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13 Novembro 2017

Os imensos montantes de riquezas enormes colocadas em segurança nos "paraísos fiscais" com uma ampla cooperação técnica, política, econômica, daqueles que consideramos líderes ou classe dominante, são a prova de que o mundo é sustentado pelos pobres. Aparentemente, os sistemas de tributação são mais pesados para alguns e mais leves para outros de acordo com a proporção da renda. Porém, a realidade é exatamente o contrário. Nas médias, pequenas e modestas remunerações do trabalho a taxação é um peso social, é um rombo na luta para sobreviver, que se torna mais insuportável para os trabalhadores mais pobres. Mas um sistema inexorável de controle não deixa saída para todo o universo do trabalho subordinado.

A reportagem é de Furio Colombo, jornalista, escritor e político italiano, em artigo publicado por Il Fatto Cotidiano, 12-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

As Forças Armadas, escolas, hospitais e estradas são financiados pela porção pobre do mundo, cada um com o pouco de dinheiro que seria necessário para chegar ao fim do mês, ou com a metade de um salário que permitiria um modesto conforto.

Fora desses limites, começa o truque da tributação da riqueza, seja esta de empresas, de trocas ou de renda, que dispõe de numerosos e criativos ‘paradouros’ onde podem aguardar enquanto são estudadas rotas de fuga, dispondo de tempo e liberdade que jamais seriam concedidos à renda do trabalho. Eles nos explicaram a estratégia. Uma atitude benevolente e relativamente tolerante em relação ao capital, incentiva uma parte dos grandes pagamentos que, de outra forma, poderiam nunca vir a acontecer. Nessa fase (que parece a batalha final de defesa da riqueza, mas, ao contrário, diz respeito a uma série de expedientes para manter ocupada e dividir a política até que quase todos, exceto alguns fora do jogo, sejam convencidos de que, com jeito, algo sempre se obtém, e que algo é melhor do que nada) alteram-se os papéis dos protagonistas do cenário social.

Os trabalhadores tornam-se reféns. "Sentimos muito, mas teremos que fechar e demitir todos se não aceitarem as nossas exigências". Ou também: "É necessário um corte de uma parcela do pessoal, caso contrário, não poderemos reequilibrar a empresa e não teremos condições de manter os pagamentos". Fala-se de impostos e, portanto, os governos ficam alerta. Acontece que os ministros do trabalho participam (às vezes junto com os sindicatos) na preparação das listas de reféns a serem oferecidos, alguns milhares de vítimas para o bem de todos, um ritual de sacrifício que se repete infinitas vezes. Os políticos se tornam cobradores de impostos. E precisam ser cobradores de impostos implacáveis com o trabalho, do qual deve ser exigido até o último centavo, e adicionam as taxas escondidas dos programas de governo e dos aumentos repentinos das tarifas (eletricidade, transporte), mas são respeitosos com as empresas, caso contrário colecionariam dados e avaliações econômicas que não favoreceriam as reeleições.

Alguns intelectuais (especialistas em sociologia e no trabalho) assumem espontaneamente o papel daqueles prisioneiros que agiam como comediantes nos campos de extermínio: explicam-te que chegou a vez dos robôs e não há mais necessidade de trabalhadores. Contam que você precisa aprender o benéfico tempo livre, e que isso não é tão ruim. Sugerem um slogan popular em tempos completamente diferentes: "Trabalhar menos, para ter trabalho para todos".

Os economistas fazem vista grossa e, quando podem, nem levantam os olhos para ver onde se escondem as grandes riquezas. São médicos militares que se prestam a declarar "aptos ao serviço" homens e mulheres por compensações cada vez menores. Enquanto isso, chegam os números da riqueza transferida para algum lugar que não faz mais parte do que chamamos de "Estados" ou de "a sociedade".

Eles nos contam que evaporou 10 por cento, 20 por cento, 30 por cento do PIB mundial. Você obrigatoriamente precisa tirar algumas consequências. A primeira é que se trata, na realidade, de valores muito mais elevados, porque se esse sistema de separação dos mundos funciona, não é razoável pensar que exista alguma continência e propensão para dizer "agora basta." Subtrair tudo parece um projeto possível.

A segunda consequência é que todas as contas do mundo são falsas e que agora se explica, de forma antiquada, quase como um conto de fadas, a frase que precede tantos sacrifícios: "Acabou o dinheiro" ou "antes era possível, hoje não mais".

A terceira consequência é que, depois de tamanho roubo, não corrigível e nem punível, a não ser com graves juízos morais, não é mais possível continuar a política como antes. E os economistas devem parar de ignorar o tremendo rabisco que muda o sentido dos seus tratados. Tudo, em condições extremamente difíceis, deve recomeçar desde o início. Deduzindo as enormes perdas, mas deixando de colocá-las a cargo dos pobres.

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