na verdade, não só são dizem respeito a aspectos muito sensíveis de nossas vidas, mas também são sistematicamente transmitidos para os computadores de empresas que fabricam os dispositivos e os "app".

Isso não é tudo, porém. Junto com a progressiva aproximação com o nosso corpo do computador, está se somando a tendência de instalação de mais PCs, mas dessa vez na privacidade das nossas casas. Eles podem ser campainhas "smart" como as da Ring (eventualmente destinadas a abrir a porta para o entregador da Amazon), mas são principalmente produtos como o Alexa, da Amazon, objetos de design agradável, que são computadores conectados à Internet e equipados com "voz", "olhos", "ouvidos" e outros sensores. O objetivo é estar constantemente presente na intimidade da vida doméstica, oferecendo alguns serviços de maneira mais intuitiva do que seria possível com os smartphones. Esses novos dispositivos, de fato, podem aceitar comandos de voz e, portanto, enquanto você circula pela casa, pode-se pedir, por exemplo, para ouvir uma determinada música ou comprar um produto online. Além disso, podem controlar a temperatura ambiente ou abrir a porta da frente para receber um pacote.

Com o avanço da tecnologia, esses dispositivos têm o potencial de tornar a nossa vida doméstica um pouco mais confortável. Mas devemos nos perguntar, antes da sua adoção em massa, sobre as implicações de ter dispositivos na intimidade das nossas casas que podem controlar aspectos físicos, como as portas ou gravar tudo o que acontece ao redor deles e o enviar para computadores remotos de propriedade da empresa que produziu o dispositivo. Em troca de um pouco mais de conforto, estamos prontos para permitir a gravação em grande escala da nossa vida doméstica? Já paramos para pensar sobre as implicações de ter gravações íntimas acessíveis não só pelas autoridades, mas também para mal-intencionados caso furassem as defesas cibernéticas das empresas? Se forem serviços que nos interessam, porque não sugerir uma abordagem alternativa? Uma abordagem que minimiza tanto os recolhimentos de dados, como sua transferência para fora do dispositivo. Seria tecnicamente viável.

A privacidade, na verdade, não está morta: simplesmente há alguém que gostaria muito que assim fosse. Cabe a nós cuidar de sua saúde. E uma maneira de fazer isso é ter em mente que há sempre mais do que uma maneira de disponibilizar uma determinada tecnologia. Cabe a nós, coletivamente pedir que sejam escolhidas maneiras que maximizam o bem-estar geral, e não o interesse econômico de poucos.

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