Vaticano: ''Um verdadeiro compromisso para frear a crise nuclear''. Entrevista com Jody Williams

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01 Novembro 2017

Prêmio Nobel da Paz de 1997, por ter fundado e levado ao sucesso a Campanha Internacional para a Eliminação de Minas, Jody Williams é um dos prêmios Nobel que participarão do congresso sobre o Tratado de Proibição das Armas Nucleares, organizado pelo Vaticano nos dias 10 e 11 de novembro.

A reportagem é de Francesca Caferri, publicada no jornal La Repubblica, 31-10-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Por que você aceitou o convite?

Como eu disse pessoalmente ao papa quando o encontrei, ele é um dos maiores ativistas do mundo. O fato de ter decidido se envolver na questão nuclear envia uma mensagem poderosa ao mundo em um momento muito delicado.

Você se refere à crise norte-coreana, imagino...

O momento desse encontro e a lista dos países convidados a participar dizem muito. Não sabemos o quanto isso poderá influenciar diretamente Kim Jong-un e Donald Trump, mas, como cidadã estadunidense, estou muito contente pelo fato de alguém tomar a palavra no momento em que a situação é tão assustadora.

Existe a possibilidade de que uma mediação do Vaticano surta efeitos positivos, na sua opinião?

O Papa Francisco, sem dúvida, é um potencial negociador. Mas, dada a natureza dos dois líderes envolvidos, é difícil dizer se seria um negociador perfeito – quem poderia ser? Mas não tenho dúvidas em dizer que, dado o caráter deste papa e os seus posicionamentos públicos, o fato de ele ter decidido dedicar as suas energias a esse tema já me parece ser um passo significativo.

Mas há esperança de resultados concretos?

É uma mensagem muito importante que o Vaticano envia ao mundo com esse encontro: já é um compromisso concreto. Se, depois, o papa conseguisse fazer algo pelo diálogo, eu acho que ele se tornaria ainda mais amado do que já é agora. O que já é muito.

Trump estaria disposto a ouvir o papa?

Não é possível dizer. Trump muda de atitude de minuto em minuto, e isso não ajuda. Eu certamente não apoio as escolhas políticas da Coreia do Norte, mas há uma certa lógica nas suas escolhas militares: digamos que a política de Trump não ajuda.

Se você tivesse um desejo sobre esse congresso, qual seria?

Um mundo livre da obscenidade das armas nucleares. Perguntemo-nos quem ganha com as armas nucleares: os comerciantes da morte, como no caso das minas. Certamente, não as pessoas comuns.

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