“Entendo o desconforto mas é preciso superar o medo dos migrantes”, diz o Papa a 200 prefeitos italianos

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02 Outubro 2017

Um modelo de cidade "que não admite as vias de mão única de um individualismo exasperado", que "dissocia o interesse privado do público” e “não suporta nem mesmo os becos sem saída da corrupção, onde se aninham as chagas da desagregação". Uma cidade que "não conhece os muros da privatização dos espaços públicos, onde o ‘nós’ é reduzido a slogans, como artifício retórico que mascara os interesses de poucos". O Papa Francisco compartilhou o seu "sonho" - na esperança de que possa se tornar uma realidade - com os membros da ANCI (Associação Nacional dos Municípios Italianos) recebidos em audiência na Sala Clementina, no Vaticano.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 30-09-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Estiveram presentes 200 prefeitos de cidades italianas envolvidos no acolhimento de migrantes e o Papa dirigiu a eles algumas palavras de improviso: "Eu entendo, entendo sim, o desconforto de muitos de seus cidadãos diante da chegada maciça de migrantes e refugiados. É explicado pelo inato temor em relação ao "estrangeiro", um temor agravado pelas feridas causadas pela crise econômica, pelo despreparo das comunidades locais, pela inadequação de muitas medidas que foram adotadas em um clima de emergência". Tal desconforto, de acordo com o Pontífice, "pode ser superado através da oferta de espaços de encontro pessoal e conhecimento mútuo". Que sejam bem-vindas então "todas as iniciativas que promovem a cultura do encontro, a troca mútua de riquezas artísticas e culturais, o conhecimento dos locais e das comunidades de origem dos recém-chegados".

Elas, no entanto, devem ser acompanhadas e tuteladas por "uma política e uma economia novamente centradas na ética: uma ética da responsabilidade, dos relacionamentos, da comunidade e do ambiente", recomendou o Papa. "Precisamos de um ‘nós’ autêntico, de formas de cidadania sólidas e duradouras. Precisamos de uma política de acolhimento e de integração, e que não deixe marginalizados aqueles que chegam a nosso território, mas que se esforce para que frutifiquem os recursos de que cada um de nós é portador".

Só assim "a política pode cumprir sua tarefa fundamental que é de ajudar a olhar com esperança para o futuro", assegura Francisco. Que “alegra-se” ao saber que muitas das administrações locais representadas na audiência no Vaticano "podem ser incluídas entre as principais defensoras das boas práticas de acolhimento e de integração, com resultados encorajadores que merecem uma ampla divulgação". O Papa recorda, por exemplo, a chegada dos albaneses em Bari: "Espero que muitos sigam o vosso exemplo", ele expressa, de modo a "trazer à tona as melhores energias de cada um, dos jovens em primeiro lugar. Que não permaneçam apenas destinatários de tais nobres projetos, mas se tornem seus protagonistas; e, então, vocês não deixarão de também colher os benefícios".

Não adianta criar cidades de "dupla velocidade" com "autopistas para os hiper garantidos" e "gargalos para os pobres e os desempregados

Com uma metáfora Bergoglio então explicou que não adianta criar cidades de "dupla velocidade" com "autopistas para os hiper garantidos" e "gargalos para os pobres e os desempregados." Pelo contrário, é necessário "um coração bom e grande em que cultivar a paixão pelo bem comum". Inclusive porque, ele advertiu, a própria sociedade humana só pode se sustentar "apenas quando está apoiada em uma solidariedade verdadeira, enquanto lá, aonde crescem invejas, ambições desenfreadas e espírito de adversidade, ela acaba se condenando à violência do caos". Exatamente isso aconteceu com os construtores da Torre de Babel "destinada a permanecer na memória da humanidade como símbolo de confusão e da perda de rumo, da presunção e divisão, daquela incapacidade de entender-se que torna impossível qualquer obra em comum".

O convite é, portanto, "para um empenho humilde e cotidiano para baixo", que possa contrabalançar "um impulso arrogante para cima": "Não se trata - explicou o Bispo de Roma - de aumentar ainda mais a torre, mas de ampliar a praça, de abrir espaço, de dar a cada um a possibilidade de realizar a si mesmo e à sua família, e de abrir-se à comunhão com os outros".

Não se trata de aumentar ainda mais a torre, mas de ampliar a praça, de abrir espaço, de dar a cada um a possibilidade de realizar a si mesmo e à sua família, e de abrir-se à comunhão com os outros

Antes de concluir Bergoglio falou pessoalmente com todos os prefeitos “como irmão” e indicando na “prudência, coragem e ternura” as três qualidades ideais para administrar as cidades, estimulou-os a “frequentar as periferias, aquelas urbanas, sociais e existenciais”. "O ponto de vista dos menos favorecidos - relembrou - é a melhor escola, nos permite entender quais são as reais necessidades e expõe as soluções apenas aparentes. Ao mesmo tempo, serve como termômetro da injustiça, e nos indica também o caminho para eliminá-la: construir comunidades onde cada um se sinta reconhecido como pessoa e cidadão, titular de direitos e deveres, na lógica indissolúvel que liga o interesse do indivíduo e o bem comum". Porque "aquilo que contribui para o bem de todos também contribui para o bem do indivíduo".

“Tenham familiaridade com o povo", concluiu o Papa Francisco. "Se um prefeito está próximo da cidade, vai para frente e tornar-se-á uma antecipação e reflexo da Jerusalém celeste. Será um sinal da bondade e da ternura de Deus no tempo dos homens". Ao término da audiência, foram entregues ao Papa como presentes uma estola, alguns pratos decorados à mão, uma cesta de produtos típicos do Piemonte e um turbante, tudo obras de requerentes de asilo e refugiados envolvidos em obras de inserção no trabalho que fazem parte das redes regionais.

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