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16 Fevereiro 2018

“O que importa, para começar, é tomar consciência da opressão e dominação social, econômica e política histórica das mulheres – como grupo humano – por parte dos homens no seio do patriarcado, que é um modelo de construção social e não uma contestação reativa de um grupo de mulheres”, escreve Sandra Saidman, coordenadora da Área Gênero da Associação Pensamento Penal, em artigo publicado por Página/12, 15-02-2018. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

No salão de beleza, uma jovem de uns 20 anos conta para outra com mais ou menos a mesma idade que tinha vontade de cortar o cabelo curto, mas que o noivo não a permite.

Enquanto aguardo no banco, escuto uma mulher que se queixa com outra porque o filho, que tem 27, levou uma calça para ela costurar. A mulher diz que ele tem mulher, que quem tem que costurar é ela.

Na fila do caixa, antes de umas 6 pessoas, há um casal jovem. Ela, maltrapilha e extremamente magra. Não levanta a cabeça. Chega a vez deles, retira o dinheiro, ele instantaneamente e de forma brusca arranca dela. Ela não diz nada. Os dois pequeninos que estão com eles olham.

Minha amiga não pode ir almoçar conosco porque o marido não cozinha e é necessário atender aos pequenos.

São fatos que presenciei nos últimos dias, mas qualquer pessoa que se colocou a pensar nas estruturas de poder dos homens sobre as mulheres poderia relatar muitos outros.

Assim como a desigualdade estrutural – econômica – e porque a integra, a desigualdade de gênero está introduzida em nós. E ainda que às vezes nossa endogamia nos faça acreditar que a igualdade – leia-se feminismo – está ao virar da esquina, as violências diárias para as mulheres nos devolvem de supetão à realidade.

Há aqueles que dizem que não é trabalho nosso – o das mulheres – buscar as razões das violências, nem nos dedicar de modo algum à reeducação do/a machista. Não penso desse modo.

É bem certo que nossa primeira tarefa é nos cuidar e nos defender. E assim temos feito de diferentes formas, em distintos âmbitos, porque o perigo é sempre iminente. Os números dizem o suficiente e assustam. E ainda que os pressupostos para programas de proteção e assistência às vítimas sempre sejam insuficientes pela falta de decisão política, neste sentido, as leis e o trabalho militante das organizações estão e se tornaram visíveis.

Na chave de Araceli (ainda que não tenho marido): sou feminista porque tenho dois belos filhos, também feministas, ainda que não tenham nascido assim. Cresceram e se formaram como feministas, na responsabilidade compartilhada e no respeito às decisões sem distinção de gênero.

Nem o noivo da jovem do salão de beleza, nem o jovem que leva a calça descosturada para a mãe, nem ela, nasceram machistas. Tampouco a senhora do caixa ou minha companheira, ou esses homens. Porque nós, mulheres, podemos ser machistas e os homens, feministas.

Porque o que importa, para começar, é tomar consciência da opressão e dominação social, econômica e política histórica das mulheres – como grupo humano – por parte dos homens no seio do patriarcado, que é um modelo de construção social e não uma contestação reativa de um grupo de mulheres.

Somos construídos como pessoas em um sistema basicamente injusto, no qual, é inegável, nós, mulheres, viemos pagando bem caro.

É necessário reeducar. Porque nenhum jovem nasce machista, forma-se como tal. E porque aqueles que estão, continuarão educando na desigualdade, transmitindo opressão e violência.

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