Efeitos das mudanças climáticas custaram mais de 350 bilhões de dólares aos EUA na última década

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25 Outubro 2017

Donald Trump nega a existência da mudança climática. Mas a ciência e os dados o contradizem. Um novo relatório publicado na terça-feira pela Controladoria Geral (GAO, na sigla em inglês) conclui que o Governo dos EUA gastou mais de 350 bilhões de dólares (cerca de 1,14 trilhão de reais) em suas respostas às mudanças extremas de temperatura como inundações ou incêndios.

A reportagem é de Nicolás Alonso, publicada por El País, 24-10-2017.

No documento, a GAO pede que Trump use as informações fornecidas para “elaborar respostas federais apropriadas”, assim como identificar os riscos potenciais que a mudança climática representa para a estabilidade do país. A agência governamental também estima que o aumento das temperaturas pode causar perdas de 150 bilhões de dólares até 2099.

O estudo, concluído depois de dois anos de entrevistas com especialistas e análise de dezenas de documentos, é a mais recente advertência sobre as graves consequências econômicas – além de ambientais – para os EUA. Nos últimos meses, os furacões Harvey, Irma e Maria atingiram com força o país no Texas, na Flórida e em Porto Rico, respectivamente, causando danos irreparáveis ou muito onerosos para a Casa Branca. Nesta semana o Senado votará em um pacote de ajuda de 36,5 bilhões de dólares para o Oeste do país depois dos devastadores incêndios na Califórnia na semana passada, que provocaram a morte de mais de 40 pessoas, a perda de 8.400 edificações e um custo de 1 bilhão de dólares.

Apesar das recomendações e dos dados, há poucas esperanças de que Trump interceda. Durante sua ascensão ao poder, em 2016, o republicano que agora ocupa o escritório mais importante do mundo afirmou que a mudança climática era um fenômeno inventado pelos chineses. Em seu ainda curto mandato, o presidente retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas – pacto ao qual aderiram todas as nações do mundo, com exceção de três – e colocou um negacionista do aquecimento global à frente da agência ambiental. Suas decisões nessa área foram amplamente rejeitadas por cientistas e acadêmicos de primeiro nível, que temem que as políticas protecionistas de Trump e favoráveis a indústrias como a mineração possam ser um retrocesso no avanço em termos de soluções para preservar o meio ambiente.

O gasto na última década representa menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, razão pela qual não se teme que Trump reduza os recursos dedicados ao combate das emergências provocadas pelos fenômenos naturais.

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