Francisco, política, justiça e a missão dos leigos. Entrevista com Bartolomeo Sorge

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27 Abril 2016

O padre Bartolomeo Sorge, ex-diretor da revista La Civiltà Cattolica e diretor emérito da revista Aggiornamenti Sociali, foi uma das personalidades mais proeminentes do catolicismo italiano nos anos 1980 e 1990, quando, durante uma década, de 1986 a 1996, dirigiu o Instituto de Formação Política "Pedro Arrupe", em Palermo, o laboratório cultural e político a partir do qual surgiu a chamada "primavera de Palermo", de Leoluca Orlando e da sua "Rede", aliança orgânica entre catolicismo democrático político e forças de esquerda (que depois confluiu, em 1996, no Ulivo, de Romano Prodi).

A reportagem é de Francesco Inguanti, publicada no sítio Il Sussidiario, 26-04-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Pe. Sorge recentemente proferiu uma conferência em Palermo sobre "Papa Francisco: misericórdia, justiça e missão dos leigos", na qual formulou um julgamento muito severo sobre a crise italiana. Contatamo-lo para um aprofundamento.

Eis a entrevista.

Pe. Sorge, o senhor define a crise italiana, ao mesmo tempo, como estrutural e cultural. Qual é a raiz?

Ela está em um processo que pôs em crise a democracia representativa, ou seja, o fato de que hoje não se acredita mais no valor da representação. E isso vale não só para os partidos, mas também para os sindicatos, que estão em crise profunda, porque a verdadeira política, a com "P" maiúsculo, é a democracia participativa, aquela em que cada um, segundo as próprias possibilidades, colabora com o bem comum.

 A Itália tem uma longa tradição social e política fundamentada na existência e na ação de organismos intermediários, mas estes foram objeto de uma lúcida demolição a partir já de 1922, na busca de uma relação direta entre cidadãos e política. Eles ainda são úteis?

Os organismos intermediários são fundamentais, não é possível passar por cima deles. Essa é a tentação do populismo e da antipolítica, que são as duas doenças mais graves da política. Assim ouvimos alguns dizerem: "Se a magistratura me persegue, não importa, porque, se o povo vota em mim, o povo é soberano, e eu devo responder a ele". Ou, outro exemplo: "No Parlamento, perde-se tempo. Vamos nos encontrar em um restaurante de Roma, nós três ou quatro, e decidamos, e depois os outros votam". Assim, os deputados são reduzidos a notários: devem fazem somente aquilo que o secretário [o primeiro-ministro] impõe. Aldo Moro tinha intuído tudo isso e, não por acaso, falava de "terceira fase". Era preciso chegar – ele dizia – à democracia participativa, de modo que cada cidadão possa dar aquilo que puder à política; mas esta é a cidadania ativa da qual os partidos ainda precisam.

Mas os partidos também mudaram.

Os partidos são necessários, mas aqueles de antes eram ideológicos: havia o secretário de cima que dava as diretrizes, e, na periferia, era necessário apenas se adequar. Isso não pode funcionar. É preciso começar de novo a partir das cidades: não se pode decidir em Roma aquilo que se deve fazer em Palermo. Mas é preciso participar, e, portanto, há essas passagens intermediárias que são necessárias. Por exemplo: o voto de confiança pode ser entendido em certas circunstâncias, mas não pode ser um hábito. Voltando a Moro, devemos admitir que não conseguimos iniciar uma terceira fase, que preveja a passagem para a democracia participativa ou para a democracia madura. Se os eleitores consideram inútil aquilo em que votam porque outros decidem, isso é deletério.

O quanto pode ajudar, nesse ponto, a iminente reforma constitucional submetida a referendo?

Não se pode reformar um ponto se não for reformado o sistema inteiro. Mudar uma roda de uma engrenagem não é suficiente, se não se põe a mão em todas a engrenagem. Eu acredito que a simplificação de uma única Câmara era necessária; eu entendo que o bicameralismo nasceu em contraposição aos problemas causados pelo fascismo, mas hoje não é possível que, para mudar uma palavra de uma lei, seja preciso voltar ao voto da outra câmara. Agora, trata-se de ver se os contrapesos funcionam, portanto, também as outras reformas que deverão ser feitas, a relação com as regiões, as competências etc.

O senhor contrapõe aos dois males piores, o populismo e a antipolítica, a boa política. Mas como se faz para reconhecer se uma política é "boa"?

Na minha opinião, é suficiente ater-se os quatro critérios que o Papa Francisco indica na Evangelii gaudium. Eu os cito apenas para a memória de todos: o tempo é superior ao espaço; a unidade prevalece sobre o conflito; o todo é superior à parte; a realidade é mais importante do que a ideia. Essas indicações, que, obviamente, não devem ser tomadas de modo rígido ou esquemático, podem ser mais bem compreendidas com o termo "glocal", isto é, abordar os problemas locais em uma ótica cada vez maior.

