Sete em cada dez pessoas assassinadas no Brasil são negras

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09 Novembro 2017

ONU alerta que um negro tem 12 vezes mais chance de ser vítima de homicídio do que um não negro no país. Com campanha Vidas Negras, Nações Unidas visam combater violência contra jovens afrodescendentes.

A reportagem é publicada por Deutsche Welle, 08-11-20'7.

No Brasil, os negros têm 12 vezes mais chance de serem assassinados do que não negros, aponta a ONU por ocasião do lançamento da campanha Vidas Negras, que pede o fim da violência contra os jovens afrodescendentes no país.

De cada dez pessoas assassinadas no Brasil, sete são negras, segundo os dados apresentados pelo escritório brasileiro da ONU nesta terça-feira (07/11). Entre os jovens, de 15 a 29 anos, um negro é morto a cada 23 minutos.

O índice de homicídios de cidadãos negros no país, onde mais de 50% da população é afrodescendente, aumentou 18% de 2005 a 2015, enquanto entre os brancos diminuiu 12%.

(Fonte: ONU)

 O objetivo da campanha Vidas Negras é "sensibilizar a sociedade, gestores públicos, sistemas de Justiça, setor privado e movimentos sociais sobre a importância das políticas de prevenção e enfrentamento da discriminação racial".

Segundo a ONU, o racismo é "uma das principais causas históricas da situação de violência e letalidade a que a população negra está submetida" no Brasil.

A campanha está vinculada à Década Internacional de Afrodescendentes, uma iniciativa que recebe grande impulso da ONU no país que possui a segunda maior população negra em todo o mundo, atrás apenas da Nigéria. A iniciativa conta com diversos vídeos e peças publicitárias distribuídas gratuitamente pela ONU a meios de comunicação. 

"Com a campanha Vidas Negras, a ONU convida brasileiras e brasileiros a se engajarem e promoverem ações que garantam o futuro de jovens negros", afirmou o coordenador da ONU no Brasil, Niky Fabiancic.

A ONU mencionou um levantamento do governo federal segundo o qual 56% dos brasileiros concordam com a afirmação "a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco". Para Fabiancic, isso é inaceitável.

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