Sindicalistas do mundo no Vaticano, com um aceno para a Argentina

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15 Novembro 2017

Sindicalistas do mundo no Vaticano, sob a pergunta: “Por que o mundo do trabalho continua sendo a chave do desenvolvimento no mundo global?”, com mais de 200 representantes de organizações sindicais de 40 países, irão se reunir na Aula Nova do Sínodo, nos dias 23 e 24 de novembro. O encontro é convocado pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o organismo criado no atual pontificado e que conduz algumas das iniciativas que mais agradam a Francisco.

A reportagem é publicada por Vatican Insider, 14-11-2017. A tradução é do Cepat.

Conduzido pelo cardeal africano Peter Turkson, esse dicastério está afinando os últimos detalhes da reunião que terá como título: O trabalho e o movimento dos trabalhadores no centro do desenvolvimento humano integral, sustentável e solidário. Esse mesmo organismo vaticano acaba de organizar um simpósio internacional sobre armas nucleares, com a presença de 11 prêmios Nobel da Paz, entre eles o argentino Adolfo Pérez Esquivel.

Antes, o dicastério se envolveu na convocação dos históricos encontros do Papa com os movimentos populares. Reuniões que permitiram a Francisco marcar linha sobre a reivindicação dos três “T”: terra, teto e trabalho. Juan Grabois, referência do Movimento dos Trabalhadores Excluídos, colabora assiduamente com essa seção vaticana e com o cardeal Turkson.

Seguindo essa linha, esta convocação a sindicalistas busca “gerar espaços de encontro e reflexão entre organizações sindicais das diferentes regiões do mundo”. Segundo os organizadores, “referências, líderes e representantes de trabalhadores e sindicais do mundo” vão “debater e compartilhar experiências significativas das organizações sindicais e acordar compromissos para a construção de uma sociedade baseada na dignidade das pessoas e dos povos”.

“Este encontro se dá no marco da celebração dos 50 anos da publicação da encíclica Populorum Progressio do Papa Beato Paulo VI sobre o Desenvolvimento dos Povos e do convite do Papa Francisco na encíclica Laudato Si’ para cuidar de nossa casa comum, que inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento humano sustentável, integral e solidário”, acrescentaram.

Em um contexto de efervescência política na Argentina, observadores olham de esguelha esta reunião. Uma convocação de origem eclesiástica, muito mais simbólica. Entre os convidados argentinos destacam Héctor Daer, secretário geral da Associação de Trabalhadores da Saúde Argentina; Pablo Micheli, secretário geral da Central de Trabalhadores da Argentina Autônoma; Norberto Di Próspero, secretário geral da Associação do Pessoal Legislativo; Omar Viviani, chefe do Sindicato de Motoristas de Taxis; Abel Frutos, titular da Federação Argentina e União do Pessoal de Padarias e Afins (Fauppa) e Roberto Baradel, secretário geral do Sindicato Unificado de Trabalhadores da Educação de Buenos Aires. A lista daqueles que efetivamente participarão ainda está se configurando.

Pablo Moyano, secretário adjunto do Sindicato de Motoristas de Caminhões e referência da CGT poderá aceitar o convite, ainda que em um primeiro momento não o haviam convidado. Mas, ele tem seu próprio canal aberto com o Papa. Há apenas alguns dias, esteve em Roma acompanhado por uma delegação de sua associação. Participou, na primeira fila, da audiência pública papal e, ao terminar a missa, Francisco passou com seu grupo mais de 12 minutos. Trocou saudações e gestos. Quando o Pontífice lhe perguntou como estava seu pai e como andavam as coisas, Moyano lhe respondeu: “Estamos lutando contra a reforma trabalhista que vem”.

Nesse mesmo dia, quarta-feira, 8 de novembro, a delegação de caminhoneiros foi recebida na Casina Pio IV, a sede da Pontifícia Academia das Ciências, localizada no coração do Vaticano. Os sindicalistas ingressaram pela Porta de Santa Ana e percorreram o território do Estado Pontifício em meio a uma sugestiva penumbra. Nem todos conseguem conhecer as ruas empedradas da colina vaticana de dia, muito menos à noite.

Eles tinham um convite para jantar na Casina, para homenagear o catador Maximiliano Acuña, que perdeu as pernas em um trágico acidente e que sobreviveu graças a um pacto com Deus, segundo ele mesmo conta. Ali, foram recebidos pelo “dono” da casa, o chanceler das Academias, Marcelo Sánchez Sorondo. Ao lado deste arcebispo argentino, em uma longa mesa onde estavam os 30 comensais, colocou-se Gustavo Vera, referência da organização La Alameda e amigo de velha data de Jorge Mario Bergoglio.

O Papa havia ficado satisfeito com sua saudação aos caminhoneiros, especialmente pelo abraço em Acuña. Assim chegou a Vera. O jantar na Casina transcorreu entre fotos das lembranças, histórias de vida, brindes à saúde de Francisco e preocupação com a realidade argentina. Com um risoto amanteigado e carne assada no menu.

Poucas horas antes, de Roma, Moyano precisou intervir sobre o projeto de reforma trabalhista na Argentina, diante de rumores que a Confederação Geral do Trabalho, da qual é secretário, havia chegado a um consenso com o governo. Mediante um comunicado, que redigiu na capital italiana, menosprezou essas versões e afirmou que “cortariam as mãos” antes de “assinar uma reforma contra os trabalhadores”.

Nesse contexto de tensão, entre os sindicalistas mais propensos ao acordo com o governo e aqueles que se opõem de cheio à reforma que propõe a administração do presidente Mauricio Macri, aquela frase de Moyano ao Papa ecoou mais em Buenos Aires que na Praça São Pedro. Logo virão outros gestos. Nesta quinta-feira, 16 de novembro, está previsto um novo encontro com os mesmos protagonistas. Desta vez, na sede da CGT da capital argentina. Sánchez Sorondo será agora hóspede de Moyano, com Vera novamente como testemunha.

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