A recepção do pensamento de Suárez na América Latina

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Por: Márcia Junges | 30 Setembro 2017

Francisco Suárez (1548-1617) influenciou todos intelectuais da filosofia, teologia e direito que escreveram nos séculos XVII na Escolástica latino-americana. Há uma presença maciça de sua obra nas bibliotecas do Novo Mundo. E será preciso estudar as centenas das lições de metafísica dos mestres jesuítas, em sua maioria manuscritas, para termos uma dimensão real da densidade de seu pensamento. “Todos os autores franciscanos mencionam Suárez, mas encontram em Scotus a base natural para sistematizar o ente natural e o possível. A discordância metafísica trata das distinções, e aí é que se separam a metafísica jesuíta e a franciscana”, afirma o filósofo Roberto Hofmeister Pich.

A conferência foi apresentada na manhã de 28-09-2017, dia de encerramento do VIII Colóquio Internacional IHU e XX Colóquio Filosofia UNISINOS – Metafísica e Filosofia Prática. A atualidade do pensamento de Francisco Suárez, 400 anos depois, sediado na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

Confira a conferência na íntegra.

Um dos inúmeros aspectos abordados por Pich foi a influência de Suárez sobre a filosofia moral e do direito de Diego de Avendaño (1594 – 1698). Avendaño nasceu na Espanha e mudou-se para Lima, onde foi educado por jesuítas e passou a interessar-se pelo probabilismo e o modo como essa versão do conhecimento moral influencia o pensamento jurídico. “Avendaño está consciente de seguir as teses do Doctor Eximius”, assegura Pich.

Probabilismo e responsabilidade do agente moral

Ao examinar em suas obras o probabilismo, área primária da teologia moral católica do século XVII, os teólogos e filósofos respondiam à descoberta do Novo Mundo, a expansão das confissões protestantes e a crescente independência das ciências da natureza, o que poderia efetuar uma atitude crítica à vida eclesiástica. Diagnosticar pecados, buscar a cura da alma, das dúvidas, percepção da culpa e perdão tornaram-se aspectos centrais da teologia moral. Era preciso para isso haver ferramentas teóricas adequadas, pensando a responsabilidade do agente.

O adjetivo provável é aquilo que recebe provas em seu favor, além de não ir contra a lei natural e os dogmas da Igreja. Provável é ou virá a ser a qualidade epistêmica de um juízo.
O probabilismo é um método para garantir responsabilidade moral, trazendo resolução para dúvidas práticas. Houve uma grande adesão a esse modelo até o século XVII, quando começou a perder espaço em razão da acusação de laxismo moral.

Suárez expandiria sua abordagem de princípios de retidão para o campo jurídico. Ele subscreve a doutrina probabilista para o campo moral.

Bartolomeu de Medina assume um novo princípio de conduta, o de que é lícito seguir a opinião provável em detrimento da mais provável, o probabiliorismo. O argumento é que a opinião menos provável mesmo que tivesse ao seu lado uma mais provável conserva sua probabilidade.

O probabilismo de Avendaño em nível teórico não diverge tanto de seus interlocutores europeus, pontua Pich. Este se ampara em figuras centrais da escola jesuíta, como Suárez, por exemplo, mas revisões e críticas são frequentes em seus volumes sobre a temática.

Conforme Pich, as grandes contribuições e problemas centrais de Avendaño são a certeza prática suficiente para a consciência reta, e se a probabilidade anexada a um juízo moralmente retificado está ligada ao temor. Há um pano de fundo aristotélico e tomasiano que orientam sua filosofia.

Quem é Roberto Hofmeister Pich

Roberto Pich | Foto: Ricardo Machado / IHU

Roberto Hofmeister Pich é professor adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS, Porto Alegre), onde atua no Programa de Pós-Graduação em Filosofia e no Programa de Pós-Graduação em Teologia.

Possui Bacharelado e Licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996, UFRGS). É Bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia (1996, EST) e doutor em Filosofia pela Rheinische Friedrich-Wilhelms-Universität Bonn (2001), Alemanha. Como Bolsista da Alexander von Humbodt-Stiftung, realizou estudos de Pós-Doutorado na Eberhard Karls Universität Tübingen (2005), no Albertus-Magnus-Institut e na Universität Bonn (2007 e 2011). Como Bolsista da Comissão Fulbright, realizou Pós-Doutorado na University of Notre Dame, Indiana USA (2010).

Na área de Filosofia, atua em especial nas ênfases Filosofia na Idade Média, Metafísica, Epistemologia e Filosofia da Religião. Na área de Teologia, atua em especial nas ênfases Teologia Sistemática e História da Igreja. Desde 2009, é Bolsista de Produtividade do CNPq, Nível 2. Desde 2011, coordena, com o apoio do Programa Geral de Cooperação Internacional (PGCI) da CAPES o Projeto Scholastica colonialis: A Recepção e o Desenvolvimento da Escolástica Barroca na América Latina, séculos 16-18. É membro da Société Internationale pour l Étude de la Philosophie Médiévale (SIEPM), de cujo Bureau é, desde 2012, assessor.

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