Significa que, se estamos em Palermo, é preciso pensar ao menos no contexto italiano ou europeu. Cuidando para lembrar que não basta enfrentar os problemas imediatos, mas também é preciso iniciar processos que sirvam para uma resolução radical dos problemas. Nesse sentido, é importante conjugar, juntos, subsidiariedade e solidariedade, para valorizar a todos e não deixar ninguém para trás.

O senhor expressou no início do mandato de Renzi [primeiro-ministro italiano] um julgamento, no fim das contas, positivo, ao menos para as expectativas que ele tinha acendido no país. Ainda é dessa opinião?

Eu digo, acima de tudo, que, no momento, não me parece haver um substituto, porque para mudar também é preciso alguém à altura da tarefa que deve desenvolver. Certamente, com o caráter um pouco duro que ele tem, não se criam muitos consensos, mas ele é o único que mudou algumas coisas. Portanto, antes de jogá-lo ao mar... É preciso dizer que ele abriu muitas expectativas, começando pela da reformulação [rottamazione]. Só que combater com uma maioria que não é sua (as eleições foram vencidas pelos bersanianos) não é fácil; no entanto, ele ainda tem algumas coisas que ele pode dar para a Itália. Certamente, a comparação com Moro ou De Gasperi não se sustenta. Eles eram estadistas de outra natureza e estatura capazes de obter o respeito dos outros e dos adversários, que reconheciam as suas capacidades e o seu valor. Ele não é precisamente assim, mas, no momento, não há nada melhor.

A queda da Primeira República nos tinha prometido o fim à corrupção. No entanto, pontualmente, aqui estamos nós de novo. Há quem se irrite com os juízes, e quem se irrite com os poderes fortes. Mas por que é tão difícil administrar, no pequeno assim como no grande, com correção?

É toda uma questão de formação. Nós, na Itália, temos uma cultura política deteriorada. Outras nações têm no sangue (embora com os escândalos que possam acontecer) a cultura da boa administração. Nós estamos sempre em busca do amigo que pode nos ajudar ou favorecer. Trata-se, em vez disso, de começar de baixo, a partir da escola, por exemplo. A Igreja também pode ajudar na formação das consciências. Essa atitude não diz respeito apenas à política, mas à vida cotidiana, às relações familiares, profissionais, sociais, até mesmo ao modo em que se fazem os exames. Esse é o limite da Itália, que, depois, em democracia, se paga.

Alguns dizem que o único remédio é a lei. Mas pode uma lei, embora bem feita, gerar o homem novo, capaz de não se submeter à chantagem da corrupção?

A lei é um instrumento e, como tal, serve para quem a tem em mãos. Para fazer um bom médico, não basta um bom bisturi. Se assim fosse, então... O poder também não deve ser demonizado, porque, sem poder, não posso fazer nada. Se eu devo mudar, devo ter o poder econômico, político, moral. O problema é que o poder é um instrumento. Se eu, como político, busco o poder para fazer política, eu preciso dele. Se, em vez disso, eu faço política para buscar o poder, inverte-se o caminho. E é isso que está acontecendo. A lei nunca poderá substituir o homem. Posso dar um exemplo?

Por favor.

Em uma entrevista que eu concedi a Walter Tobagi uma semana antes que o matassem, eu disse, com referência ao mundo católico, que, na Itália, há muitas energias, mas faltam as estruturas. Entre a água e os canais, é mais importante que haja a primeira, em vez dos segundos, porque os canais sem água não servem para nada, enquanto a água correndo entre os canais irriga por toda a parte. Se, depois, no entanto, os canais se obstruem, a água abre caminho e, no fim, chega ao seu destino. Nós demos mais importância aos canais, isto é, às leis, do que à água, isto é, as ideias, os jovens etc. Além disso, as leis existem e devem existir, mas é um erro dar o primado às reformas estruturais. Pensar que, uma vez feita a reforma da escola, da saúde etc., a Itália irá bem não é verdade, porque a força principal é a água.

Além da questão da corrupção, hoje, a Itália, assim como a Europa, deve fazer as contas com a questão das grandes migrações. Os termos estão finalmente claros, mas por que a Europa não consegue encontrar unidade, nem mesmo diante desse drama, e continua girando sobre si mesma?

A minha persuasão é de que estamos diante de uma crise de valores; os valores fundadores da Europa não estão mais no primeiro lugar, e isso vale para muitas outras coisas, para tantas outras escolhas e leis aprovadas. A força ideal que tinham os grandes fundadores da EuropaDe Gasperi, Schuman, Adenauer – acabou. Partiu-se do carvão e do aço, passou-se para a economia, mas, sobretudo, o excessivo alargamento a desnaturalizou. Para mim, o verdadeiro problema do mundo globalizado é encontrar um novo humanismo. Aquele que tinha fundado a Europa era o humanismo cristão. Mas, diante da secularização, do racionalismo, do positivismo, mudou a cultura. Portanto, o humanismo cristão pode ser um componente, mas ainda não é uma síntese.

