Ex-presidente irlandesa é impedida de falar no Vaticano

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03 Fevereiro 2018

A ex-presidente irlandesa Mary McAleese foi impedida de participar de uma conferência feminina no Vaticano, fazendo com que os organizadores mudassem o evento para outro local.

A reportagem é de Charles Collins, publicada por Crux, 02-02-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Chantal Götz, diretora-gerente da Voices of Faith, diz que McAleese não foi aprovada pelo cardeal estadunidense, irlandês de nascimento, Kevin Farrell, chefe do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida do Vaticano.

“O cardeal Farrell me devolveu a lista dos nomes que ele dera permissão. Mary McAleese e outros dois nomes não estavam nela”, disse ela ao Irish Times. “Infelizmente, esforços infrutíferos foram feitos para que o cardeal mudasse de ideia.”

Um dos nomes recusados era o de Ssenfuka Joanita Warry, uma ativista LGBT católica lésbica ugandense.

Götz disse que ficou “surpresa e decepcionada” com a decisão.

“Com o Papa Francisco, um autêntico diálogo respeitoso teve um impacto muito positivo na vida da Igreja. Acreditamos que esse evento está nesse espírito”, disse.

Ao invés de excluir os palestrantes, os organizadores mudaram o evento para a sede dos jesuítas, nos arredores do Vaticano.

De acordo com uma correspondência vista pelo jornal Irish Independent, Farrell opôs-se ao apoio público de McAleese aos direitos gays, embora Götz tenha dito ao Crux: “Nós não sabemos por que eles foram rejeitados”.

Um porta-voz de McAleese disse ao Crux que a ex-presidente escreveu ao papa sobre o assunto e atualmente está aguardando uma resposta, e que ela não fará mais nenhum comentário neste momento.

McAleese disse recentemente que o Encontro Mundial das Famílias programado para ocorrer em Dublin neste ano deveria ser “aberto a todos”, incluindo os católicos LGBT.

“Por exemplo, os católicos LGBTI e suas famílias que, de boa-fé, participaram do encontro de 2015 realizado na Filadélfia relataram que experimentaram uma hostilidade traumatizante. A Irlanda pode fazer e, espero, fará melhor do que isso”, disse a ex-presidente ao Irish Independent em 31 de janeiro.

Depois de receber a notícia de que Farrell se opusera a McAleese para participar do evento, os organizadores pediram que ela fizesse o discurso principal, que será intitulado “Chegou a hora da mudança na Igreja Católica”.

O encontro do Voices of Faith tem ocorrido no Dia Internacional da Mulher (8 de março) na Casina Pio IV do Vaticano – a sede das Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais – desde sua primeira edição, em 2014.

Os encontros são descritos como momentos de “troca de experiências” e visam a permitir que mulheres de diferentes origens compartilhem suas experiências.

Götz disse que nenhum palestrante já enfrentou objeções do Vaticano antes deste ano.

Ela disse que os membros do Voices of Faith “apoiam plenamente” a decisão de mudar o local do evento “para garantir que essa plataforma seja aquela em que as vozes das mulheres possam ser ouvidas pelo bem da Igreja”.

O Voices of Faith é copatrocinado pela Fundação Fidel Götz e, de acordo com seu sítio, “visa a reunir lideranças do Vaticano com a comunidade católica global, para que possam reconhecer que as mulheres têm experiências, habilidades e dons para desempenhar um papel de liderança total na Igreja”.

Apesar da mudança de local, Götz disse que espera que as autoridades do Vaticano ainda participem do evento.

“Nós os convidamos para se unirem a nós, para ouvir o testemunho das mulheres a partir de vários caminhos da vida. As mulheres que falarão são cheias de fé, corajosas e altamente qualificadas. Ouvi-las profunda e respeitosamente fortalecerá a nossa Igreja e nos ajudará a realizar a obra do Evangelho de forma mais eficaz”, afirmou.

Embora o Voices of Faith diga que tem o objetivo de incluir opiniões diversas, os críticos lamentam que os palestrantes provêm principalmente da esquerda e do centro, e não oferecem uma voz adequada para as mulheres católicas conservadoras.

A objeção vaticana a McAleese ocorre poucos meses antes que o Papa Francisco visite a Irlanda para o Encontro Mundial das Famílias, que ocorrerá de 21 a 26 de agosto em Dublin.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida supervisiona o evento, que é esperado enquanto o país enfrenta alguns dos maiores desafios à sua identidade católica.

A República da Irlanda está preparando um referendo em maio ou junho sobre a remoção da sua proteção constitucional para os nascituros, logo antes da visita do papa.

Em 2015, o país votou pela aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo em outro referendo, uma mudança que McAleese apoiou.

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