Uruguai. Espiritualmente ligados à Terra, Charruas querem reconhecimento

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Por: Lara Ely | 15 Novembro 2017

Depois da Argentina passar por uma situação de embate na luta pela terra dos mapuches, com grande mobilização nacional e internacional pelo desaparecimento e morte do ambientalista Santiago Maldonato, agora é a vez dos indígenas uruguaios cobrarem a sua conta. Sistematicamente atacada e dizimada ao longo de séculos, a etnia oriunda da banda Oriental do Uruguai, pampas argentino e sul rio-grandense soma duas mil pessoas, embora não seja reconhecida pelo país. De acordo com a história oficial, os índios tornaram-se extintos em 1831.

Para além das evidências culturais e tradições atribuídas aos gaúchos que derivariam dos indígenas, como o churrasco de carne na grelha e o chá de erva-mate, estudos genéticos realizados desafiam a crença popular de que o Uruguai foi exclusivamente povoado pelos “descendentes dos navios”, principalmente vindos da Espanha e da Itália, comprovando a existência de índios. Além do Uruguai, estão presentes no Rio Grande do Sul e na província argentina de Entre Rios.

Embora o país se considere o único da América Latina sem população indígena, grupos de ativistas reivindicam que os povos originais nunca se extinguiram. O principal deles é o Conselho da Nação Charrúa do Uruguai - Conacha, atualmente composto por 10 organizações e comunidades de diferentes partes do Uruguai.

Entre os seus principais objetivos está o reconhecimento da atual população indígena, a ratificação da Convenção 169 da OIT (que compreende especificamente os direitos dos povos indígenas e tribais) e aumentar a visibilidade da questão indígena, alcançando o aumento de auto identificação indígena no Uruguai.

Segundo o censo oficial de 2011, cerca de 160 mil uruguaios declararam ter ascendência indígena. Isso representa quase 5% da população do país, de 3,395 milhões de habitantes. Por sua vez, 255 mil uruguaios se identificaram como afrodescendentes, 15 mil como asiáticos, e quase três milhões declararam ter ascendência branca, em sua maioria procedente de imigrantes europeus vindos da Espanha ou Itália.

TEASER El país sin indios from El país sin indios on Vimeo.

Filme mostra o silenciamento dos Charruas

No documentário O País Sem índios, os diretores Nicolás Soto e Leonardo Rodríguez escolheram dois personagens para retratar a situação da população indígena do Uruguai a partir da história de Roberto, um trabalhador rural, e Mônica, uma professora de matemática. Descendentes charruas, eles vivem cada qual a sua maneira. Ao mesmo tempo, acadêmicos fornecem dados que permitem entender o cenário atual de uma perspectiva renovada e questionar o Uruguai que ainda se vê como "um país sem índios".

Do seu lugar na terra, Roberto vive com base em seus valores com naturalidade e discrição. Respeitando a natureza e com um relacionamento especial com os cavalos, ele não sente a necessidade de uma luta política para reivindicar sua identidade. Mônica, por sua vez, tem um papel de liderança no movimento indígena: leva sua luta aos espaços jurídicos e acadêmicos dentro e fora das fronteiras, para obter o reconhecimento da existência do povo uruguaio e fazer justiça pelos crimes da história. 

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