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12 Janeiro 2018

"Breves lições de doutrina social", o cientista político e jesuíta Bartolomeo Sorge acompanha, a partir de Leão XIII, as intervenções mais significativas do magistério sobre o tema.

A reportagem é de Filippo Rizzi, publicada por Avvenire, 10-01-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um manual para colocar em prática a Doutrina social da Igreja

Um breve, mas eficaz manual para repensar, e também para implementar com conselhos ágeis e pontuais a Doutrina Social da Igreja: do Papa Leão XIII até o Papa Francisco. É a intenção declarada com a qual o jesuíta e ex-diretor da Civiltà Cattolica, e Aggiornamenti Sociali, Bartolomeo Sorge, nascido em 1929, desde o prefácio de seu último ensaio Brevi lezioni di dottrina sociale (Queriniana, pág. 224, € 15) convida os leitores a ler novamente - seguindo a trilha indicada pelo Papa Bergoglio - o magistério da Igreja sobre questões-chave, tais como: a família, o direito à vida, o personalismo cristão, os princípios não-negociáveis, a criação e o papel do laicato na política.

O jesuíta amigo de Paulo VI

Padre Sorge neste livro acompanha indiretamente o seu século XX, manifestando sua admiração por Paulo VI que o quis no comando, desde 1973, da revista La Civiltà Cattolica. No ensaio, o autor menciona o fio condutor - basta pensar em documentos como as Exortações Apostólicas Evangelii nuntiandi e Evangelii gaudium - entre Paulo VI e Bergoglio. Mas o religioso não deixa de recordar os grandes documentos de Pontífices como João Paulo II e Bento XVI, que nunca esqueceram em seus pronunciamentos mais importantes de dar voz a quem não tem voz: basta reler - é a sugestão de Sorge - as encíclicas de 1981 e 2009 Laborem exercens ou Caritas in veritate. Textos - na opinião do cientista político jesuíta que foi um dos principais redatores da encíclica social de Paulo VI em 1971, Octogesima adveniens - que com grande antecipação em relação aos tempos de hoje denunciaram os males da uma globalização sem regras. Uma parte substancial do livro - e certamente não é uma coincidência - é dedicada à Exortação Apostólica de Francisco Amoris laetitia (2016) e o olhar amplo e misericordioso do Papa sobre as muitas famílias fragmentadas de hoje.

A leitura dessas páginas, inevitavelmente, leva de volta para questões apaixonantes como o bem comum e a escola de formação política empreendida justamente por Sorge em Palermo, no Instituto Arrupe, na década de 1990. O padre Sorge revisita eventos e memórias dos principais momentos da Igreja italiana, que tentaram sacudir o catolicismo empenhado e seu laicato: da Convenção da Diocese de Roma, de 1974 até o encontro eclesial nacional de Loreto (1985) com sua "escolha religiosa" (defendida pelos cardeais Martini e Ballestrero) e depois os de Palermo (1995) e Verona (2006). Significativas são as páginas que o padre Sorge dedica a uma figura hoje pouco conhecida, mas muito marcante pelo seu estilo de testemunho cristão: o secretário da CEI, o arcebispo toscano Enrico Bartoletti (1916-1976). O autor finalmente diz estar convencido que só recuperando e atualizando a leitura dos "sinais dos tempos" traçada pelo Concílio Vaticano II e pelo estilo sinodal proposto pelo Papa Francisco em seu discurso no Congresso eclesial de Florença (2015) será possível recomeçar a partir de uma "Igreja mãe" que, nas palavras de Bergoglio, tenha condições de "acompanhar", "afagar” e “compreender” a vida de cada batizado, real fermento e sal para toda a “sociedade civil".

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