Explique-nos. Pode nos dar um exemplo?

Sim, o do Partido Democrático, que nunca nasceu. Eu considero que não existe um Partido Democrático. Era muito bonita a ideia que, depois, foi divulgada no "Manifesto dos valores do Partido Democrático" (2008), elaborado pelos PDS [Partido Democrático da Esquerda] e pelos Populares antes que se fundissem no Partido Democrático. Muitos trabalharam nele, dentre outros, eu me lembro de Scoppola, e havia conceitos muito bonitos, a partir da política como serviço. A ideia central era esta: superemos, sem reivindicar, a nossa história. Portanto, o socialismo não devia renegar a sua história, mas ir além do socialismo. E o mesmo valia para os populares, que não deviam renegar a tradição democrata-cristã, mas ir além. Naquele manifesto, havia os principais valores da nova cultura política; razão pela qual ele não era nem socialista, nem católico, nem liberal, mas era o resultado dessas três culturas que fizeram tanto pela Europa.

Mas também desse caso se perdeu a memória. Por que ele não seguiu em frente?

A carta foi aprovada, mas não foi divulgada por causa da iminência das eleições políticas de abril. Seria necessário algum tempo para pôr em circulação esse manifesto, torná-lo conhecido, compartilhá-lo com as pessoas e dar origem ao novo partido, isto é, o Partido Democrático. Como não houve tempo, preparou-se o manual Cencelli para fazer as listas, que foram apresentadas aos eleitores. Os liberais, no fim, se desfiliaram e permaneceram como PDS e PPI [Partido Popular Italiano], mas unidos e diferentes. Foi a soma de dois partidos, mas não um novo sujeito. As duas almas permaneceram pareadas, e até agora se veem os resultados. As duas almas do Partido Democrático de agora são o resultado daquele processo nunca concluído.

E hoje o que está acontecendo?

Antes, as ideologias eram modelos de sociedade: modelo socialista, liberal etc. Os católicos, não podendo se identificar com aquelas, fizeram a terceira ideologia. Terminada essa fase, o problema hoje é como realizar a casa comum. A unidade na pluralidade. A verdadeira aposta do terceiro milênio é aprender a viver unidos respeitando as diversidades de cada um: brancos e negros, ricos e pobres, gente do Sul e do Norte. Quando havia as ideologias, o problema era: vejamos qual modelo vence. Hoje, não há um modelo que vence, mas uma casa comum a ser construída. Partidos e sindicatos ainda estão apegados a modelos passados, fruto das ideologias daquele tempo. No seu interior, ainda há muitas pessoas que acreditam neles e estão comprometidos, mas não se dão conta de que não existem mais os velhos modelos. Razão pela qual o alargamento que Renzi também tenta fazer é uma necessidade. Nesse sentido, não existe o modelo Renzi, mas a necessidade de responder à pergunta: como fazemos para resolver os problemas de todos em uma ótica global?

Isso não se parece um pouco com a experiência da primavera de Palermo?

Sim, é claro. Ao menos a do início. Quando começamos, criamos um movimento em que todos estavam dentro. Tínhamos um consenso de 90%. Uniram-se todos aqueles que queriam a legalidade em Palermo.

E depois?

Eu rompi com Orlando quando ele decidiu, junto com o Pe. Pintacuda, transformar o movimento em partido. Eu respondi que não havia necessidade de um partido a mais, mas de um movimento pela legalidade, em que cada um podia permanecer com a própria ideologia, mas lutar juntos pelo objetivo comum. Depois, nascida La Rete, o consenso foi escasso, e tudo acabou.

Mas esse, de algum modo, não era o modelo da Democracia Cristã?

Certamente a do início, a de De Gasperi. Depois, houve a corrupção, e o partido acabou. Mas, no início, havia a capacidade de olhar para longe, e a Democracia Cristã conseguiu, junto com os outros, reconstruir a Itália. E é por isso que ela sobreviveu por 50 anos. Não esqueçamos, além disso, que os ideais desapareceram.

A situação em nível internacional também não está melhor. Além de uma sociedade sem pais, não construímos um mundo sem líderes capazes de querer buscar verdadeiramente a paz?

