Do auditor espião aos corvos: os sabotadores das reformas estão na mira do papa

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06 Janeiro 2018

Desde dezembro de 2014, o discurso natalício anual do papa aos cardeais e aos chefes de dicastério da Cúria Romana vira notícia por causa dos golpes, embora ditos com um rosto bondoso, que Francisco não poupa aos seus colaboradores no Vaticano.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 22-12-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas, do discurso proferido no dia 21 de dezembro na Sala Clementina, está destinado a ficar na memória a menção pública e declarada dos “traidores da confiança”, isto é, daqueles aos quais foi confiado algum papel na reforma e que se deixaram “corromper pela ambição ou pela vaidade”. E, depois de terem sido “delicadamente” afastados, apresentam-se “erroneamente [como] mártires do sistema, do ‘papa desinformado’, da ‘velha guarda’”.

A leitura mais simplificada que identifica os “bons” nos reformadores bergoglianos e os “maus” naqueles que resistem às reformas, neste caso, não se sustenta, porque, nas palavras do pontífice, lê-se a decepção por ter se sentido “traído” justamente por aqueles que receberam muita confiança.

Dois anos já se passaram desde o Vatileaks 2, o enorme vazamento de documentos que teve como protagonista o monsenhor espanhol Lucio Angel Vallejo Balda, ao qual haviam sido confiadas grandes responsabilidades e poderes na organização do aprofundado exame das entidades econômicas e administrativas vaticanas, mas que não suportou psicologicamente a não nomeação como número dois do cardeal George Pell na Secretaria para a Economia e, portanto, decidiu tornar públicas centenas de documentos reunidos justamente a fim de implementar as reformas necessárias.

O mais provável é que as palavras de Bergoglio se refiram aos casos mais recentes, acima de tudo o do auditor-geral da Santa Sé, Libero Milone, que renunciou misteriosamente em junho passado. Depois da metade do ano, Milone declarou a um grupo de jornalistas que ele não tinha renunciado espontaneamente ao cargo, mas que havia sido forçado a fazer isso, dizendo-se vítima do “velho poder”, falando de “jogos obscuros” e dando a entender que o papa não estava adequadamente informado. Uma manifestação que provocou a réplica vaticana: o auditor havia sido afastado porque, “ultrapassando as suas competências”, havia “encarregado ilegalmente uma empresa externa para desempenhar atividades de investigação sobre a vida privada de expoentes da Santa Sé”.

E o sostituto da Secretaria de Estado, Angelo Becciu, havia acrescentado: “Ele estava espionando a vida privada dos seus superiores e da equipe, inclusive eu. Se ele não tivesse aceitado renunciar, nós o processaríamos no âmbito penal”.

Outro afastamento que gerou manchetes foi o de uma alta autoridade leiga do Governatorado, Eugene Hasler, removido do seu cargo em abril. Enquanto isso, ocorreu nos últimos dias o afastamento do diretor “adjunto” do IOR, Giulio Mattietti, removido repentinamente do seu papel.

Por fim, não se pode esquecer da mudança mais marcante na cúpula da Congregação para a Doutrina da Fé, com a não reconfirmação do cardeal Gerhard Ludwig Müller, embora o prelado certamente não possa ser contado entre “as pessoas que são cuidadosamente selecionadas para dar um maior vigor ao corpo e à reforma” citadas por Francisco.

Finalmente, justamente no dia em que as palavras do pontífice foram pronunciadas, foi antecipado um artigo da revista L’Espresso, que fala de uma investigação sobre os investimentos milionários do bispo hondurenho Juan José Pineda, braço direito do cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga, coordenador do C9 dos cardeais, que colabora na reforma da Cúria. Uma investigação desejada pelo Papa Francisco.

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