Itália. Trabalhar nos feriados gera 9 bilhões de euros de receitas a mais

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19 Dezembro 2017

Antigamente era o dia do Senhor. Mas, já há algum tempo, o domingo - graças à flexibilização do comércio do governo Monti e a longa onda das compras online - tornou-se a galinha dos ovos de ouro do shopping nacional. A abertura nos dias feriados vale para um supermercado 20% de vendas a mais do que um dia de semana. Algo como nove bilhões de receitas suplementares por ano. E para isso, não há Papa Francisco (nem Luigi di Maio, parlamentar do 5Stelle contrário à abertura do comércio, ndt), que resolva: os grandes varejistas já levantaram as barricadas para salvar seu "domingo de ouro". "Obrigar a fechar seria uma loucura - desabafa enfaticamente Giovanni Cobolli Gigli, presidente da Federdistribuzione - O mundo mudou. A Amazon e os sites de e-commerce estão abertos 24 horas por dia, sete dias por semana". As compras on-line estão crescendo em um ritmo vertiginoso (+ 28%, 12,2 bilhões em 2017), ou seja, 5,7% dos gastos dos italianos e isso não vai mais parar.

A reportagem é de Ettore Livini, publicado por Repubblica, 14-12-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Se nos quiserem bloquear - declara polêmico e paradoxal Mario Resca, diretor da Confimprese - então devem fechar também bares e restaurantes, aeroportos e rodovias".

No sétimo dia, diz o Evangelho, até mesmo Deus descansou. Na Itália não é mais assim. O domingo é um dia como outro qualquer para 4,2 milhões dos nossos concidadãos, obrigados a bater o ponto como se fosse uma segunda-feira.

São mais de 688 mil atuando no setor do turismo e alimentação e muitos na administração pública (médicos, bombeiros e soldados). Os trabalhadores "forçados" do comércio aos feriados são 579 mil "40% dos quais voluntários", garante Cobolli Gigli e pagos, por contrato, em média 30% a mais. Vale a pena? Sim, afirmam os interessados diretos. Domingo é o dia mais proveitoso da semana tanto para o comércio "físico" como para aquele on-line e corresponde a cerca de 17% das vendas semanais.

"Gera consumo, empregos e receitas fiscais", resume Resca "e, no caso dos outlets também um maior desenvolvimento regional", confirma Daniela Bricola, diretora de um desses shoppings (6,4 milhões de clientes por ano), onde no domingo registra uma frequência 26% maior que a média. Logo, em um mundo baseado no consumo, não pode ser excluído do calendário comercial. Em outros lugares, no fundo, a situação é até pior: na Suécia, 47% dos funcionários trabalham regularmente nos feriados, a média na UE é de 30%, enquanto na Itália estamos em 24%. Mais do que a Alemanha (22%), que conseguiu manter uma economia saudável santificando os feriados mais do que os outros países. Não que isso seja uma coincidência. A Hungria aboliu por decreto em 2015 o trabalho aos domingos, voltando atrás doze meses mais tarde para evitar um referendo convocado pelos consumidores revoltados. O ano sabático passou, no entanto, sem as repercussões negativas vaticinadas pelas aves do mau agouro: os consumos aumentaram, os gastos distribuíram-se nos outros dias da semana e o único aspecto negativo foi a perda de 3 mil empregos no setor.

Estatísticas que convenceram a católica Polônia nas últimas semanas a aprovar a proibição do trabalho festivo, por proposta de lei do Solidarnosc.

Contra a liberalização remam também as lojas (o caldo de cultura onde o partido 5Stelle visa angariar apoios) que pagaram um preço altíssimo para a conjuntura astral entre liberalização e crise econômica: a desregulamentação dos feriados – defende a

Confesercenti – transferiu para as grandes empresas 7 bilhões de vendas, causando a queda de 29,8% para 26,8%, da proporção das pequenas e obrigando 96 mil pequenos comerciantes a fechar suas portas entre 2011 e 2016. Também para eles o domingo, hoje, é um dia como outro qualquer. Sem trabalho.

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