Prevalecem os egoísmos territoriais que sempre fizeram a história do mundo. Vivemos em uma sociedade sem pais e em um mundo sem irmãos; se não temos um único pai, não somos irmãos e, portanto, tornamo-nos inimigos, e o mais forte vence. É preciso voltar ao Evangelho, no sentido de reencontrar uma paternidade comum. Aqui, a religião tem uma grande tarefa. Infelizmente, houve longos séculos de uma Igreja transformada em Estado que nos arruinou. Hoje, a Igreja é um Estado entre os Estados.

Há outro tema dentre os abordados antes que diz respeito à Igreja: o da corrupção e da riqueza, contra as quais o Papa Francisco se engajou em uma batalha clara, mas também cansativa. Por que é tão difícil, mesmo a partir da hierarquia eclesiástica, aceitar viver em um contexto mais sóbrio e consoante com o próprio status?

É o resíduo da "cristandade", isto é, aquela que fez nascer Constantino, que deu origem a uma fé que se tornou ideologia, a tal ponto que a Igreja se dotou de um exército. Por que, por exemplo, além do fato folclórico, devem existir os Guardas Suíços, ou por que devem existir os núncios do Vaticano espalhados pelo mundo para anunciar o Evangelho? A Igreja se tornou um Estado. É claro, eu entendo que isso pode servir para fazer o bem, mas destoa... de todo o resto. Como a Igreja é um Estado, então é necessária a Cúria, que equivale aos ministérios. A esse respeito, eu sempre gosto de lembrar a frase de São Bernardo que diz: "O papa não é o sucessor de um imperador, mas de um pescador".

A propósito de escândalos: o Vatileaks 2 forçou a Igreja ou, melhor, o Vaticano a intervir com métodos típicos da sociedade civil: prisão, processo, condenação e, talvez, uma pena a ser paga. O senhor considera justo esse método? O senhor escreveu, a esse respeito, que olhar para o homem e os seus problemas com os olhos de Deus não é o mesmo que olhá-los com os do direito canônico.

Mais uma vez, a razão é que a Igreja é um Estado: o Estado da Cidade do Vaticano. Praticamente, ela ficou parada há 200 anos. Ainda me lembro de quando condenaram Paolo Gabriele a três anos de prisão pelo Vatileaks 1. O Presidente do Tribunal, com a pompa do caso, começou a ler a sentença dizendo: "Em nome de Sua Santidade Bento XVI, gloriosamente reinante, o Tribunal, invocada a Santíssima Trindade, pronunciou a seguinte sentença...". Senti uma facada quando ouvi que, em nome de Deus Misericordioso, condenava-se um homem. Provavelmente, essa fórmula era uma fórmula de Pio IX, o último papa rei, que não tinha sido mais usada há 200 anos... Um sobressalto da velha "cristandade". Por isso, compreendem-se certas reações da cultura laica... Era realmente necessário o Papa Francisco para se ter a coragem e a força de voltar ao Evangelho.

Nesse sentido, como o senhor julga o modo pelo qual está sendo enfrentado o problema da pedofilia?

Estamos diante de formas de decadência moral que, infelizmente, nunca faltaram na Igreja. Uma vez, havia a praga do concubinato; hoje, os tempos mudaram, mas certas chagas morais permanecem. Estas não me admiram, mas me entristecem. Além disso, o primeiro a negar Jesus foi São Pedro, a "rocha" sobre a qual foi fundada a Igreja. No entanto, mesmo nos momentos mais sombrios da sua fragilidade, na Igreja, nunca faltaram os profetas e os santos, porque Jesus é a cabeça do Corpo. Até o fim dos tempos, a Igreja nunca vai ser apenas de puros, mas sempre será composta por santos e por pecadores. Essa é uma prova da sua divindade. Como eu disse um dia a um padre que tinha atacado publicamente a Igreja, desprezando-a: se, em 2.000 anos, nem os papas nem os bispos conseguiram afundar o barco de Pedro, você pode se poupar do esforço!

Por último, a exortação pós-sinodal Amoris laetitia. O senhor sempre foi um grande e convicto defensor do debate e da escuta, sobretudo dentro da Igreja. Como avalia o método que foi utilizado?

Certamente, estamos diante de uma grande reforma, aquela que se chama de método sinodal, que o papa também repropôs ao Congresso da Igreja italiana de Florença. Antes, tudo isso não era possível. Eu sempre acredito nisso, mesmo quando, embora propondo-o, era rejeitado nos fatos. Eu tentei contar em primeira pessoa esse compromisso na última recente edição do meu livro Introduzione alla Dottrina Sociale della Chiesa [Introdução à Doutrina Social da Igreja]. Tentei reconstruir a partir dessa angulação os últimos 50 anos de vida eclesial italiana. O que emerge daí é uma divisão de uma Igreja substancialmente imóvel em relação à reforma interna. Tivemos grandes papas, não há dúvida, mas sobre essa questão estamos parados. Agora, Francisco pôs em movimento um processo. Vamos ver aonde ele vai nos levar.

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